O embaixador permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, na segunda-feira, descreveu o cessar-fogo no Lìbano, mediado pelos norte-americanos como sendo “cortina de fumaça para agressão crescente” por parte de Israel. A declaração foi dada durante um debate no Conselho de Segurança das Nações Unidas, sobre a escalada nos ataques e o movimento das tropas de Israel no sul do Líbano.
“Condenamos com a mais forte veemência as ações agressivas de Israel e reiteramos nosso firme compromisso com a soberania, integridade territorial e independência do Líbano. Exigimos a retirada imediata das forças israelenses do território libanês. Sem essa retirada, um cessar-fogo genuíno não pode ser alcançado”, disse Nebenzia
“A situação no Líbano exige a máxima atenção da comunidade internacional”, acrescentou.
“O cessar-fogo alcançado em 17 de abril entre Israel e Beirute sob a mediação de Washington, infelizmente, provou ser nada mais do que uma cortina de fumaça para uma agressão crescente contra o Líbano”, disse.
Enquanto o mundo inteiro acompanhava a próxima rodada de negociações – que aconteceu no dia 2 de junho na capital norte-americana, os israelenses continuaram a expandir sistematicamente sua ocupação, destruindo assentamentos inteiros como parte de uma tática de terra arrasada.”
“Tornou-se cada vez mais claro que o cenário que envolvia a limpeza da Faixa de Gaza, caracterizado pela imposição de controle amplo da ocupação e o deslocamento forçado de moradores locais, está sendo totalmente replicado no Líbano.”
“As ambições de Tel Aviv agora se estendem ao rio Litani, e os moradores de Tiro e de outras grandes cidades do sul estão sendo incentivados a evacuar. Assim, parece que a estratégia visa prolongar a guerra”, ressaltou o diplomata russo.
“A ocupação contínua do Líbano e sua expansão geográfica é inaceitável, corre o risco de uma grave exacerbação das tensões étnicas e sectárias e da divisão nacional, carregando o espectro de uma guerra civil. A realização desse cenário comprometeria a situação de segurança”.
“Há apenas um caminho: que as partes retornem ao estrito cumprimento de suas obrigações sob a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que estipula o fim completo da ocupação israelense do Líbano e a extensão da soberania estatal sobre todo o seu território. Todos devemos lembrar que a deterioração da situação no Líbano foi resultado direto da agressão injustificada lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Portanto, o caminho de negociação em andamento entre Irã e Estados Unidos depende em grande parte de como a situação se desenvolve dentro do teatro operacional libanês”, concluiu.
FORÇAS ISRAELENSES MATAM DOIS PARAMÉDICOS NO LÍBANO
Nesta quarta-feira, as forças israelenses mataram cerca de 8 pessoas no sul do Líbano, comunicou o Ministério da Saúde do Líbano. Seis pessoas foram mortas em um ataque israelenses perto da cidade de Tiro. Dois paramédicos também foram mortos em um ataque na cidade de Shhour.
“Os dois paramédicos da Associação Al-Risala, Hassan Ali Mohammad e Mohammad Qassem al-Laqis, foram mortos em um ataque deliberado israelense à ambulância enquanto cumpriam seu dever humanitário na cidade libanesa de Shhour”.
O Ministério da Saúde libanês então condenou os ataques, classificou-os como “bárbaros” e ressaltou que cerca de 130 profissionais da saúde no Líbano foram mortos desde que os israelenses invadiram o sul do país em março.











