França fecha 12 estandes de Israel em exposição internacional de armamentos

Um dos estandes israelenses bloqueados por decisão do governo francês (Jerusalem Post)

Vários estandes de empresas israelenses foram fechados na maior feira internacional de armamento e segurança, a Eurosatory, realizada na França, em meio à oposição à limpeza étnica em Gaza e no sul do Líbano e à recusa de Israel em retirar suas forças do território libanês como combinado entre os EUA e o Irã. A Eurosatory é realizada a cada dois anos em Paris.

Devido ao “não cumprimento” das condições de participação impostas pelas autoridades francesas, “12 estandes israelenses foram fechados”, disse à AFP Charles Beaudoin, da empresa organizadora do evento, Coges Events. O governo francês restringiu a participação somente “a equipamentos e produtos exclusivamente relacionados à defesa aérea e capacidades de defesa contra mísseis balísticos” e proibiu Israel de exibir armamento ofensivo, acrescentou.

As relações entre a França e Israel estão tensas, com a reação hostil do governo Netanyahu ao reconhecimento do Estado da Palestina, em 2025, pelo governo francês. Dois ministros do regime de apartheid israelense, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, foram recentemente proibidos de entrar na França após o escândalo da interferência de uma empresa israelense em eleições estrangeiras.

De acordo com um órgão de fiscalização do governo da França que investiga o caso, a empresa de tecnologia israelense BlackCore vem intervindo em eleições em todo o mundo usando algoritmos para fomentar na internet campanhas de desinformação.

Viginum, o órgão do governo da França que aborda interferência digital estrangeira e manipulação de informação, em um relatório divulgado no domingo (14), disse que as operações israelenses visaram as eleições na Escócia, França, Angola, Togo e Nova Iorque.

O relatório francês apontou que a BlackCore, usando de alegações fabricadas, vazamentos de dados e contas falsas de redes sociais, atacou candidatos de esquerda franceses do partido ‘La France Insoumise’ (LFI). Outro alvo dos israelenses foi o primeiro-ministro da Escócia, John Swinney, assim como o Partido Nacional Escocês (SNP, sigla em inglês), de centro-esquerda.

“Este modus operandi não se limitou às eleições municipais na França. Também parece ter sido usado para realizar operações de interferência digital estrangeira em outros países ou regiões, como Angola, Togo, as eleições na Escócia, e a eleição municipal de 2025 em Nova York”, disse Marc-Antoine Brillant, chefe do Viginum, em uma conferência de imprensa com a presença do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.

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