“Fidel pertence a toda a humanidade”, afirma Díaz-Canel no centenário do gigante cubano

Fidel líder da libertação de Cuba (RC)

“Fidel pertence a toda a humanidade”, afirmou em manchete o jornal Granma, nesta quinta-feira (13), celebrando o centenário do nascimento do gigante que encabeçou a revolução em Cuba a 90 milhas de Miami, personagem essencial da saga da libertação de Angola e do fim do apartheid na África do Sul, campeão da solidariedade aos povos da Maioria Global e da unidade latino-americana. E, quando da hora amarga da vitória temporária do neoliberalismo, empreendeu um incansável trabalho de formulação, vislumbrando caminhos para a prevalência da soberania, igualdade, liberdade e justiça, e contra todos os prognósticos de Washington, manteve Cuba liberta.

O centenário foi comemorado no Teatro Karl Marx, com a presença do presidente cubano Miguel Díaz-Canel, do ex-presidente e irmão de Fidel, Raúl Castro, do comandante do Exército Rebelde, José Ramón Machado Ventura, de lideranças do partido, do governo e dos mais diversos setores da vida nacional – juventude, mulheres, trabalhadores, cientistas e esportistas – e convidados.

“É o centenário de um guerreiro, um rebelde, um lutador, um homem justo de Cuba, África, Ásia, América Latina e Caribe. Um homem justo pela humanidade”, afirmou Díaz-Canel.

“Fidel não é apenas de Cuba. Fidel pertence a todos os revolucionários do mundo que admiram seu trabalho e compartilham suas ideias. Fidel pertence a toda a humanidade”, afirmou o Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido.

“Ser fidelista não é professar fé cega. É uma atitude honrosa perante a vida. Ser fidelista significa definir-se como um combatente anti-imperialista permanente contra todas as injustiças do mundo. E celebrar a eternidade do Comandante-em-Chefe significa, antes de tudo, derrotar mais uma vez aqueles que tentaram assassiná-lo mais de 600 vezes e só conseguiram engrandecer a sua figura.”

O SOLDADO DAS IDEIAS

“O soldado das ideias está de volta de uma forma que deveria aterrorizar seus adversários. Centenas, milhares de pessoas de todas as idades e crenças, de quase todos os cantos do mundo, estão expandindo seu legado, não apenas para aliviar a nostalgia natural por sua ausência, que também sentimos e que faz parte das fortes emoções que compartilhamos, mas sobretudo para trilhar novos caminhos na batalha pelo futuro: sem se render, sem se vender, sem se submeter à voracidade do império decadente que age sem qualquer respeito por outra lei senão a da pilhagem e da ganância. Fidel vive! Viva Fidel!”

“Aprofundamos-nos na ideologia de um incansável explorador da história e da condição humana, que se inspirou no melhor e no mais útil do pensamento universal com excepcional acuidade e se distinguiu por uma ética que, como um colete moral imbatível contra o qual os piores ataques de seus inimigos se chocaram, o consagrou perante a história como um paradigma do autêntico revolucionário no mais alto nível da espécie humana.”

“Sei que você concordará comigo: teremos muitos outros aniversários pela frente para celebrar suas ideias.”

“Pelo que os médicos e professores relataram, pelo que os cientistas e líderes religiosos argumentaram, pelo que os artistas e intelectuais apontaram, pelo que os atletas e combatentes expressaram, pelo que os diplomatas e parlamentares revelaram e pelo que os jovens confirmaram, posso afirmar que sentimos Fidel muito vivo em cada espaço deste Colóquio. Vimos ele multiplicado em cada um de vocês.”

“Fidel se fez sentir especialmente presente no Fórum da Juventude. Como lhes disse depois de ouvirem seus discursos, a maioria demonstrou uma maturidade impressionante, sem dúvida em parte devido à própria complexidade das sociedades capitalistas alienantes em que tiveram que viver.”

“Mas, acima de tudo, pelas suas respostas ponderadas sobre as causas dos problemas e pela forma como assumem a sua militância e a expressam, defendendo-a com orgulho, apesar dos riscos e ameaças que enfrentam por participarem na celebração do centenário de Fidel em Cuba em tempos como os atuais, em que as práticas macarthistas da Guerra Fria regressam.”

