Na última sexta (1º) os partidos da coligação que apoiam a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao governo do Estado do Rio Grande do Sul lançaram oficialmente, sua frente política. O ato, realizado em 1º de Maio, veio como forma de evidenciar a vinculação da frente com a defesa de direitos dos trabalhadores, lotou a sede estadual do PDT.
Para marcar a data, as sete legendas divulgaram o documento intitulado ‘Carta ao Povo Gaúcho’, uma espécie de resumo das prioridades que vão apresentar na pré-campanha e na campanha, e que deverão nortear a confecção do plano de governo.
Em três páginas, a carta reforça como tarefa principal da frente reafirmar os valores democráticos e a redução das desigualdades. E destaca o compromisso com emprego, renda, justiça social, educação pública de qualidade, saúde e segurança, “especialmente das mulheres.”
Da mesma forma, o texto também endereça críticas diretas a atual administração estadual do governo de Eduardo Leite (PSD), apontando que o Estado perdeu relevância no cenário nacional, além das privatizações, os índices da educação, as filas na saúde e os feminicídios.
“Vivemos o esgotamento de um modelo baseado na redução do papel do Estado, com privatizações e a retirada de direitos, que não entregou o desenvolvimento prometido. Na educação, já fomos referência e hoje amargamos índices de qualidade em queda; na saúde, milhares de pessoas aguardam por cirurgias, exames e procedimentos; na segurança, nos tornamos o estado brasileiro onde o feminicídio mais cresce”, lista o um dos trechos.
Ainda, os partidos se comprometem com cinco pontos em relação ao Estado. A criação de políticas para a indução do desenvolvimento; a valorização dos servidores públicos; o cumprimento de compromissos constitucionais nas áreas de saúde e educação; o destaque para a agenda ambiental e climática; e a prevalência do interesse público em setores estratégicos, como saneamento, energia e rodovias.
Também são colocados como “compromissos fundamentais”, e neste caso associados a uma pauta nacional, a defesa do fim da escala 6×1 e a valorização do salário mínimo. Além do PDT, integram a frente as federações PT/PCdoB/PV e Psol/Rede, e o PSB.
O principal adversário da chapa de Juliana é o deputado federal Luciano Zucco (PL), que lidera uma frente de direita.
BRIZOLA VIVE
Juliana Brizola em seu discurso no ato político, relembrou seu avô, Leonel Brizola, que já governou o território gaúcho e foi uma das maiores lideranças de esquerda do país.
“As forças políticas aqui reunidas – trabalhistas, progressistas, democráticas e populares – constroem esta frente, cada uma a seu modo. Inspiradas nas trajetórias de lideranças como Brizola, Collares, Olívio e Tarso, dirigem-se à sociedade gaúcha com um compromisso claro de confiança e trabalho a serviço do povo”, destacou.
Além da própria citação a Brizola, um cartaz gigante com caricaturas dele e de Juliana juntos foi exposto no evento. Estiveram presentes os principais nomes da aliança, incluindo o deputado Paulo Pimenta (PT) e a ex-deputada Manuela D’Ávila (PSOL), que disputam o Senado no estado, além de Carlos Lupi, presidente nacional do PDT.
Por fim, a pré-candidata ainda lançou uma carta ao povo gaúcho, no qual consolida a frente de esquerda que encabeça e cita alguns pontos de seu projeto político.
Veja a carta na íntegra:
Os partidos que assinam esta carta ao povo gaúcho reforçam seu compromisso com o Rio Grande do Sul. Nos unimos com uma prioridade muito clara: o cidadão, os trabalhadores e as trabalhadoras da nossa terra, como centro de toda e qualquer decisão.
Um compromisso que se torna ainda mais relevante no momento político de hoje, em que a política vem se distanciando cada vez mais da vida real dos brasileiros. Uma política do confronto, que passou a atender interesses de poucos, servir a si própria, e por isso se afastou da população.
