Cinismo sem limites: bancos querem aumentar juro real

Sociedade exige queda dos juros e mais rápido. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Inflação cai, mas Selic se mantém em 14% até o final de 2026, segundo o boletim Focus do BC

Os bancos reduziram a projeção para a inflação de 5,33% para 5,30% ao final de 2026, segundo o Boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado nesta segunda-feira (6). No entanto, não deram um passo atrás em relação à taxa básica de juros. A mediana das estimativas para a Selic permaneceu em 14%, o que sustenta a pressão para que o BC encerre o ciclo de cortes iniciado em março.

Hoje, a Selic está fixada em 14,25% ao ano. Em um cenário no qual a perspectiva para a inflação está em baixa, a taxa de juros real volta a subir, elevando os ganhos dos bancos e rentistas com as aplicações financeiras.

A interrupção da agressão dos EUA contra o Irã e a reabertura do estreito de Ormuz já se refletem em uma baixa relevante no preço do petróleo no mercado internacional, que contribuiu para a redução dos preços internos dos derivados. Isso permite a desaceleração dos indicadores de inflação: o IPCA-15, que é a prévia da inflação de junho, registrou alta de 0,41%, ficando abaixo da marca do mês anterior (0,48%) e da mediana das previsões do mercado. Já o IGP-M de junho teve uma deflação de -0,50%.

Diante dos novos fatos, o financismo obriga-se a criar uma nova narrativa – agindo conforme seu impulso natural de vigarista, que se baseia na manipulação, chantagem e na exploração da confiança alheia – para manter o religioso gasto com os juros em expansão. 

No acumulado de doze meses até maio deste ano, a transferência de recursos públicos para a despesa com pagamento de juros atingiu a marca de R$ 1,111 trilhão, o que corresponde a 8,48% do PIB brasileiro. Essa soma representa R$ 164,9 bilhões a mais que no mesmo período do ano anterior (R$ 946,1 bilhões). Nenhum outro setor econômico tem tal privilégio sobre o erário.

Livre de regras de controle fiscal, o gasto com juros é o principal fator de pressão que alimenta o crescimento da dívida pública. Para sustentá-lo, os bancos propõem uma agenda de cortes de benefícios previdenciários, do Benefício de Prestação Continuada (BPC) a doentes miseráveis, do seguro-desemprego e do abono salarial. Além disso, exigem tesouradas em investimentos em saúde, educação, na defesa do país, e em medidas de estímulo à economia, que vêm garantindo uma sobrevida ao consumo e aos empregos com carteira assinada.

Assim, setores da mídia, aliadas a bancos retomam no dia de hoje a proposta de arrocho sobre os investimentos do Estado, em contraponto a uma queda mais intensa dos juros, como defendem os setores produtivos e os consumidores brasileiros. Criam sempre novos factoides para manter a agiotagem dos juros, que, além de saquear o Orçamento público, pilham o caixa das empresas e o orçamento das famílias.

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