“Disse-lhes com toda a sinceridade que, sem eles, o Colóquio não teria feito muito sentido. Quem melhor do que os jovens para compreender o legado humanista e revolucionário de Fidel? Ele próprio lhes disse isso, e cito: ‘Lutas maiores e atos de heroísmo ainda serão exigidos das novas gerações. O futuro está repleto de tarefas, o futuro está repleto de lutas que exigem consciência, que exigem coragem e que exigem espíritos revolucionários.’”

SEMPRE PRÓXIMO DOS JOVENS

“Quando falei com eles, pensei em Fidel, sempre próximo dos jovens, a quem constantemente confiava as tarefas mais importantes.”

“Com base em sua própria experiência, ele sabia que a juventude é a fase mais apaixonadamente revolucionária da vida. Ele pensava em Fidel como um estudante de direito, que também se matriculou em Ciências Sociais como parte de suas preocupações políticas e que sempre reconheceu que se tornou um revolucionário na universidade.”

“Eu estava pensando no jovem Fidel que se juntou à expedição a Cayo Confites para ser apenas mais um soldado lutando contra a ditadura de Trujillo, que estava ensanguentando a vizinha República Dominicana. E no líder estudantil que conheceu o líder colombiano Jorge Eliécer Gaitán e testemunhou a turbulência do Bogotazo.”

“No militante da ortodoxia que dignificou o jornalismo transformando-o em denúncia pública e acabou escolhendo o caminho da luta armada quando o golpe de Batista fechou todas as saídas constitucionais.”

“Por isso não hesitei em reconhecê-los e nomeá-los como a geração centenária de Fidel.”

“E eles não estão sozinhos. Hoje também reconhecemos os amigos que dedicaram suas vidas à causa da defesa de Cuba. As gerações mais jovens podem reconhecer sua experiência e admirar sua dedicação a essa luta. O movimento internacional por Cuba e por causas justas conta com os nomes de homens e mulheres incansáveis ​​em todos os continentes.”

“É urgente articular e unir todas as forças e nos armar com ideias progressistas, emancipatórias e socialistas, sem medo de palavras, que é o que os inimigos do povo pretendem usar para nos paralisar no momento em que a mobilização significa salvação.”

RESSURGIMENTO DO FASCISMO NO MUNDO

“O ressurgimento do fascismo no mundo está impondo uma guerra ideológica ao Sul Global que, em suas dimensões cultural e midiática, insiste em reforçar o capitalismo como destino hegemônico, subordinado à lógica imperialista. Estão tentando apagar a memória histórica, nos descolonizar culturalmente e destruir nossas identidades.”

“Ao mesmo tempo, e com os mesmos objetivos, trava-se uma guerra midiática com suas campanhas de desinformação e envenenamento, dirigidas contra os valores humanos mais básicos, como se fossem obsoletos, a fim de justificar guerras e agressões como incompatíveis com o direito internacional, como o genocídio em Gaza, a agressão contra o Irã ou o bloqueio energético de Cuba.”

“Exatamente dez anos e um dia atrás, em 12 de agosto de 2016, Fidel publicou uma de suas conhecidas Reflexões na véspera daquele que seria seu último aniversário fisicamente entre nós.”

“Nesse texto, que hoje adquire renovada relevância – e peço aos mais curiosos que o leiam –, emerge agora, de modo especial, a memória poderosa e sensível do homem que, prestes a completar 90 anos, recorda a infância, o pai espanhol emigrante e Birán, a fazenda da família onde aprendeu a amar a natureza e a nutrir-se com as primeiras luzes do mundo moral da ética cubana, bebendo da história da pátria, já então repleta de autênticas epopeias heroicas.”

“Encontramos também o Fidel de infinita curiosidade, muito atento aos avanços da ciência e em constante preocupação com o destino da espécie humana, mas também e sempre um vigilante incansável, um crítico justo e severo do poderoso vizinho, a quem nunca deixou de desafiar publicamente, mesmo contra a corrente, expondo lacaios e traidores.”

TRÊS PRINCÍPIOS INEGOCIÁVEIS

“Quando o regime fascista dos EUA intensifica o genocídio contra o nosso povo, prejudicando o bem-estar e a qualidade de vida de todas as formas, Fidel continua sendo a chave que mostra que existe uma saída, por mais difíceis que sejam as circunstâncias e por mais que o cerco se aperte.”

