Os EUA bombardearam o sul do Irã na madrugada de quarta-feira (8), rompendo o memorando de cessar-fogo em vigor, sob o pretexto de que três navios mercantes em Ormuz teriam sido atacados, enquanto na cúpula da OTAN, em Ancara, na Turquia, o presidente Donald Trump dizia a repórteres que, por ele, “o acordo acabou”, além de proferir insultos contra os iranianos, que chamou de “escória” e “doentes”.
O ataque não provocado, como o classificou a chancelaria iraniana, atingiu instalações na Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano, bem como Bandar Abbas e outras áreas portuárias. Oito militares iranianos foram mortos nos ataques.
Teerã já respondeu à agressão, com ataques a 85 alvos em bases dos EUA no Kuwait e em Bahrein. O Irã advertiu ainda que, se os EUA voltarem a atacar, irá fechar o Estreito de Ormuz.
A provocação americana ocorre em meio ao funeral do líder assassinado pela agressão americano-israelense, aiatolá Ali Khamenei, que vem reunindo milhões no Irã e que irá se concluir nesta quinta-feira.
O presidente do parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Qalibaf, acusou os EUA de cometerem violações “graves” do acordo inicial de cessar-fogo entre as duas partes, conhecido como o memorando de entendimento de Islamabad, e afirmou:
“A era da intimidação e da extorsão acabou. Não vamos ceder”.
Além disso, o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Qaribabadi, esclareceu que “as declarações de Trump hoje, que vão desde insultos à nação iraniana até ameaças de novos ataques, não são uma demonstração de força, mas sim uma admissão do fracasso de uma política baseada durante anos na força bruta, em sanções e ameaças, que não conseguiu quebrar o povo iraniano”.
“Com o criminoso e assassino Trump, temos que falar a língua dele; aparentemente, ele entende melhor a linguagem da força”, enfatizou o vice-chanceler.
Horas antes do ataque americano, em outra violação do memorando o Departamento do Tesouro reinstaurara as sanções contra as exportações do petróleo iraniano, que haviam sido suspensas como parte da trégua de 60 dias.
Os ataques provocaram nova alta no preço do barril do petróleo, para quase US$ 80, e fizeram as bolsas despencarem no mundo inteiro. Mas provavelmente algum amigo de Trump bem informado fez uma ‘matança’ na bolsa de apostas Polymarket, de seu filho Donald Jr, como ironizou o governador de Minnesota nas redes sociais.
Chamou também a atenção a gaffe de Trump durante outra coletiva de imprensa, quando se referiu ao Irã como “República Islâmica do Japão”, levando a chacotas sobre “imagine se fosse o Biden”.
ORMUZ
À Press TV, uma fonte de segurança bem informada revelou que, em caso de qualquer novo ataque americano, o Irã responderá com força esmagadora. Duas medidas serão tomadas imediatamente: primeiro, o Estreito de Ormuz será completamente fechado ao tráfego marítimo; e segundo, o Irã atacará alvos inimigos numa proporção mínima de dois para um, o que significa que para cada alvo iraniano atingido, pelo menos dois alvos inimigos serão atacados em retaliação.
“O memorando de entendimento assinado sobre este assunto afirma claramente que o Irã reabrirá o Estreito de Ormuz de acordo com seus próprios mecanismos. Portanto, o Irã não permitirá o estabelecimento de nenhuma nova rota fora da estrutura definida por seus próprios mecanismos”, declarou a fonte.
Em resposta às recentes ameaças feitas na quarta-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de atacar o Irã novamente esta noite, a fonte enviou uma mensagem contundente a Washington, declarando que “qualquer ameaça será respondida com firmeza. O Irã não faz distinção entre os Estados Unidos e seus parceiros na região”.
“Trump não ganhará nada com essas ameaças recentes, mas sem dúvida perderá tanto o Estreito de Ormuz quanto as negociações para um acordo final. A decisão agora está em suas mãos”, enfatizou.











