Plano é idade mínima de 67 anos e desvincular o piso previdenciário
Flávio Bolsonaro diz que não vai cortar nas aposentadorias, pensões e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), principais benefícios da Previdência Social. No entanto, muitas articulações que correm junto com a campanha e nos seus bastidores vão no sentido contrário, e que sim, Flávio faria esses cortes.
Dois diretores da Fundação Internacional para a Liberdade (FIL Brasil), entidade que tem como presidente de honra Paulo Guedes, ex-ministro de Jair Bolsonaro, participaram da elaboração do “Projeto Brasil de Amanhã” entregue ao candidato bolsonarista.
O plano é elevar a idade mínima de aposentadoria a 67 anos, desvincular o piso previdenciário do salário mínimo e revisar critérios do bolsa família, segundo reportagem do ICL Notícias.
São eles Alexandre Ywata e Anne Caroline Marciquevik Alves, que foram incorporados à campanha neste ano e integram a equipe econômica de Flávio.
A reforma da Previdência Social do governo Bolsonaro em 2019 subiu a idade mínima de aposentadoria para mulheres de 60 para 62 anos, mantendo a dos homens em 65 anos. A proposta, apresentada, nesse caso, seria elevar para ambos a idade para 67 anos. A perda na idade, entre outras em 2019, contaram com a aprovação e voto de Flávio no seu primeiro ano de mandato.
Alexandre Ywata foi anunciado oficialmente pela campanha em 21 de agosto como integrante do grupo responsável pela elaboração das propostas econômicas. Ex-secretário do Ministério da Economia de Paulo Guedes, ele também aparece no site da FIL Brasil como membro do Comitê de Economia e embaixador da instituição.
Anne Caroline Marciquevik Alves entrou na equipe técnica em julho, a convite de Daniella Marques, uma das responsáveis pela articulação econômica da candidatura. Ex-assessora especial do então ministro Paulo Guedes, ela também integra o Comitê de Economia da fundação.
A participação de Guedes na elaboração da agenda empresarial foi mencionada por Alfredo Cotait Neto, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), responsável pela entrega do “Projeto Brasil de Amanhã”.
Guedes e toda sua ex-equipe, inclusive, Ywata e Caroline, não fizeram maior estrago na reforma da Previdência em 2019 em razão da forte resistência da sociedade que conseguiu contê-los.
A principal delas foi a tentativa de mudar o atual regime de repartição pelo de capitalização. No primeiro, a arrecadação presente da previdência junto com outras fontes de recursos previstas na Constituição, garante os pagamentos dos segurados, a capitalização seria organizar um modelo em que cada trabalhador tem uma conta de poupança individual para financiar a própria aposentadoria geridas por instituições financeiras.
Esta última opção não garante um valor equivalente de aposentadoria na comparação com o regime de repartição, assim como, a vitaliciedade do benefício. Essa proposta, ainda não apareceu, mas quem acompanha as questões da previdência sabe que os gurus da economia de Flávio são a favor dessa capitalização.
O exemplo do Chile que adotou esse regime, gerou uma grave crise social e de bem-estar, não garantiu uma velhice digna. A grande maioria das pensões pagas pelas Administradoras de Fundos de Pensão (AFPs) ficou abaixo do salário mínimo local. Em média, as taxas de reposição – o percentual do último salário que o trabalhador recebe ao se aposentar – despencaram para patamares entre 30% e 40%, empobrecendo a população idosa.
Que ganha nesse regime é o sistema financeiro que se empanturra com o enorme volume de recurso que teria para fazer mais especulação financeira, até começar a pagar as primeiras aposentadorias depois de décadas.
Outro indicador de cortes na Previdência está no próprio montante, que a coordenação da equipe para economia da campanha de Flávio, está cogitando em fazer, algo de até R$ 300 bilhões.
O orçamento da Previdência Social previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025 é de R$ 972 bilhões, o que representa aproximadamente 16,47% do Orçamento Total da União de R$ 5,9 trilhões. É aí que há muito dinheiro envolvido, que junto com os orçamentos para saúde e educação, que poderiam cobrir uma sangria do porte de R$ 300 bilhões.
A defesa de mudanças nas aposentadorias também aparece entre empresários próximos à equipe econômica de Flávio. Walter Maciel, presidente da gestora AZ Quest e apoiador declarado do candidato, mantém interlocução com Daniella Marques e Adolfo Sachsida, responsáveis pela formulação das propostas econômicas de Flávio.
Como Flávio adota posicionamentos estritamente eleitorais para não perder votos populares, como fez no caso da extinção da jornada 6×1 – que os bolsonaristas já acenam com a derrubada na nova regra 5×2 -, todos os fatores trazem total insegurança sobre as reais intenções se o candidato fosse eleito.











