Espanha exige da União Europeia o fim do acordo de parceria com Israel

Premiê Pedro Sánchez denuncia violações do Direito Internacional por Israel (AFP)

A Espanha solicitará formalmente à União Europeia (UE) o término do Acordo de Parceria Estratégica com Israel, que atenta contra os Direitos Humanos, anunciou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

A proposta será apresentada na próxima terça-feira (21), durante a reunião dos ministros das Relações Exteriores da UE, em Luxemburgo, como repúdio às contínuas violações do direito internacional cometidas pelo governo genocida de Benjamin Netanyahu.

Durante um comício na Andaluzia, Sánchez afirmou que um governo que viola os princípios e valores da UE não pode ser um parceiro estratégico do bloco, e o líder espanhol instou os demais Estados-membros a apoiarem a iniciativa, esclarecendo que a medida é dirigida contra as ações do Executivo israelense e não contra seu povo.

O presidente descreveu a guerra EUA-Israel contra o Irã como um “grande erro” que resultou em milhares de mortes, milhões de deslocados e enormes prejuízos econômicos. Sánchez exigiu também o fim das hostilidades e a renúncia de Netanyahu. Após a revisão do acordo iniciada em 2024, que inclui cláusulas vinculativas sobre o respeito aos direitos humanos, a Espanha, juntamente com a Irlanda e a Eslovênia, lideram essa iniciativa.

OS CUSTOS DA GUERRA TAMBÉM AFETAM A POPULAÇÃO ESPANHOLA

Segundo Sánchez, os custos também afetam diretamente a população espanhola. Ele afirmou que a situação atinge o bolso das pessoas mais simples do país.

As tensões diplomáticas aumentaram recentemente após a decisão de Israel de proibir a entrada de representantes espanhóis no Centro de Coordenação Civil-Militar (CMCC) para monitorar o cessar-fogo em Gaza. O governo israelense justificou a medida alegando um “viés anti-Israel” por parte de Madri e por conta das críticas da Espanha à ofensiva assassina na Faixa de Gaza.  E não é por menos, segundo dados de Fontes médicas daquela região apresentados nesta segunda-feira (20), em decorrência da agressão israelense o número de mortos desde 7 de outubro de 2023 subiu para 72.553, enquanto outras 172.296 pessoas ficaram feridas.

Há um mês, Madri trouxe de volta sua embaixadora em Israel, Ana María Salomón Pérez, reduzindo sua representação diplomática ao nível de encarregado de negócios, cargo também ocupado pela embaixada israelense na capital espanhola.

Em maio de 2025, a Comissão Europeia admitiu ter encontrado “indícios” de violações dos direitos humanos por parte de Israel; contudo, o órgão executivo do bloco não propôs até a data quaisquer medidas concretas, situação que a Espanha procura inverter com um pedido formal de rescisão do acordo de livre comércio e dos benefícios associados.

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