Major-general Ali Abdollahi Aliabadi destaca que as Forças Iranianas “não permitirão que os EUA abusem da situação” e que “responderão qualquer descumprimento de sua promessa”
O comandante do Quartel-General Central de Khatam al Anbiya, Major-general Ali Abdollahi Aliabadi, reiterou nesta terça-feira (21) que as Forças Armadas iranianas “não permitirão que o presidente mentiroso e delirante dos Estados Unidos abuse da situação no terreno”.
Em nota divulgada à agência de notícias Tasnim, Ali Abdollahi desqualificou a postura de Trump, que busca criar “narrativas falsas e enganosas, especialmente na gestão e no controle do Estreito de Ormuz”. Diante da conduta irresponsável, frisou, as forças iranianas “responderão com firmeza a qualquer descumprimento de sua promessa” quanto ao destino do estreito por onde passa 20% do petróleo mundial.
No comando do quartel-general operacional das Forças Armadas do Irã, o major-general explicou que o Irã reverteu a decisão sobre a movimentação no estratégico estreito porque o governo norte-americano não cumpriu com as suas responsabilidades e inclusive, num gesto de “pirataria”, apreendeu um cargueiro iraniano, violando suas obrigações com o acordo de paz.
“A heroica nação do Irã se orgulha hoje da autoridade, da prontidão e das abrangentes capacidades estratégicas da Guarda Revolucionária e de outras forças de defesa da pátria, que levaram o inimigo sionista e os terroristas americanos ao desespero e à exaustão com ataques letais e devastadores de mísseis e drones, forçando-os a solicitar desesperadamente um cessar-fogo”, sublinhou Ali.
PROPOSTA DE “NEGOCIAÇÕES” SEM DIÁLOGO
Prepotente, Trump anunciou na segunda-feira (20) que uma delegação estadunidense liderada pelo vice-presidente J.D. Vance chegaria ao Paquistão para realizar “negociações” que, caso não fossem atendidas, significariam ainda mais bombardeios e escombros criminosos sobre a infraestrutura iraniana.
De forma contundente e soberana, o Irã não se dobrou, respondendo que não havia confirmado sua participação no encontro e que seus representantes não se sentariam numa mesa de negociação sob “ameaça de violência”.
“A profunda desconfiança histórica do Irã em relação ao governo dos EUA persiste, enquanto os sinais contraditórios e pouco construtivos das autoridades norte-americanas enviam uma mensagem amarga: eles buscam a rendição do Irã”, disse o presidente Masoud Pezeshkian, em entrevista à emissora X. “Os iranianos não se submeterão à força”, asseverou.
A imprensa iraniana noticiou no fim de semana que a República Islâmica está modernizando e reabastecendo seus lançadores de mísseis e drones em um ritmo mais acelerado do que antes da guerra com os Estados Unidos e Israel, países que relatavam ter neutralizado a capacidade de ataque do Irã por meio de bombardeios.
TRUMP FEZ SETE DECLARAÇÕES FALSAS EM UMA HORA
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, salientou na última semana que Trump fez sete declarações falsas em apenas uma hora, identificando a ação como parte de uma campanha de desinformação e manipulação da opinião pública.
Ghalibaf repudiou as acusações de Trump sobre compromissos não cumpridos pelo Irã no Estreito de Ormuz e no programa nuclear, frisando que os EUA não venceram nenhuma guerra com mentiras e não obterão qualquer avanço nas negociações por essa via.
A República Islâmica defende seu direito ao uso pacífico do programa nuclear sem qualquer interferência externa e destaca a segurança das rotas marítimas estratégicas como prioridade, manifestando que nenhum recurso energético nacional estará sujeito a imposições estrangeiras.
“Em menos de nove meses, Washington atacou duas vezes a integridade do Irã, em meio a negociações, violando o direito internacional, causando o martírio de dignitários e cidadãos e danificando o patrimônio nacional”, apontou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, qualificando a conduta como deplorável.
Em função disso, registrou o porta-voz, é que “não temos planos para a próxima rodada de negociações, nem qualquer decisão foi tomada a esse respeito”, pois embora os EUA aleguem diplomacia e disposição não demonstram qualquer seriedade para um processo diplomático efetivo.