“Com Fidel aprendemos que devemos sempre defender três princípios inegociáveis, e eu os cito: a independência do país, a Revolução e os valores e conquistas que o socialismo representa.”

“Partindo dessa premissa, empreendemos um desafiador processo de transformações econômicas e sociais, priorizando o bem-estar do povo e a justiça social que ele tão veementemente defendeu.”

“Como disse na abertura do Colóquio, a presença de tantas pessoas em Cuba, cercadas, bloqueadas, acusadas pelo império de impedir que seu exemplo inspire rebeldes de todo o mundo, nos permite evocar a memória de Fidel Castro Ruz em seu primeiro centenário.”

“Povos solidários do mundo, vocês são a força complementar da heroica resistência do povo cubano, forjada naquilo que o General do Exército Raúl Castro definiu como o ensinamento permanente de Fidel, e eu cito: ‘Aquele homem é capaz de superar as condições mais duras se a sua vontade de vencer não vacilar; se ele fizer uma avaliação correta de cada situação e não renunciar aos seus princípios justos e nobres.'”

“Obrigado por estarem aqui e por se juntarem a nós nesta celebração inesquecível.”

O POVO DE FIDEL

“Fidel está presente em cada profissional médico cubano que salva uma vida, muitas vezes sem sequer ter o medicamento necessário. Nos educadores que nunca abandonam as salas de aula, seja na cidade ou nas montanhas.”

“Nos milhões de trabalhadores que, apesar das dolorosas limitações de recursos essenciais impostas pelo bloqueio, chegam aos seus postos de trabalho todos os dias. Em cada combatente que está disposto a dar a vida pela Pátria e pelo socialismo.”

“Quando os historiadores do futuro olharem para o passado e pensarem em Fidel Castro Ruz, o Comandante-em-Chefe, não verão apenas um homem. Verão seu povo e milhões de pessoas que, inspiradas por sua vida exemplar, conquistaram um lugar na história ao confrontar, sem se render, o império mais poderoso e criminoso, e vencer.”

“FIDEL: LEGADO E FUTURO”

Na segunda-feira (10), realizou-se no Palácio das Convenções de Havana a abertura do 1º Colóquio Internacional «Fidel: Legado e Futuro».  Mais de mil historiadores, pesquisadores, acadêmicos, líderes sociais, políticos, diplomatas, jornalistas, estudantes e amigos de Cuba de mais de 60 países participam de quatro dias de debates que abordam a importância do legado de Fidel, e sua projeção diante dos desafios do presente e do futuro.

Realizou-se, ainda, o lançamento das Obras Escolhidas de Fidel, em 23 volumes. Como parte das comemorações, está acontecendo também a 34ª Feira Internacional do Livro de Havana. O colóquio se estenderá até 15 de agosto e abordará, por meio de painéis e conferências, diferentes fases da vida de Fidel Castro, bem como sua obra e legado. A Feira Internacional do Livro continua até 16 de agosto.

A série de homenagens a Fidel que está ocorrendo em Cuba conta com a presença de representantes de países amigos, partidos progressistas e movimentos de solidariedade, neste momento em o regime Trump desencadeia contra a Ilha da revolução um agravamento sem precedentes do bloqueio, a ponto de, contra toda a legislação internacional, proibir o fornecimento de petróleo, com seu corolário de apagões, paralisação da produção, escassez generalizada e deterioração do atendimento à saúde e do sistema educacional, já descrito por relatores da ONU como uma tentativa de tornar Cuba “uma Gaza silenciosa”.

OBRIGADO POR ESTAREM AQUI

No discurso de abertura do 1º Colóquio Internacional «Fidel: Legado e Futuro», o presidente Díaz-Canel agradeceu especialmente aos presentes por superarem as distâncias, as campanhas de desinformação e a pressão imperialista.

Presença que descreveu como um ato de coragem e coerência, “porque visitar Cuba hoje, em meio à intensificação do bloqueio que gera tantas calamidades entre os cubanos, é um gesto inestimável de solidariedade que honra o legado de Fidel Castro”.

O presidente afirmou que estudar a dialética do pensamento do herói nacional José Martí e de Fidel é uma necessidade  imperativa para aqueles que promovem transformações econômicas e sociais, “que irão deter o processo atroz ao qual a Revolução Cubana está sendo submetida, como parte de uma guerra criminosa que já dura mais de sessenta anos”.

