Espriella quer destruir plantios de coca de concorrentes dos seus clientes narco

Abelardo de la Espriella, advogado de narcotraficantes, milicianos, estelionatários e estupradores (LT)

Recém-eleito presidente da Colômbia, a marionete de Trump afirmou que centenas de milhares de hectares de coca serão atingidos por veneno condenado pela Organização Mundial da Saúde. Advogado dos principais narcotraficantes do país, admitiu que buscará “apoio dos EUA e de Israel”

O fascista Abelardo de la Espriella, advogado dos principais narcotraficantes da Colômbia, anunciou que assumirá a presidência do país em agosto bombardeando milhares de hectares de plantações ilegais de coca com veneno vetado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a ação, como já havia sido divulgado, buscará “o apoio dos governos dos Estados Unidos e de Israel”.

Na prática, a marionete de Trump tenta reforçar a propaganda de “defender a segurança pública e linha dura”, enquanto persegue os cartéis de drogas que fazem concorrência aos seus interesses. Um negócio altamente lucrativo e promissor, pois passará a contar agora com a estrutura do Estado. Setores da oposição sustentam que a pretensa “ofensiva militar” pode vir a ser empregada de forma seletiva – beneficiando exclusivamente estruturas criminosas rivais de seus aliados políticos e econômicos.

“No dia 8 de agosto, darei a ordem de começar a fumigar os mais de 330.000 hectares de coca, que são a origem de todas as formas de violência. E vou dar a ordem de bombardear todos os acampamentos narcoterroristas, utilizando a tecnologia disponível para evitar o menor impacto possível na população civil, mas os bombardeios voltarão”, afirmou De la Espriella.

O “menor impacto possível” a que se refere o fascista despreza que a fumigação aérea com glifosato foi suspensa há mais de uma década após uma série de estudos da OMS comprovarem que “o herbicida utilizado provoca câncer e problemas na formação em bebês”. Além do irreversível dano à saúde, vários outros estudos científicos apontam que plantações legais, de pequenos agricultores, também sofriam com os terríveis efeitos.

VASSALO DE WASHINGTON

Deixando claro a que veio, o vassalo de Washington disse que também determinará “aos comandantes da Força Aérea, do Exército e da Polícia para abaterem toda aeronave carregada de drogas que sair da Colômbia”. “Além disso, darei a ordem de afundar todas as lanchas que saírem pelo Caribe, pelo Pacífico e pelo Golfo de Urabá”, acrescentou. As sete bases militares que o governo Petro não conseguiu desmantelar em função de acordos assinados anteriormente por governos submissos aos EUA darão o suporte logístico para sustentar o descalabro.

Para vencer com uma estreita margem de votos – inferior a 1% de votos – o candidato do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida, Iván Cepeda, De la Espriella contou com o apoio do facínora Álvaro Uribe, que rifou sua candidata Paloma Valencia.

“Estamos confiantes de que o doutor De la Espriella liderará um governo de recuperação democrática que beneficie todos os colombianos. Não podemos permitir mais manobras do Petro-chavismo”, afirmou Uribe, que presidiu o país entre 2002 e 2010. O período ficou conhecido pela prática dos “falsos positivos”, quando jovens das periferias eram levados supostamente para trabalhar nas zonas rurais, vestidos de guerrilheiros e assassinados. Voltavam às cidades como triunfo do Exército “contra a guerrilha”.

Condenado em primeira instância a 12 anos de prisão domiciliar em agosto de 2025 por suborno de testemunhas e fraude processual, Uribe conseguiu em outubro que o Tribunal Superior de Bogotá – tomado pela máfia – revertesse a decisão e o absolvesse. O processo encontra-se atualmente na fase de recurso de cassação na Corte Suprema.

Em junho de 2026, a Procuradoria-Geral da Colômbia abriu uma nova investigação contra Uribe por sua participação na formação de grupos paramilitares, dois massacres no departamento de Antióquia e o assassinato de um defensor dos direitos humanos na década de 1990. Como a “Justiça” no país encontra-se corrompida pela oligarquia, mesmo a candidatura de De la Espriella, que tem nacionalidade estadunidense, foi liberada.

URIBE BENEFICIOU TRAFICANTES DE MÚLTIPLAS FORMAS

As investigações apontam que, durante sua passagem pela Autoridade de Aviação Civil (1980–1982), Álvaro Uribe emitiu inúmeras licenças de voo para beneficiar aeronaves utilizadas no tráfico de drogas.

Um documento desclassificado da Agência de Inteligência de Defesa (Defense Intelligence Agency) dos EUA, datado de 1991, colocou Uribe na lista de indivíduos ligados ao narcotráfico, o descrevendo como um senador que colaborava com o Cartel de Medellín e era amigo de Pablo Escobar até ser morto em 1994. O relatório do Pentágono foi obtido pela ONG The National Security Archive e estava embargado para divulgação até agosto de 2004, quando foi publicado pela Newsweek.

Documentos do Arquivo de Segurança Nacional (NSA) dos EUA revelam que os vínculos de Uribe com paramilitares e narcotraficantes eram de conhecimento do governo norte-americano, que optou por protegê-lo. “Essa proteção facilitou a captura do Estado e a espoliação do povo colombiano. Diversos estudos, arquivos desclassificados, investigações e depoimentos judiciais examinaram a trajetória complexa e nebulosa do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) – um mandato marcado por inúmeras denúncias sobre suas conexões com paramilitares, narcotraficantes, militares corruptos e redes criminosas”, condenou o NSA.

A análise de documentos do Arquivo de Segurança Nacional e de relatórios oficiais evidencia que as relações criminosas de Uribe com os paramilitares e narcotraficantes eram conhecidas nos mais altos círculos de poder dos Estados Unido, onde, por razões estratégicas, decidiu-se apoiá-lo e garantir sua impunidade.

As evidências tornadas públicas pelo NSA indicam um padrão de cumplicidade que inclui “vínculos orgânicos com grupos paramilitares responsáveis ​​por massacres e deslocamentos forçados; financiamento de campanha com recursos provenientes do narcotráfico e de controle territorial armado e alianças com facções corruptas das forças armadas e policiais que estabeleceram estruturas clandestinas para assassinatos seletivos e perseguição política”.

Seu projeto de “segurança democrática”, descreveu o NSA, “consolidou um arcabouço jurídico que blindava a impunidade, ao mesmo tempo em que favorecia elites econômicas e atores criminosos”.

O uribismo passa a ser agora a principal base de sustentação de De la Espriella.

LEONARDO WEXELL SEVERO

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