Enquanto isso, o que deveria estar no centro do debate foi sendo empurrado para a margem: o emprego, a renda, a justiça social, os direitos do povo trabalhador, a educação pública de qualidade, a saúde e a segurança, especialmente das mulheres.
Política é ferramenta de transformação. E só faz sentido quando está no seu devido lugar, que é servindo ao povo.
A história do Brasil passa pelo Rio Grande do Sul. Daqui, nasceram movimentos que defenderam e defendem esses valores, nos momentos mais críticos e decisivos da nossa trajetória democrática.
Um exemplo é o Movimento da Legalidade, liderado por Leonel Brizola. Também se destacam a construção e o fortalecimento de práticas de participação popular, como o Orçamento Participativo e a 1ª Conferência Mundial Antifacista, que seguiram projetando nosso estado como referência.
Agora, essa trajetória ganha mais um momento importante. Em um cenário global marcado por tendências autoritárias e pela intolerância, reafirmar os valores democráticos torna-se uma tarefa urgente.
Nesse contexto, o Brasil, através do Governo do Presidente Lula, volta a ocupar um papel relevante no cenário internacional, defendendo a paz, a justiça e a redução das desigualdades. Esse reposicionamento exige, também nos estados, projetos políticos comprometidos com desenvolvimento, inclusão e justiça social.
No Rio Grande do Sul, o povo gaúcho precisa retomar o seu protagonismo e sua relevância no cenário nacional, lugar que nunca deveria ter deixado. Vivemos o esgotamento de um modelo baseado na redução do papel do Estado, com privatizações e a retirada de direitos, que não entregou o desenvolvimento prometido.
Na educação, já fomos referência e hoje amargamos índices de qualidade em queda; na saúde, milhares de pessoas aguardam por cirurgias, exames e procedimentos; na segurança, nos tornamos o estado brasileiro onde o feminicídio mais cresce. Sabemos que nosso estado merece e precisa de muito mais. A vida e os direitos das mulheres devem estar em primeiro lugar.
Diante disso, as forças políticas aqui reunidas — trabalhistas, progressistas, democráticas e populares — constroem esta frente, cada uma a seu modo. Inspiradas nas trajetórias de lideranças como Brizola, Collares, Olívio e Tarso, dirigem-se à sociedade gaúcha com um compromisso claro de confiança e trabalho a serviço do povo.
Defendemos um Estado capaz de planejar, coordenar e induzir o desenvolvimento, promovendo crescimento econômico com distribuição de renda e oportunidades.
A valorização dos servidores públicos é essencial, com diálogo permanente, respeito às carreiras e cumprimento dos compromissos constitucionais nas áreas de saúde e educação.
A agenda ambiental e climática deve ser tratada como eixo estruturante, integrada a um projeto de desenvolvimento sustentável e de proteção do nosso território. Em setores estratégicos, como saneamento, energia e rodovias, o interesse público deve sempre prevalecer sobre qualquer outro.
Neste 1º de maio histórico, de unidade das forças progressistas, reiteramos nosso compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras.
Estamos ao lado de quem trabalha, de quem constrói, de quem faz nosso país e nosso Rio Grande todos os dias. Trabalhadores e trabalhadoras que merecem a valorização do seu esforço e o direito ao descanso, junto da sua família. Por isso, o fim da escala 6×1, a valorização do salário mínimo, a luta dos trabalhadores e trabalhadoras pelos seus direitos são nossos compromissos fundamentais.
Vamos dizer um não rotundo a todo o retrocesso, reeleger o presidente Lula e vencer as eleições no Rio Grande!
Este é um chamado à participação, para que todos venham conosco. Vamos percorrer o estado, ouvir as dores da população e construir, junto com o povo gaúcho, um novo projeto de desenvolvimento.
Vamos colocar o trabalho acima da política.
A vida acima da política.
E a política no seu devido lugar, que é servindo às pessoas.
JULIANA BRIZOLA, EDEGAR PRETTO, MANUELA D’ÁVILA E PAULO PIMENTA
Coligação: PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB, REDE e PV











