“Quase todo” o estoque de mísseis de longo alcance já foi usado pelos EUA, expôs a Reuters. Entrevero de Trump com Hegseth foi confirmado pelo Washington Post
Um dos três maiores jornais dos EUA, o Washington Post, afirmou que a escassez de mísseis do arsenal americano levou o presidente Donald Trump a entrar em choque com seu secretário de Guerra, Pete Hegseth, em razão do atoleiro na guerra contra o Irã, com o Estreito de Ormuz fechado e ele sendo forçado a declarar cancelado o que prometera ser “o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial”.
A alegação foi rechaçada pela Casa Branca e pelo Pentágono. Mas o Post, citando duas fontes, assevera que Trump reclamou de Hegeth de que teria sido “enganado” em reunião na sexta-feira (31), após descobrir que o estoque de mísseis guiados de longo alcance está em nível crítico e que não é muito diferente a disponibilidade de interceptadores Patriot. Até teve de retirar os marines mais cedo de Erbil (Iraque)
Na terça-feira (4), a agência de notícias Reuters repercutira a informação, provinda de três fontes diferentes do Pentágono, de que “quase todo” o arsenal de Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) e Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM) havia sido gastos na tentativa de evitar a certeira retaliação iraniana. Cada unidade custa mais de um milhão de dólares, segundo as fontes ouvidas pela agência, que não precisaram quantos mísseis ainda estariam disponíveis.
Também é preocupante – alguns dizem “alarmante” – o esgotamento dos sistemas de defesa antimíssil THAAD (Terminal High Altitude Area Defense), particularmente significativo para as forças americanas, visto que os ataques iranianos têm como alvo pessoal e posições americanas na região.
Uma situação ainda mais bizonha, na medida em que Trump vive repetindo que acabou com a força aérea iraniana, a marinha deles “está no fundo” e o Estreito “vai reabrir amanhã”.
Ainda segundo o jornal, Hegseth respondeu às cobranças empurrando a culpa para cima do seu vice no Pentágono, Stephen Feinberg, por não ter informado “adequadamente” o presidente sobre os estoques militares.
VAI QUE DÁ
Quanto à bronca de Trump para com Hegseth, o Post aventou que ele foi um dos principais entusiastas da ofensiva militar contra o Irã, garantindo que a guerra seria rápida e fácil. Já a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, garantiu que o artigo “é 100% notícia falsa” e Trump mantém “total confiança” no Secretário de Guerra.
No final de julho, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) informou que os EUA utilizaram tantos sistemas de defesa aérea na guerra contra o Irã que seus estoques de interceptadores Patriot agora somam menos de mil unidades (aproximadamente 759 a 827 peças), enquanto os mísseis para seus sistemas THAAD giram em torno de 250.
De acordo com essa fonte, antes do conflito, havia aproximadamente 2.330 mísseis Patriot e 452 interceptadores THAAD em estoque, o que significa que mais da metade de cada um deles teria sido utilizada.
TRUMP MANDA INVESTIGAR VAZAMENTO
Por sua vez o Wall Street Journal, informou que Trump ordenou uma “investigação” para determinar a origem do vazamento sobre a redução dos estoques de munição dos EUA no contexto do conflito com o Irã. Vazamento que, supostamente, teria fortalecido o Irã e prejudicado a “estratégia de Washington”.
Segundo o WSJ, a Casa Branca insiste que as Forças Armadas dos EUA mantêm poder de fogo e estoques de armas suficientes para realizar qualquer operação ordenada pelo presidente. Trump teria conversado com o Subsecretário de Defesa para revisar o estoque de munições do Pentágono. Ocorreram reuniões na semana passada para aumentar a produção de munições estratégicas.
RESERVA ESTRATÉGICA DE PETRÓLEO ESTÁ SECANDO
E como desgraça pouca é bobagem, segundo o dito popular, além da escassez de mísseis também está secando a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA, que Trump vem usando na tentativa de adiar a alta nas bombas de gasolina.
Segundo o Bank of America Global Research, a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA está no nível mais baixo desde 1983, deixando o país com suprimento de petróleo bruto para apenas 43 dias. Trump se comprometera a liberar 172 milhões de barris das reservas estratégicas em 120 dias, dos quais 108,6 milhões de barris já foram utilizados.
Como registrou o Hispan TV, embora sejam utilizadas para reduzir temporariamente os preços e compensar parte da escassez de suprimentos a curto prazo, o esgotamento da reserva estratégica reduz significativamente a capacidade de Washington de lidar com quaisquer choques adicionais, caso a guerra se prolongue ou outros fornecimentos sejam interrompidos.
Em 17 de junho, até o próprio Trump mostrou preocupação sobre a exaustão das reservas de combustível. Se a extração continuar nesse ritmo, advertiu, “nossas reservas acabarão em cerca de quatro semanas”, alertou.
Com as eleições se aproximando, Trump passou a acusar as principais companhias petrolíferas americanas, incluindo a ExxonMobil e a Chevron, de obterem lucros exorbitantes com a situação de guerra e pediu preços mais baixos para os consumidores nos postos de gasolina – pelo menos até novembro, claro.
Um parlamentar iraniano de alto escalão enfatizou que a abertura do Estreito de Ormuz depende do cumprimento, por parte dos EUA, das demais cláusulas do acordo de Islamabad.
Por essas e outras, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, passou a dar declarações quase diárias de que Ormuz vai reabrir, levando analistas a ironizarem a situação de que, do jeito que está, tem que ser guerra no final de semana, se durar muito a casa cai.
Ainda mais quando a sorte de Wall Street está dependendo da Bolha da Inteligência Artificial ser esticada um pouco mais e de que não haja uma enxurrada de notícias ruins na abertura do pregão na segunda-feira.










