Mantendo o lobby para a manutenção, ou até mesmo a alta, da Selic – taxa básica da economia – em 14,5%, o boletim Focus do Banco Central aumentou a estimativa de inflação, na edição desta segunda-feira (1), de 5,04% para 5,09% em 2026.
É a décima segunda alta consecutiva das projeções do Índice de Preços do Consumidor Ampliado (IPCA), índice oficial de inflação, percentual acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional de 4,5%.
Para 2027, a expectativa subiu de 4,01% para 4,02%, a mesma previsão da semana passada. Para 2028 a projeção subiu de 3,65% para 3,66% após manter-se igual na semana anterior.
Até o final de 2026 a previsão da Selic permaneceu em 13,25% em relação à semana anterior. Reverteu um curto período de projeções de baixa, com um aumento de 13% há quatro semanas, para os 13,25% atuais.
Segundo matéria no Valor Econômico, de 30 de maio, dirigentes de bancos privados pressionam para que a Selic não fique abaixo de 14% no final do ano. O pretexto é o “choque de petróleo” ou “um PIB mais forte reduz o espaço para um ciclo rápido de afrouxamento monetário”. Afinal, o que eles querem é levar o país à recessão.
Desde junho de 2025, quando a Selic subiu para 15%, variaram de forma convergente a escalada dos juros e redução da atividade econômica. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou para 2,3%, depois de crescer 3,4% em 2024.
Com essa política de juros nas alturas, indústria, comércio, serviços não financeiros desaceleraram. Serviços de 3,1% em 2024 para 2,8% em 2025. Indústria 3,1% em 2024. Em 2025 uma forte desaceleração que terminou o ano com restritos 0,6% de expansão.
As vendas do comércio varejista brasileiro encerraram 2025 com um crescimento acumulado de 1,6%. Esse resultado representou uma desaceleração em relação a 2024, que havia registrado uma alta forte de 4,1%.
No sentido contrário, o setor financeiro apresentou crescimento na ordem de dois dígitos. O saldo das operações de crédito do SFN em 2025 totalizou R$ 7,1 trilhões, com elevação de 10,2% no ano. Em 2024, o avanço foi de 11,5%.
Não poderia ser diferente, juros altos reduzem investimento produtivo, restringe o consumo das famílias, encolhe a economia e provoca uma transferência brutal de recursos públicos para os bancos e demais rentistas.
Segundo dados do Banco Central, divulgados na sexta-feira, 29 de maio, as despesas do setor público com pagamento de juros da dívida somaram R$ 84,8 bilhões em abril de 2026, comparativamente a R$ 69,7 bilhões em abril de 2025. No acumulado em doze meses até abril, os juros nominais alcançaram R$ 1.095,5 bilhões (8,43% do PIB), comparativamente a R$ 928,4 bilhões (7,65% do PIB) nos doze meses até abril de 2025.
Um montante nada comparado ao que está destinado pelo Orçamento da União ao atendimento à população, à saúde, educação, segurança pública, investimentos, aposentadorias, entre tantos, e que só beneficia os parasitas.











