Defendendo um sistema de governança global baseado em ampla consulta e contribuição conjunta para o benefício comum, o presidente chinês, Xi Jinping, propõe um “multilateralismo genuíno” para fomentar um mundo multipolar igualitário e ordenado, bem como uma globalização econômica universalmente benéfica e inclusiva.
As propostas chinesas foram apresentadas pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado da China nesta quarta-feira (17), no documento intitulado “Construir um Sistema de Governança Global Mais Justo e Equitativo: Conceitos, Princípios e Ações”.
O texto apresenta o diagnóstico chinês sobre a conjuntura mundial, propõe ações para melhorar o “consenso internacional e garantir respostas eficazes aos desafios globais”, e reafirma o sistema internacional com a ONU como seu “eixo central”.
Diante da expansão dos gastos militares globais e do que chama de “ressurgimento da escória do militarismo” – de acordo com o documento em 2025 o número de conflitos armados atingiu o recorde mais alto desde o fim da 2ª Guerra Mundial, com mais de 50 países diretamente envolvidos -, o manifesto alerta para os riscos da proliferação e do “compartilhamento nuclear” neste momento de fragilidade da segurança internacional.
RESPEITO ÀS NORMAS NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
“O sucesso também dependerá de que os principais países assumam um senso de responsabilidade e de que todas as nações se unam e cooperem para sanar as deficiências na paz e no desenvolvimento”, afirma o documento, instando todos os países a “defender firmemente o sistema internacional com a ONU em seu centro, salvaguardar a ordem internacional baseada no Direito Internacional e respeitar as normas básicas que regem as relações internacionais, fundamentadas nos propósitos e princípios da Carta da ONU”.
O texto atribui uma paralisia institucional à conduta de certas grandes potências, que frequentemente abandonam tratados, cortam fundos e obstruem decisões em órgãos como o Conselho de Segurança e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
FORTALECIMENTO DO SUL GLOBAL
O documento reitera o compromisso da China com os países em desenvolvimento. Pequim argumenta que a monopolização dos assuntos internacionais por uma minoria de países tornou-se insustentável e que as injustiças históricas de longa data precisam ser corrigidas de forma definitiva.
Para o governo chinês, os países emergentes pertencentes ao Sul Global já trazem novos ares para o mundo por meio de blocos e fóruns consolidados, destacando a expansão dos BRICS, o papel territorial da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) e a atuação do G20.
Como guia para essa reestruturação, o documento propõe cinco conceitos centrais: igualdade soberana, respeito ao Estado de Direito internacional, prática do multilateralismo, centralidade nas pessoas e foco na ação. O texto reforça que as nações devem negociar em termos de igualdade, colocando o tratamento igualitário e o respeito mútuo em primeiro lugar nos debates globais.
CRÍTICAS AO UNILATERALISMO E AO HEGEMONISMO
O documento classifica o unilateralismo e o hegemonismo como fontes de caos que atropelam as normas básicas internacionais.
“Países isolados usam o tamanho para intimidar os menores e a força para oprimir os fracos (…) praticam o princípio de ‘meu país primeiro’ e adotam padrões duplos, desafiando a justiça internacional por interesses egoístas; costuram pequenos blocos e círculos fechados, repetindo no século XXI o velho roteiro de instigar a divisão”, constata.
O manifesto aponta ainda que interesses privados têm bloqueado reformas de cotas e direitos de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial, gerando atrasos. Diante disso, o documento introduz a urgência de regulamentar novas fronteiras da cooperação humana — como o mar profundo, as regiões polares, o espaço sideral e o ambiente cibernético —, defendendo que esses setores sejam guiados por princípios de paz e soberania, tornando-se campos de cooperação e não de batalha.
“Os países não estão navegando separadamente em mais de 190 pequenos botes, mas dividem um grande navio com um destino compartilhado”, aponta o texto, reforçando que o multilateralismo não é uma escolha, mas o único caminho viável para as nações.
Além do prefácio e da conclusão, a publicação está dividida em cinco capítulos principais: “O Mundo de Hoje Enfrenta Desafios Graves e Complexos”, “A Iniciativa de Governança Global Responde aos Desafios de Nosso Tempo”, “A Contribuição da China para Promover a Governança Global”, “Orientando a Direção da Mudança para um Futuro Brilhante” e “Avançando Lado a Lado em um Momento Crítico da História”.
Veja, no link adiante, o texto completo em inglês:
Full text: More Just and Equitable Global Governance: China’s Principles, Proposals and Actions











