O líder da Federação dos Camponeses Túpac Katari, uma das organizações sindicais bolivianas mais importantes, foi preso nesta quarta-feira (10) pela polícia boliviana. Vicente Salazar, que organizou protestos e piquetes nas estradas contra os desmandos do governo do direitista Rodrigo Paz e sua política neoliberal de arrocho.
Contra a austeridade imposta pelo governo boliviano, contra o aumento do custo de vida, a Bolívia está passando por uma onda de protestos e uma greve generalizada de trabalhadores, mineiros, camponeses, na maioria de baixa renda e da maioria indígena da Bolívia, eles pedem a renúncia do presidente boliviano.
Salazar, foi preso no centro de La Paz, perto da Praça Murillo, sede do governo boliviano, o líder camponês é um dos organizadores das manifestações que já estão na sua quinta semana. Ele foi preso enquanto participava de uma marcha de camponeses e outros trabalhadores.
Durante a operação policial que prendeu Salazar, os agentes usaram gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes.
Antes da marcha, Salazar discursou que o governo da Bolívia tem duas opções, “a renúncia voluntária ou sairá com uma convulsão”, disse.
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, confirmou a prisão de Salazar e deu seu apoio ao líder grevista. “Irmão Vicente, você não está sozinho, estamos milhares com você”, discursou para apoiadores.
Em uma entrevista, Salazar criticou a revogação da lei que limitava os poderes do presidente de declarar estado de exceção, facilitando o uso das forças militares do país contra a própria população e acrescentou que “um dia o povo julgará os membros da assembleia”.
AMEAÇAS DOS EUA
Além de Salazar, a repressão na Bolívia prendeu outros manifestantes, autoridades bolivianas não especificaram o número de pessoas presas na operação. As prisões acontecem em meio às ameaças do ‘Secretário da Guerra’ do governo americano, Pete Hegseth, em uma postagem no X na quinta-feira, 4, que os EUA estão comprometidos em ajudar o frágil governo boliviano de Rodrigo Paz.
“Os Estados Unidos estão assistindo. A Bolívia não deve se permitir ser vítima do antigo status quo do domínio narcoterrorista na região”, escreveu Hegseth. “Continuaremos a apoiar nossos parceiros, como a Bolívia, para garantir que os narcoterroristas sejam impedidos de lucrar com a morte e a destruição em nosso hemisfério”.
Mais uma vez os americanos usam da acusação de “narcoterrorismo” como justificativa de intervenção, dessa vez em favor do presidente pró-americano da Bolívia, na tentativa de criminalizar os manifestantes acusando-os de envolvimento com o narcotráfico.
“Continuaremos a apoiar nossos parceiros da Coalizão Contra o Cartel das Américas, como a Bolívia, para garantir que os narco-terroristas sejam dissuadidos de lucrar com a morte e a destruição em nosso hemisfério”, continuou Hegseth deixando claro que os americanos querem botar as garras na Bolívia para manter Rodrigo Paz no poder.











