Governo estabiliza inadimplência e CNC pede queda maior nos juros

Esforço das famílias esbarra no encarecimento do crédito, alerta a entidade do comércio. (Foto: Marcello Casal Jr/EBC)

“É essencial que os efeitos do Desenrola caminhe lado a lado com a redução progressiva da taxa Selic”, afirma presidente da entidade

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os índices de endividamento e inadimplência se estabilizaram no mês de junho, em comparação a maio, interrompendo a tendência recente de alta. O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer chegou a 81,6% em junho deste ano, enquanto a taxa de inadimplência alcançou 29,9%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Contudo, tanto o indicador de endividamento como o de contas em atraso superam os patamares registrados em junho de 2025, quando o endividamento era de 78,4% e a inadimplência somava 29,5%.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que “a estabilização da inadimplência e a melhora dos prazos de pagamento em junho dão um respiro ao consumidor”. O percentual de famílias que relataram não possuir condições de quitar as dívidas em atraso teve uma ligeira redução de 12,3% em maio para 12,2% em junho.

Para Tadros, “é essencial que a continuação dos efeitos do Desenrola [programa de renegociação de dívidas do governo federal] caminhe lado a lado com a redução progressiva da taxa Selic pelo Copom”. “Sem o afrouxamento contínuo dos juros, o esforço das famílias para limpar o nome esbarra no encarecimento do crédito, travando a retomada do comércio”, completou.

O levantamento da CNC, divulgado no dia 14/7, também revela que, em relação ao comprometimento da renda, o percentual dos consumidores que têm mais da metade dos rendimentos vinculados às dívidas permaneceu em 18,7%, com a maior parte das famílias (55,8%) possuindo entre 11% e 50% da renda comprometida, um fator que a entidade avalia como positivo para o perfil do endividamento. No cômputo geral, o percentual médio de comprometimento da renda com dívidas ficou em 29,3% em junho.

Lançado pelo governo Lula em maio deste ano, o Desenrola 2.0 permite que as famílias brasileiras renegociem dívidas em atraso com o cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais, entre outras. Os descontos podem chegar a 90% e à taxa máxima de juros de 1,99% ao mês, além de prazo de até 48 meses para pagamento e a possibilidade de utilização de parte do saldo do FGTS para amortização parcial ou quitação das dívidas.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, avalia que os resultados dos indicadores mensais de endividamento e inadimplência menos adversos coincidem com os primeiros 60 dias de validade do Desenrola 2.0.

“Até que ponto o Desenrola 2.0 também ajudou a estabilizar essa tendência que a gente via até maio de aumento da inadimplência e do endividamento, ainda é um pouco cedo para afirmar… De qualquer forma, é uma medida que é bem-vinda no momento em que a gente ainda tem na ponta taxas de juros altíssimas. Na média, a taxa de juros para consumo no Brasil está acima de 60% ao ano, um patamar que não se via nessa época do ano desde 2017”, comentou Bentes.

Após três cortes a conta-gotas de 0,25 ponto percentual realizados pelo Banco Central (BC) neste ano, a taxa básica de juros encontra-se em 14,25% ao ano. Os bancos, no entanto, têm pressionado pelo fim dos cortes de juros e pela retomada do aumento da taxa nominal.

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