Banqueiros querem seguir especulando ao invés de investir em produção
O boletim Focus do Banco Central reduziu, nesta segunda-feira (20), a estimativa para a inflação em 2026 para 5,15% em relação à semana anterior (5,16%), com base em pesquisa realizada com mais de 100 instituições financeiras.
Essa é a terceira semana seguida de queda da projeção da inflação, sem alterar a previsão para a Selic (taxa básica de juros da economia), que continua em 14% ao fim deste ano. Pelas estimativas atuais, a taxa de juros reais brasileira segue muito elevada e deve encerrar o ano de 2026 em 9% ao ano, caso as intenções do bancos confirmem.
Ao contrário dos bancos e demas rentistas, que usam a inflação para pressionar pela manutenção dos juros nas alturas, o IPCA de junho, mostra que a inflação acumulada em 12 meses desacelerou, de 4,72% para 4,64%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, “surpreendendo o mercado”, disseram, que torce pelo descontrole desinflacionário para justificar novos aumentos de juros.
Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano, após três pingados cortes neste ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, com os bancos projetando um crescimento de 1,99% no Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, o que representaria uma forte desaceleração da economia, após expansões anuais de de 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e de 2,3% em 2025.
Além de minar o crescimento da economia, os juros altos restringem o financiamento que as famílias e empresas precisam para crescer ou se sustentar. Isso ocorre porque o custo do dinheiro emprestado sobe significativamente, enquanto a economia desacelera, eliminando postos de trabalhos e reduzindo a renda.
No ambiente de juros altos, o sonho das famílias de adquirir bens, como a casa própria, um veículo ou quaisquer outros bens de alto valor, torna-se cada vez mais impossível, já que os valores das parcelas disparam, afastando cada vez mais os brasileiros de menor renda do consumo.
No setor produtivo, os juros elevados funcionam como uma faca de dois gumes. Frente ao enfraquecimento da demanda, não há por que o empresário assumir os riscos de adquirir maquinário, expandir operações ou realizar contratações, já que o dinheiro disponível pode render 14,25% ao ano na Selic, com risco praticamente nulo. Ou seja, esse cenário estimula a alocação do capital no mercado financeiro, em detrimento dos investimentos na economia real que geram produtos e empregos.
Por outro lado, quando os juros estão altos, além do encarecimento das dívidas das empresas, o crédito de curto prazo também fica muito caro, corroendo a margem de lucro das empresas – especialmente as pequenas e médias demandantes de empréstimos para o capital de giro -, agravando a capacidade de sustentar suas operações que, em muitos casos, já operam no prejuízo.
Segundo números do Indicador de inadimplência das empresas, de responsabilidade da Serasa Experian, o Brasil conta com mais de 9 milhões de empresas com seus CNPJs negativados, um patamar recorde alcançado em maio de 2026.











