O acordo terá como centro a devolução do dinheiro que foi desviado e os nomes das autoridades públicas que têm envolvimento no esquema criminoso
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acabou de produzir, com seus advogados, os anexos de sua colaboração premiada, que darão início às tratativas oficiais sobre o acordo.
Os anexos são um documento no qual o delator descreve, de forma cronológica, os eventos criminosos e indica os nomes dos demais envolvidos e beneficiários. Vorcaro ficou cerca de um mês e meio elaborando esse roteiro com sua defesa.
Com os anexos em mãos, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) passam a checar as informações apresentadas pelo possível colaborador com as que já foram obtidas pelas investigações.
O objetivo é se certificar de que a ação terá uma efetiva colaboração com o esclarecimento dos fatos e dará mais profundidade para a investigação.
A PF e a PGR também avaliarão se Daniel Vorcaro estará entregando provas sobre os fatos narrados. Essa etapa, segundo investigadores ouvidos pelo g1, pode durar até dois meses.
Caso os órgãos entendam que os anexos apresentam motivos para que se dê andamento ao acordo, começam a ser colhidos os depoimentos.
De acordo com Andréia Sadi, do g1, o acordo de colaboração terá como “espinha dorsal” a devolução do dinheiro que foi desviado e os nomes das autoridades públicas que têm envolvimento no esquema criminoso.
Depois de colhidos os depoimentos do delator e de assinado o acordo, o ministro relator, André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai analisar o caso e decidir sobre a homologação, o que dará validade jurídica ao acordo.
Daniel Vorcaro montou por meio do Banco Master um esquema de fraudes financeiras, inflando números e criando carteiras de crédito podres, ou seja, sem rendimentos e sem garantia.
O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, está preso por ter colocado pelo menos R$ 12 bilhões do banco estatal no esquema de Vorcaro. Ele recebeu uma propina já identificada de R$ 146 milhões para isso.
Costa também está negociando uma delação premiada, mas isso ainda está em estágio inicial. Segundo Lauro Jardim, do Globo, sua delação pode envolver os nomes do ex-governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e da atual mandatária, Celina Leão (PP).
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