CIA admite que Irã pode resistir ao bloqueio naval dos EUA por meses, diz Washington Post

Cargueiros seguem atravessando Ormuz apesar do bloqueio norte-americano (AtlasPress)

De acordo com o The Washington Post, uma análise confidencial feita pela CIA, a Agência Central de Inteligência norte-americana, entregue nesta semana ao governo Trump concluiu que o Irã pode resistir ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos por 90 a 120 dias, “ou até mais”, antes de enfrentar dificuldades econômicas mais graves.

Quatro fontes [da CIA?] confirmaram ao Post a informação, divulgada na quinta-feira (07). O terceiro principal jornal norte-americano estampou que Teerã “mantém capacidades significativas de mísseis balísticos apesar de semanas de intensos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel”.

“O Irã mantém cerca de 75% de seus estoques pré-guerra de lançadores móveis e cerca de 70% de seus estoques pré-guerra de mísseis”, apontou o Post, acrescentando que há evidências de que o governo iraniano “conseguiu recuperar e reabrir quase todas as suas instalações de armazenamento subterrâneas, reparar alguns mísseis danificados e até montar novos mísseis que estavam quase prontos quando a guerra começou”.

Conforme outro funcionário norte-americano citado pelo jornal, Washington pode ter subestimado a resiliência econômica de Teerã. O Irã – destacou – pode ter a capacidade de suportar investidas mais prolongadas, superando a estimativa da CIA, já que tem a alternativa de migrar para o transporte ferroviário, sem depender do transporte marítimo.

“A liderança tornou-se mais radical, determinada e cada vez mais confiante de que pode resistir à vontade política dos EUA e sustentar a repressão interna para conter qualquer resistência” dentro do Irã, ele disse ao jornal. “Comparativamente, você vê regimes semelhantes durando anos sob embargos prolongados e guerras apenas de poder aéreo”.

“A situação no Irã não é tão grave quanto algumas pessoas retratam”, afirmou outra fonte, o que pode ser uma referência desde o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, até o próprio Trump, e suas delirantes “análises” da situação, embora Teerã não dê mostrar de capitular, como pensavam e seguem exigindo.

De acordo com o Post, no entanto, “o Irã tem se mostrado resiliente, apesar de perder seu líder supremo e muitos outros altos funcionários para ataques com mísseis, além de grande parte de seu equipamento militar”.

Quanto ao poder bélico do Irã, a avaliação confidencial indica que o arsenal de mísseis e lançadores móveis do país persa “continua formidável”, admite o jornal. 

Também foi o Post que descobriu, revisando imagens de satélite e postagens confirmadas, que ataques aéreos iranianos danificaram ou destruíram pelo menos 228 estruturas ou equipamentos em bases dos EUA no Oriente Médio, “um nível de destruição muito maior do que o que foi publicamente reconhecido pelo governo dos EUA”.

Mesmo em Israel já há quem pense na mesma direção. O ex-chefe da seção de inteligência militar israelense sobre o Irã, Dani Tsitrinovich, disse que nem sequer um bloqueio de vários meses forçaria Teerã a fazer concessões a Washington. O resultado da guerra poderia equivaler a um “fracasso estratégico” para os Estados Unidos e Israel, advertiu.

“A guerra, que supostamente tinha como objetivo derrubar o regime e eliminar as capacidades nucleares e de mísseis balísticos do Irã, pode, em vez disso, deixar a liderança iraniana mais forte do que antes. Com o fim das sanções, o regime pode ganhar força. Ao mesmo tempo, poderia manter capacidades significativas de mísseis, continuar apoiando suas forças de procuração e, muito provavelmente, preservar as atividades de enriquecimento de urânio em seu próprio território”, lamentou Tsitrinovich.

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