“É a última vez que você vai me ver”, Israel mantém diretor de hospital de Gaza em solitária

Dr. Abu Safiya corre risco de vida nas mãos de carrascos israelenses (Anistia Internacional de Portugal)

Dr. Hussam Abu Safiya, diretor de um dos maiores hospitais em funcionamento no norte de Gaza, foi sequestrado pelas forças de ocupação de Israel, no final de dezembro de 2024. Ele foi levado do Hospital Kamal Adwan em Beit Lahiya, que fica ao norte de Gaza, por ter se recusado a abandonar seus pacientes, durante a fase mais brutal da campanha de genocídio e da destruição sistemática do sistema de saúde palestino pelas forças israelenses, incluindo a invasão com tropas nos hospitais.

De acordo com ‘Physicians for Human Rights Israel’ (PHRI). Dr. Abu Safiya, depois de ficar detido por mais de um ano, sem a apresentação de acusação formal, foi transferido da prisão de Ketziot para a prisão Ramon, de segurança máxima, parte do complexo prisional israelense de Ganot e colocado em confinamento solitário.

A PHRI disse que visitou o Dr. Abu Safiya em 4 de junho e constataram que ele estava sendo mantido em uma cela minuscula, sozinho. Outros quatro médicos palestinos detidos por Israel relataram, no mês passado, a advogados da PHRI, durante visita à prisão de Ketziot, terem visto agentes da segurança israelense algemarem o Dr. Abu Safiya e retirá-lo da instalação.

O advogado, Nasser Odeh, e a PHRI, alertaram neste sábado que Dr. Abu Safiya está correndo risco imediato de vida, após um visita à prisão, o médico palestino visivelmente apresentou sinais de tortura, emagrecido pela fome, com ferimentos na cabeça, nos olhos, nas orelhas e no pescoço. Odeh relatou que os ferimentos o deixaram muito desfigurado e que teve dificuldade de reconhecer o médico naquele estado.

Na quinta-feira, Odeh disse que visitou o Dr. Abu Safiya em uma instalação clandestina de interrogatório de Rakefet, na Prisão de Nitzan. O médico chegou escoltado por guardas mascarados, algemado, não conseguindo respirar direito, sem conseguir se sentar direito e quase perdendo a consciência.

“Esta é a última vez que você vai me ver”, o médico disse ao advogado. “Eles me trouxeram aqui para me matar. Não me vejo sobrevivendo. Esse é o fim.”

Dr. Abu Safiya disse ao seu advogado que depois do recurso em 10 de junho na Suprema Corte de Israel, um grupo de guardas visitou sua cela em Ganot e o espancou com bastões e martelos. Depois de sua transferência em 24 de junho para a prisão de Rakefet, as sessões de tortura acontecem diariamente, sem receber tratamento médico, ele já foi espancado até perder várias vezes a consciência.

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