Espanha e mais quatro países boicotam Festival da Eurovisão em repúdio a Israel na competição

Manifestantes em Viena denunciam genocídio perpetrado por Israel diante da sede do Eurovisão (Hannibal Hanschike-EFE-EPA)

Em repúdio ao genocídio em Gaza perpetrado pelo exército de ocupação israelense, Espanha, Irlanda, Eslovênia, Holanda e Islândia se retiraram do Festival Eurovisão da Canção 2026, no qual Israel compete. A 70ª edição do festival ocorreu em Viena, Áustria, nos dias 12, 14 e 16 de maio e o protesto também tem como alvo a conivência com o Estado de apartheid e racismo que ainda impera em vários círculos europeus.

Indo ainda mais longe, as emissoras públicas da Espanha (RTVE), Irlanda (RTÉ) e Eslovênia (RTV), deixaram de exibir o festival.

Em vez da Eurovisão, a RTVE espanhola exibiu um programa musical especial, “A Casa da Música”, enquanto a emissora eslovena RTV programou a série “Vozes da Palestina”. A irlandesa RTÉ substituiu o evento por uma sitcom e documentários.

SANÇÕES TARDIAS

Enquanto as agências de notícias mostram que os pogroms contra palestinos cometidos por bandidos supremacistas judeus estão se multiplicando na Cisjordânia ocupada, na segunda-feira (11) pela primeira vez uma reunião de ministros das Relações Exteriores da União Europeia aprovou um pacote de sanções contra três indivíduos e quatro gangues de colonos. Suas identidades ainda não foram divulgadas.

“Já era hora de sairmos do impasse e partirmos para a ação”, alegou a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas em uma publicação no X. “Extremismos e violência têm consequências”, acrescentou.

O chanceler israelense Gideon Saar chorou as pitangas pela plataforma X, acusando a UE optar “de forma arbitrária e política por impor sanções a cidadãos e entidades israelenses por causa de suas opiniões políticas e sem qualquer fundamento”.

Agora, pogrom é “opinião política”, segundo o despudorado.

POGROMS SE MULTIPLICAM NA CISJORDÂNIA OCUPADA

O Yesh Din, um grupo israelense de direitos humanos, afirmou que houve uma média de 10 ataques de colonos contra palestinos por dia desde o início de março. Ou seja, desde o início da guerra de agressão não provocada dos EUA-Israel contra o Irã.

As Nações Unidas condenaram na terça-feira (12) as crescentes operações militares israelenses e os ataques de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada, que deixaram 70 crianças palestinas mortas desde o início de 2025.

“As crianças estão pagando um preço intolerável pela escalada das operações militares e dos ataques de colonos em toda a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental”, disse a jornalistas o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), James Elder.

Desde janeiro de 2025, quando Israel iniciou uma operação militar na Cisjordânia, “ao menos uma criança palestina foi morta, em média, a cada semana”, afirmou. Outras 850 ficaram feridas nesse período. “A maioria dos mortos ou feridos foi atingida por munição real”, disse.

HIPOCRISIA COLONIALISTA

Embora – e com indisfarçável atraso – haja sancionado colonos sionistas e suas organizações, provavelmente em homenagem ao passado colonialista do bloco e encenar “imparcialidade” com os “violentos”, a UE também decretou sanções contra o Hamas, o movimento islâmico de resistência à ocupação e ao genocídio.

Basem Naim, dirigente do Hamas, criticou o que descreveu como a insistência da UE na hipocrisia política e racismo.

“Isso equipara um carrasco fascista que se vangloria de cometer genocídio e limpeza étnica, um Estado pária que viola todas as leis internacionais, à vítima que se defende de acordo com todas as leis e estatutos”, disse ele à Reuters.

PERSEGUIÇÃO AOS QUE RECHAÇAM O GENOCÍDIO

Na Europa, apesar do imenso desgaste do regime genocida na população, uma série de governos insiste em dar guarida à farsa de acusar como “antissemitismo” o que é legítimo repúdio ao genocídio e apartheid que Israel comete.

O governo de Keir Starmer – o mesmo que foi abalroado nas eleições locais na semana passada – classificou a entidade Ação Palestina como “organização terrorista” em julho de 2025, por terem invadido uma base da Força Aérea Real e uma fábrica israelense de armas na Inglaterra, pixando com tinta vermelha aviões de guerra e instalações industriais.

Em fevereiro passado, o Tribunal Superior de Londres considerou a proibição à Ação Palestina “desproporcional”, por punir com até seis meses de prisão qualquer expressão de apoio à entidade e até 14 anos de prisão para que for filiado ao grupo ou organizar atos de apoio. Mais de 3 mil simpatizantes foram presos durante manifestações em apoio ao movimento. O Ministério do Interior recorreu da decisão, e o tribunal de apelação deverá se pronunciar em breve.

No dia 5 de maio, quatro ativistas – Charlotte Head, Samuel Corner, Leona Kamio e Fatema Rajwani – foram condenados pela Justiça britânica por “vandalizar”, em 2024, a empresa bélica israelense Elbit Systems em Bristol. No primeiro julgamento, concluído no início de fevereiro, todos haviam sido absolvidos das acusações de roubo qualificado. A Elbit alegou ainda ter tido danos de 1 milhão de libras (R$ 7,1 milhões).

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *