Às vésperas da reunião do Copom, rentistas mantêm pressão contra redução dos juros
As instituições financeiras consultadas semanalmente pelo Banco Central (BC) elevaram a projeção para a taxa básica da economia (Selic) ao final deste ano, de 13,50% para 13,75%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (15). Esse é o segundo aumento consecutivo do ponto médio das estimativas de juros pelos bancos, que têm o objetivo de forçar o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a interromper o ciclo de cortes na taxa nominal e capitanear uma nova escalada dos juros já em agosto.
Os rentistas alegam “incertezas” com o preço do petróleo, dos alimentos e até sobre as medidas do governo Lula para estimular a demanda e a produção brasileira. Vale qualquer coisa como pretexto para que não se impeça o cartel dos bancos de continuar arrancando a pele do brasileiro com juros estratosféricos. O que interessa são seus superlucros.
O Copom se reúne na terça e quarta-feira (17 e 18) desta semana para definir os rumos da Selic, após ter realizado apenas dois corte a conta-gotas de 0,25 p.p. na taxa, entre 18 de março e 29 de abril deste ano, fixando os juros base em 14,50% ao ano.
Seja com o atual nível da taxa ou pela previsão dos juros, quando descontada a projeção de inflação, a taxa de juros reais no Brasil pode encerrar o ano superando os 8% a.a, mantendo o país entre as maiores taxas do planeta. Esse patamar sustenta o ferrolho sobre os investimentos privados e públicos e sobre os avanços produtivos, eliminando, consequentemente, empregos de qualidade (com carteira assinada) e impedindo, desta forma, o crescimento econômico sustentável do país.
A economista e especialista em Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Larissa Nocko, alerta que os principais fatores por trás da perda de dinamismo da indústria de transformação são o patamar elevado das taxas de juros e suas consequências.
“O encarecimento do custo do crédito, tanto para os empresários quanto para as famílias, além do patamar elevado também do endividamento das famílias e das empresas, com o alto nível de comprometimento de renda, acaba deixando pouco espaço para o crescimento do consumo, e isso a gente já nota uma demanda interna mais desaquecida”, afirma Larissa Nocko, ao comentar os números de Indicadores Industriais, referente a abril deste ano.
No quarto mês de 2026, o faturamento real da indústria de transformação sinalizou desaceleração ao registrar um crescimento de 0,5% em abril, após altas de 3,9% em março e de 3,7% em fevereiro. Já o emprego industrial recuou 0,2% em abril – acumulando seis variações negativas nos últimos oito meses -, enquanto o número de horas trabalhadas na produção encolheu 1,3% e a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cedeu de 77,5% para 77,1% na passagem de março para abril.











