“Podemos construir um país mais forte, capaz de resistir às perturbações que nos chegam do exterior”, acrescentou Carney ao denunciar ameaça de Trump de ocupar o Canadá
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que a dependência econômica excessiva do país em relação aos EUA ao longo da história passou a ser uma vulnerabilidade que exige correção e Ottawa deve agora adotar uma abordagem mais diversificada para o comércio internacional.
“Muitas das nossas antigas forças, baseadas na proximidade com os Estados Unidos, tornaram-se fraquezas. Fraquezas que temos de corrigir”, apontou Carney, nesta segunda-feira (20), num discurso em vídeo de cerca de dez minutos, alertando para a mudança no contexto internacional e em relação à política comercial norte-americana, e sublinhando que o aumento de tarifas pelos Estados Unidos atingiu níveis comparáveis aos da Grande Depressão.
Os Estados Unidos são o maior parceiro comercial do Canadá, representando 72% de suas exportações em 2025, de acordo com o Scotiabank. No entanto, as relações entre Ottawa e Washington azedaram visivelmente desde que Donald Trump assumiu o cargo em janeiro do ano passado, com o presidente dos EUA impondo pesadas tarifas ao país vizinho e referindo-se rotineiramente ao Canadá como “o 51º estado”.
O primeiro-ministro canadense, por sua vez, respondeu que seu país “nunca, jamais, de forma alguma, fará parte dos Estados Unidos”.
TARIFAS DOS EUA LEVARAM EMPRESAS A ADIAR INVESTIMENTOS
Segundo o primeiro-ministro, as tarifas impostas pela administração de Donald Trump afetaram trabalhadores dos setores de automóveis e siderúrgicos, enquanto a incerteza tem levado empresas a adiar investimentos.
Carney indicou ainda que pretende comunicar regularmente aos cidadãos os progressos na diversificação econômica, sublinhando a necessidade de reduzir a dependência de um único parceiro externo.
“A segurança não pode ser alcançada ignorando o óbvio ou minimizando as ameaças muito reais que nós, canadenses, enfrentamos”, afirmou. “Prometo-vos que nunca irei adoçar os nossos desafios”.
“Temos de cuidar de nós próprios porque não podemos depender de um parceiro estrangeiro”, afirmou. “Não podemos controlar as perturbações que vêm dos nossos vizinhos. Não podemos controlar o nosso futuro com a esperança de que a situação acabe de repente. Podemos controlar o que acontece aqui. Podemos construir um país mais forte, capaz de resistir às perturbações que nos chegam do exterior”, acrescentou Carney.
Os comentários do líder canadense surgem poucos dias depois de ter assegurado um governo majoritário na sequência de vitórias em eleições especiais estratégicas em Ontário e Quebec, e enquanto os conservadores da oposição o pressionam a apresentar um acordo comercial com os EUA.
No seu discurso, Carney afirmou que pretende atrair novos investimentos para o Canadá, duplicar a capacidade de produção de energia limpa e reduzir as barreiras comerciais no país. Também sublinhou o aumento das despesas do Canadá com a defesa, a redução dos impostos e os esforços para tornar a habitação mais acessível.
O primeiro-ministro canadense observou que esperar simplesmente que os “Estados Unidos voltem ao normal” não é uma estratégia viável.
“A esperança não é um plano e a nostalgia não é uma estratégia”, sublinhou, acrescentando que o seu país tem sido um “grande vizinho” dos EUA, apoiando os seus conflitos militares, nomeadamente no Afeganistão e nas duas guerras mundiais e isso deve acabar.
“Trata-se de retomar o controle da nossa segurança, das nossas fronteiras e do nosso futuro”, concluiu.











