No acumulado dos 12 meses até março, a transferência de recursos públicos para pagamento de juros atingiu R$ 1.080,4 trilhão
As despesas do setor público (União, Estados, municípios e estatais) no mês de março foram de R$ 118,9 bilhões, em comparação com o mês de março do ano passado (75,2 bilhões) houve um aumento geométrico de 58%. As mesmas despesas no acumulado dos 12 meses, encerrado em março, atingiram R$ 1.080,4 trilhão (8,35% do PIB), enquanto que no mesmo período encerrado em março de 2025 totalizaram R$ 935 bilhões (7,77% do PIB), um aumento desmedido de 15,5%.
Os dados foram divulgados pelo Banco Central na quinta-feira (30).
Não há nenhum segredo para que as despesas com juros cheguem a esses patamares, se não como reflexo das taxas básica de juros, a Selic, acima de dois dígitos, desde fevereiro de 2022 e a partir de junho de 2025 ao nível dos 15% ao ano.
O pequeno recuo da Selic em 0,25% decididos nas duas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em março e abril deste ano, ainda não teve maior impacto nas despesas com juros e mais a médio e longo prazo não terão repercussão mais expressiva, ao ser mantida a taxa acima de dois dígitos.
Como afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, “uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”.
No nível da Selic, agora em 14,5%, a remuneração básica da dívida pública permanece no patamar de 10% de juros reais, derrubando o investimento produtivo e o consumo das famílias.
Das 40 principais economias do mundo, conforme a consultoria MoneYou, 36 delas fazem a rolagem de suas dívidas com taxas básicas inferiores a 5% ao ano. A taxa média geral fica em 1,77% ao ano e oito países fazem essa rolagem a taxas de juros negativas, tornando o mercado financeiro no Brasil um verdadeiro “paraíso” para as aplicações no mercado financeiro do país.
No orçamento da União, para este ano de 2026, temos as seguintes previsões orçamentárias:
Ministério da Saúde : R$ 271,3 bilhões;
Ministério da Educação: R$ 233,7 bilhões;
Ministério do Desenvolvimento Social: R$ 3012,8 bilhões, com o Bolsa família em R$ 158,6 bilhões;
Ministério da Justiça e Segurança Pública: R$ 26,5 bilhões.
A soma total dos orçamentos desses quatro ministérios fecha em R$ 834,3 bilhões.
Com as despesas obrigatórias com o pagamento dos juros da dívida pública aumentando, a dívida pública atingiu 80,1% do PIB (R$10,4 trilhões) em março de 2026.
Se a despesas com juros em 12 meses chega a 1.080,4 trilhão ela supera em quase 30% a mais do que os quatro essenciais ministérios aqui considerados. Os números revelam por si só o estrangulamento que os juros estão impondo à nação.