“Salvar a Revolução Cubana de uma das maiores ameaças que ela enfrentou nestes 65 anos e de agressões de todos os tipos é o maior desafio da nossa geração”, acrescentou.

A este respeito, Díaz-Canel enfatizou que atualmente o governo está empenhado em fortalecer a unidade do povo e romper qualquer cerco  que procure sufocar a nação, e reconheceu que a homenagem a Fidel significa manter a resistência e a vontade de não se render ao império mais poderoso do mundo.

“A resposta do povo, sob a liderança do Partido Comunista de Cuba, tem sido uma resistência firme e criativa, unidade, defesa das conquistas e atualização do modelo econômico e social, sem jamais abrir mão dos princípios do socialismo e sem ceder à pressão ou à chantagem. Para  alcançar isso, estamos implementando uma série de transformações econômicas e sociais. Essa capacidade de resistir e transformar está mais firmemente enraizada do que nunca no pensamento e nas ações do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz”, assinalou.

“Não estou exagerando ao dizer que este colóquio está sendo realizado em um dos momentos mais difíceis que a Revolução já enfrentou, mas não estamos aqui para nos entregarmos à nostalgia. Estamos aqui porque o pensamento de Fidel Castro continua sendo a bússola mais precisa que temos para navegar na tempestade que o povo cubano está atravessando! E a tempestade é real; nosso povo a vive todos os dias: nos apagões que interrompem a vida familiar, a jornada de trabalho e o aprendizado de nossas crianças e jovens; na inflação que corrói o poder de compra dos salários; na escassez de combustível que paralisa a economia e o transporte; nas dificuldades para arcar com as necessidades básicas; na emigração que arranca nossos jovens de nossas famílias. Não estamos aqui para negar essa realidade, mas para compreendê-la em sua verdadeira dimensão e encontrar no pensamento de Fidel as chaves para transformá-la”, apontou.

No link abaixo, confira o discurso do presidente cubano na abertura do Colóquio na íntegra.

https://pt.granma.cu/cuba/2026-08-11/o-legado-de-fidel-nos-desafia-hoje-com-mais-forca-do-que-nunca

PC do B: AMPLIAR A SOLIDARIEDADE

“A contribuição de Fidel sobre soberania, unidade latino-americana e paz mundial encontra tradução em uma consigna que o PCdoB assume publicamente: a defesa de Cuba é a defesa da soberania e da paz na América Latina. Se a soberania puder ser suprimida em Cuba, estará suprimida em toda parte, cada nação do Sul passará a existir apenas na medida em que obedecer ao império e nossa região mergulhará em conflitos ainda mais agudos”, afirma a contribuição do Partido Comunista do Brasil ao Colóquio sobre os 100 anos de nascimento de  Fidel Castro, que foi entregue em Havana pela Secretária de Relações Internacionais do PCdoB, Ana Prestes, aos organizadores do evento e ao Partido Comunista de Cuba.

“É preciso construir uma coalizão ampla e explícita de Estados em defesa de Cuba, com o protagonismo dos países latino-americanos ciosos de sua soberania — Brasil, México, Uruguai, entre outros — articulada com o conjunto do Sul Global. As votações esmagadoras na Assembleia Geral da ONU, ano após ano condenando o bloqueio, demonstram que essa base política existe; falta convertê-la em ação coordenada. Como advertiu o presidente chinês, Xi Jinping, o mundo corre o risco de regredir à lei da selva. Ou detemos a escalada imperialista, ou a lei da selva se universaliza, e não haverá região do planeta que escape desse dilema”, considera.

“Companheiras e companheiros, homenagem sem compromisso é apenas cortesia. Deixamos aqui, portanto, o que os comunistas brasileiros se comprometem a fazer: Ampliar a solidariedade material e organizada, nas caravanas e nas campanhas por combustível, alimentos e medicamentos. Pressionar sem tréguas, no governo, no parlamento e nas ruas, pelo fim imediato e incondicional de todas as medidas coercitivas unilaterais. Disputar a comunicação, porque a verdade sobre Cuba precisa ser dita todos os dias, em linguagem popular. Estudar e ensinar Fidel na formação de nossos quadros. E derrotar, em nosso próprio país, o neofascismo que se oferece como capataz do imperialismo, porque, no Brasil, não há solidariedade eficaz a Cuba sem soberania nacional”, conclui.

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