“Candidatura do Flávio Bolsonaro é uma ameaça à democracia”. Vice-presidente afirma que pressão do governo Trump para classificar facções brasileiras como terroristas busca desviar foco do envolvimento no “gravíssimo caso de corrupção e sonegação” do Banco Master
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que a os membros da família Bolsonaro atuam “mais em defesa de si próprios do que do País” e acusou aliados do ex-presidente de criarem “factoide” para desviar a atenção das investigações que envolvem o Banco Master.
Em agenda no litoral paulista nesta sexta-feira (29), Alckmin denunciou Flávio Bolsonaro após o governo dos Estados Unidos anunciar a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas estrangeiras, numa interferência absurda nos assuntos internos do Brasil.
“O que eu lamento nesse episódio é que, infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no País”, declarou o vice-presidente. Segundo ele, a ofensiva política em Washington teria como objetivo tirar o foco do “gravíssimo caso de corrupção e sonegação” relacionado ao Banco Master.
Alckmin afirmou que a decisão americana “não resolverá o problema da criminalidade” e poderá atingir setores estratégicos da economia brasileira.
“Pode trazer consequências ao sistema financeiro e à economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar o Brasil”, advertiu o vice-presidente.
Lula também reagiu duramente e acusou Flávio Bolsonaro de “trair a pátria” ao solicitar apoio estrangeiro para pressionar o Brasil.
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que a cooperação internacional contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas é bem-vinda, mas rechaçou qualquer possibilidade de utilização do tema como “pretexto para intervenção”.
AMEAÇA
Em entrevista a Daniela Lima, do UOL, o vice-presidente declarou que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) representa uma “ameaça” ao país e à democracia.
“A candidatura do Flávio Bolsonaro não é bem candidatura. Isso é uma ameaça. É uma ameaça à democracia, ao país, ao povo. A outra, a experiência do presidente Lula faz diferença”, afirmou.
“Se formos verificar, a economia, o emprego, a saúde, a educação e a inserção do Brasil no cenário internacional cresceram. No meio ambiente, o desmatamento caiu. A eleição do presidente Lula salvou a democracia brasileira. A avaliação tende a melhorar”, continuou Alckmin.
Alckmin também falou que a votação expressiva na Câmara que acabou com a escala de trabalho de 6 dias com apenas 1 de de folga tende a influenciar a decisão dos senadores.
“Como foi aprovado na Câmara com uma votação histórica, o Senado também o aprovará”, disse.
O vice-presidente defendeu a ampliação do Desenrola. Ele disse apoiar uma nova versão voltada também a quem está em dia com as contas, além do programa já direcionado a inadimplentes.
“Eu defendo o Desenrola e outro Desenrola para os adimplentes. Foi feito o Desenrola para os inadimplentes e isso foi muito inteligente porque, com o fundo garantidor, nós reduziremos a taxa de juros para 1,99%. Imaginamos um desconto médio de 70%”, observou.
PRESSÃO BOLSONARISTA E TENSÃO DIPLOMÁTICA
A decisão da administração de Donald Trump foi associada diretamente à atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca e no Departamento de Estado. Reportagens publicadas nesta sexta-feira indicam que o parlamentar levou pessoalmente a pauta ao governo americano durante viagem recente a Washington.
O episódio aprofundou a crise política e diplomática entre Brasília e Washington. O governo brasileiro resiste há meses à classificação das facções como organizações terroristas por considerar que a medida abre margem para sanções financeiras, pressões econômicas e até interpretações que possam justificar interferência externa em assuntos internos do País.
Tudo isso, naturalmente, alteraria o processo eleitoral brasileiro.
Essa ação do governo Trump tem relação, mais uma vez, com ações deletérias do clã Bolsonaro para desestabilizar o governo e o processo eleitoral em curso.
OPERAÇÕES CONTRA FACÇÕES E DISPUTA NARRATIVA
Ao responder às críticas da oposição, Alckmin procurou enfatizar que o combate ao crime organizado já vem sendo intensificado pelo governo federal e pelas forças de segurança brasileiras.
Segundo ele, o Congresso aprovou leis mais duras contra facções criminosas, ampliou penas e restringiu progressões penitenciárias.
O vice-presidente também citou a Operação Carbono Oculto — conduzida pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e Gaeco — que investiga esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, fraude tributária e comércio ilegal de combustíveis associados ao crime organizado.











