Encontro com 180 delegados de todos os continentes também destaca a busca pela amizade entre os povos e a paz
“Hoje, aqui na capital de nossa pátria, na Cidade Heroica de Moscou, o Partido Comunista da Federação Russa, juntamente com as Forças Patrióticas Populares, realiza o 3º Fórum Internacional Antifascista, dedicado aos problemas da luta contra o terrorismo, o imperialismo e pela paz e amizade entre os povos”, afirmou o presidente do Comitê Central do PCFR, Gennady Zyuganov, abrindo o encontro que aconteceu entre os dias 23 e 27 de maio e que contou com cerca de 180 delegações de todos os continentes.
O líder comunista assinalou que uma representação tão grande das forças de esquerda e patrióticas no planeta, reunindo representantes de partidos, movimentos políticos, sindicatos e organizações progressistas de quase cem países para debater a conjuntura mundial e traçar uma estratégia unificada de resistência ao neofascismo e ao imperialismo, não era vista há muito tempo.
O dirigente chamou a atenção para a principal conclusão do fórum: o fascismo como produto do capitalismo. Recordou como o socialismo salvou a Rússia e a URSS do colapso em 1917 e 1945. E reiterou as principais disposições do Programa da Vitória do partido, que visam principalmente a proteção dos direitos e interesses dos trabalhadores.
“Realizamos este fórum num contexto em que a OTAN e os anglo-saxões declararam guerra ao mundo russo, uma grande civilização com mil anos de história. Uma civilização que por três vezes protegeu a aclamada Europa dos ataques de Batu Khan, Napoleão e Hitler. Uma civilização que salvou a humanidade da ‘peste marrom’”, lembrou.
STALIN CONSEGUIU UNIR A TODOS E DERROTAR O FASCISMO
G.A. Zyuganov apontou a necessidade de compreender plenamente as consequências da Primeira e da Segunda Guerra Mundial: “Oitenta e cinco milhões de pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões das quais eram os melhores filhos e filhas do nosso país”.
“Stalin conseguiu formar uma coalizão, unir a todos, neutralizar o Japão e a Turquia e derrotar primeiro o fascismo de Hitler e depois o militarismo japonês”, destacou.
“Hoje, os desafios são mais formidáveis. A equipe desequilibrada que chegou ao poder nos Estados Unidos acredita que é aceitável destruir civilizações inteiras. Que é aceitável atirar em crianças. Afinal, o massacre de crianças na República Popular de Lugansk é um excelente exemplo de como esse grupo realmente é. Não havia ocorrido um massacre como aquele desde a Grande Guerra Patriótica. Primeiro, os americanos fuzilaram meninas no Irã e agora, junto com os anglo-saxões, estavam lançando dezesseis mísseis contra um dormitório onde crianças dormiam. E essas crianças eram estudantes que deveriam receber seus diplomas hoje e se tornarem professoras do ensino fundamental”, denunciou.
G.A. Zyuganov recordou aos presentes que, sob o domínio soviético, a RSS da Ucrânia era uma das regiões mais prósperas, industrializadas e agrícolas. Após o colapso da União Soviética, o Partido Comunista da Federação Russa e o Partido Comunista da Ucrânia trabalharam para criar uma força moderada e pró-Rússia no país irmão. No entanto, devido à falta de vontade política por parte da liderança, os banderistas, com a ajuda da CIA, conseguiram tomar o poder em Kiev e influenciar a mentalidade do povo ucraniano. O seu primeiro ato foi demolir o monumento a V.I. Lenin, o fundador do Estado Soviético, na Khreshchatyk, a principal rua da capital da Ucrânia.Logo depois, iniciou-se a demolição em massa de monumentos a importantes dirigentes estatais e líderes soviéticos, heróis da Guerra Civil e da Grande Guerra Patriótica, laureados com o Prêmio Nobel, médicos, escritores e figuras da cultura russa e soviética.
DELEGADOS DENUNCIAM ATAQUES À SOBERANIA NACIONAL
Os debates no plenário e nas sessões temáticas abordaram a expansão do capital monopolista, a dominação financeira e as sanções econômicas como ferramentas de neocolonização. Os delegados denunciam a russofobia, as investidas contra a soberania nacional na América Latina e o financiamento de forças de extrema-direita em cenários de guerra, defendendo a construção de uma ordem multipolar.
O fórum buscou consolidar uma frente ampla antifascista para coordenar ações de solidariedade concreta com populações de territórios agredidos militar ou economicamente, exigir a libertação de prisioneiros políticos e impulsionar fóruns de cooperação internacional que se contraponham à hegemonia ocidental. Os encaminhamentos e manifestos unificados resultantes do encontro servirão de base para as jornadas de luta das organizações de esquerda nos próximos meses.
PCdoB PARTICIPA
O encontro contou com a contribuição de importantes formulações políticas de muitos partidos e lideranças revolucionárias do mundo. Entre os presentes, destacaram-se delegações oficiais de partidos comunistas e progressistas da China, Cuba, Venezuela, Coreia, Palestina, Líbano, Iêmen, Afeganistão e Iraque. Nomvula Mokonyane, primeira secretária-adjunta geral do Congresso Nacional Africano (ANC), da África do Sul, discursou sobre os laços de solidariedade internacional e justiça.
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) participou ativamente do encontro, representado por Nádia Campeão, presidente interina do Partido, e por Ana Prestes, secretária de Relações Internacionais. Durante a estadia na capital russa, as dirigentes brasileiras também cumpriram agenda diplomática e foram recebidas na Embaixada do Brasil na Rússia pelo embaixador Sérgio Rodrigues.
O presidente russo, Vladimir Putin, enviou uma saudação oficial aos participantes nesta segunda-feira (25). Na mensagem, ele ressaltou a importância da união de forças construtivas para combater a xenofobia, o neonazismo e o antissemitismo, além da necessidade de salvaguardar a verdade histórica sobre a Segunda Guerra Mundial e buscar a consolidação de um mundo multipolar e democrático.
Antes do fórum, foi exibido no telão o documentário “Imperialismo e Terror”, produzido pelo canal de televisão «Красная линия» (Linha Vermelha). Os participantes da sessão plenária observaram um minuto de silêncio em memória dos soldados caídos da Operação Especial – contra a agressão direitista a partir da Ucrânia – e das vítimas do regime fascista ucraniano. Um silêncio tomou conta do salão enquanto os presentes prestavam suas homenagens àqueles que se sacrificaram na luta contra as ideias neonazistas.











