Não podia ser mais explícito. “Minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo”, disse o criminoso. PGR vetou plano sinistro
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou, num depoimento sem a presença da Polícia Federal, no gabinete do ministro André Mendonça, na última semana de agosto, que sua proposta de delação visava apenas integrantes do atual governo. Não podia ser mais clara a senha do criminoso a Mendonça. Proteger Flávio Bolsonaro e atacar o governo Lula.
Ele regou as contas no exterior de Flávio e Eduardo Bolsonaro com a soma escandalosa de R$ 65 milhões, de dinheiro que ele roubou do BRB, de servidores e aposentados com o golpe de seu banco, e disse que, sobre isso, não teria nada a dizer. O banqueiro ladrão não podia ser mais explícito ao deixar claro que estava tentando proteger o esquema criminoso com Flávio e sinalizando seu lado político.
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, disse o banqueiro.
Ele afirmou que entendeu a prisão dele como uma intimidação. “Desde que eu fui preso… Na verdade, a minha prisão, no meu entendimento, ela já foi uma intimidação para que eu não externasse os fatos que eu desejava falar desde o começo dessa operação”, disse Vorcaro. As informações foram reveladas pelo jornal o Estado de S. Paulo.
No depoimento, o banqueiro ainda afirmou que teria desistido de seguir com a delação por se sentir ameaçado pelo que ele chamou de “pessoas do poder”, que, segundo ele, o querem ver preso. O candidato fascista, Flávio Bolsonaro, que foi flagrado pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro ladrão, é totalmente protegido por ele em seu depoimento.
Vorcaro defendeu ainda a negociata da venda do Banco Master para o BRB e afirmou que seria um negócio “benéfico”. “[…] a própria fusão e negócio com o BRB, que eu espero muito ter a oportunidade de falar o que efetivamente aconteceu e o tanto que seria benéfico se houvesse sido feita a fusão e a integração dos dois bancos.
Nesta quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento de denúncias feitas por Daniel Vorcaro e afirmou que o banqueiro não apresentou provas durante o depoimento.
“[…] constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas”, diz a PGR. Sem apresentar provas, Vorcaro fez leituras pessoais e desconectadas do devido processo legal até mesmo de sua prisão.
Diante da estranheza da conversa ocorrida no gabinete de Mendonça, seus assessores divulgaram uma nota explicando o “depoimento”. “O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”, diz o gabinete do ministro.
André Mendonça é relator do processo envolvendo o caso Master no STF. O depoimento foi prestado a um juiz auxiliar que acompanha o caso, do ministro após um pedido dos advogados do ex-dono do Banco Master. Mendonça abriu uma crise no STF ao atropelar as regras da casa e atacar ministros da Corte, o chefe da Polícia Federal e o Procurador-Geral da República.










