Forças de segurança da Rússia deram apoio aéreo, ajudaram o governo do Mali contra grupos armados que fizeram ataques coordenados em larga escala contra alvos da Forças Armadas do Mali. Os russos auxiliaram o Mali a impedir que os terroristas tomassem posições chave, como bases militares e o palácio presidencial na capital do Mali, Bamako.
O primeiro-ministro do Mali, Abdoulaye Maiga, disse que o objetivo dos golpistas era o de semear medo, dúvida e desestabilizar as instituições do país. Além da capital, as cidades de Kati, Gao, Sevare e Kidal foram alvos de ataques no sábado, 25.
O ministro da Defesa do Mali, general Sadio Camara, foi morto em um tiroteio com os golpistas depois de um ataque suicida com carro-bomba explodir em sua casa em Kati, a 15km da capital. A segunda esposa de Camara e dois de seus netos também morreram no ataque. Uma mesquita onde fiéis se abrigaram ficou destruída.
Os ataques foram reivindicados pelo grupo terrorista Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), uma coalizão de terroristas ligados à Al-Qaeda que operam na região do Sahel, e pela Frente de Libertação Azawad (FLA), um grupo separatista tuaregue do norte do Mali.
O chefe de Estado-Maior do Mali, Oumar Diarra, comunicou na TV estatal que mais de 200 terroristas foram mortos durante o combate de sábado.
No início deste ano, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, acusou o governo da França de fomentar atentados de grupos terroristas na região do Sahel. O ministro disse que os franceses usam de “métodos coloniais” no esforço para “derrubar governos nacionalistas” da região do Sahel que eles consideram como indesejáveis.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também apontou que dados preliminares revelam a cooperação de Paris com serviços de segurança ocidentais no treinamento dos terroristas.
O Ministério da Defesa da Rússia descreveu o ataque como uma tentativa de golpe desses grupos contra o governo do Mali. Os russos disseram que os terroristas contavam com cerca de 12.000 combatentes e que teriam sido treinados “com a participação de instrutores mercenários ucranianos e europeus”.
Em 2022, o Mali, expulsou as forças militares francesas do país, acusando o governo Macron de dar apoio a esses grupos terroristas. Burkina Faso e o Níger seguiram a medida do Mali e também expulsaram as forças francesas de seus países, em 2023, e se aliaram com a Rússia por apoio a sua segurança.
O governo revolucionário que assumiu no Mali, com definições anticolonialistas, fez acordos de cooperação com a Rússia para garantir o processamento independente do ouro extraído no país. O Mali é um dos maiores exportadores de ouro do mundo, mas grande parte dele era até há pouco exportado na forma bruta ou após processamento dominado por empresas canadenses ou francesas.












Uma resposta
O quadro geopolítico que temos hoje se assemelha muito com o de antes da primeira guerra mundial. Naquele período, a competição com a Alemanha que também queria colonizar a África desencadeou o conflito. Nos dias de hoje, vemos Russia e China também querendo se aproveitar dos recursos minerais de África. E esses interesses entram em choque com os objetivos econômico-colonialistas dos países europeus.