Roberto Sánchez, de Juntos por el Peru, mostra que, dentro das fronteiras do país, sua chapa venceu e que foram os votos do exterior que deram maioria a Keiko e são exatamente estes que o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).peruano se recusa a averiguar, negando-se a atender a solicitação da coligação de Sánchez
Roberto Sánchez, candidato da coligação Juntos por el Peru, denuncia uma grave interferência nas urnas apuradas do segundo turno da disputa pela presidência do país nas votações no exterior, que, afirma, configura uma fraude em curso e anunciou que não aceitará os resultados da eleição de 7 de junho, acusando as autoridades eleitorais de trapaça para favorecer sua adversária, Keiko Fujimori, da chapa Força Popular.
A fraude denunciada por Sánchez favorece a filha do ditador sanguinário que governou o Peru, fez com que o candidato de juntos por el Peru, tenha reiterado que existem razões para questionar a validade dos votos depositados por peruanos no exterior e responsabilizou o Ministério das Relações Exteriores e o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
“Acreditamos que houve uma grave perturbação no processo eleitoral, especificamente naquele realizado pelos consulados. Refiro-me ao voto no exterior. Essa grave perturbação decorre de uma resolução do ONPE que, a pedido do Poder Executivo — ou seja, o Ministério das Relações Exteriores —, reduziu os padrões de segurança jurídica do voto no processo eleitoral”, afirmou.
Sánchez detalhou que uma resolução do chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), emitida em 29 de maio a pedido do Ministério das Relações Exteriores, modificou a regulamentação vigente, eliminando a obrigação de digitalizar e escanear os registros imediatamente após a conclusão do processo eleitoral, regra que foi seguida durante o primeiro turno.
“SE CONFIGURA A FRAUDE”
Segundo ele, se a Junta Nacional Eleitoral confirmar a validade dos votos dos peruanos no exterior emitidos desse jeito, “será configurada uma fraude eleitoral” que deixará o Juntos por el Peru sem a vitória que a formação política havia obtido com os votos dos peruanos dentro das fronteiras do país.
De fato, Sánchez lidera a contagem de votos à frente de Fujimori — 50,1% contra 49,8% — quando se consideram apenas os votos computados dentro do país. A situação se inverte quando os votos do exterior são somados, resultando em um placar de 50,09% a 49,9% a favor da candidata do Força Popular.
“Não reconheceremos esse governo e nos declararemos engajados em uma luta política e social de resistência popular e patriótica, respeitando o marco legal e constitucional, bem como as normas supranacionais do sistema interamericano”, declarou Sánchez, informando que entrou com um recurso formal de anulação junto à Junta Nacional Eleitoral (JNE) para suspender a contagem desses votos irregulares.
O candidato alertou que, caso o órgão eleitoral não resolva a questão de acordo com a lei e a transparência, rejeitando o pedido de recontagem, a fraude terá sido consumada e, portanto, ele não reconhecerá nenhum eventual governo liderado pela Sra. Fujimori.
Filha do ditador Fujimori, derrubado pela mobilização popular e preso depois de uma década de desmandos e corrupção, Keiko se apresentou como a candidata de Trump e da restauração dos laços com Washington, fez campanha pela deportação dos imigrantes e contra a “criminalidade”.
Sánchez, ex-ministro de Pedro Castilho, o presidente deposto pelo Congresso controlado pelos fujimoristas e neoliberais, em sua campanha chamou a industrializar o país, a fortalecer o mercado interno e os direitos, a fazer a reforma agrária e a convocar um referendo para revogar a constituição da ditadura, imposta em 1993, ainda em vigor.











