Governo Trump inventa que facções são terroristas para atacar o PIX brasileiro, alerta ministro da Fazenda

Dario Durigan, ministro da Fazenda. Foto: Washington Costa/MF

“Vão alegar que os criminosos podem usar o sistema de pagamento”, explica Durigan, lembrando que mais uma vez os bolsonaristas se juntam a Trump contra a economia brasileira

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, denunciou que a classificação do Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, a pedido de Flávio Bolsonaro, é uma ameaça ao PIX brasileiro.

Para o ministro, a decisão pode gerar um ataque direto do governo americano com a desculpa de que o PIX poderia ser usado pelas facções criminosas. Mais uma vez o bolsonarismo se desmascara como cúmplice de Trump no mais novo ataque contra a economia brasileira. A primeira vez foi quando ele impôs o tarifaço. Na ocasião, eles não só aplaudiram a agressão americana como pediram mais sanções contra o Brasil.

Em entrevista ao Jornal da CBN, o ministro afirmou que o caso irá gerar insegurança jurídica e econômica. Durigan defende que o Brasil não pode ficar “preso ao risco de uma intervenção ou subserviência que nos tira do caminho da inovação e da geração de uma infraestrutura segura de pagamento às nossas empresas e famílias”.

“Se houver uma alegação dizendo que determinado banco brasileiro tem contas do PCC, a autoridade norte-americana pode sancionar esse banco pelo Tesouro norte-americano e impedir ele de operar com o PIX. No México, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com uma ação e fechou três bancos, a partir de uma designação de relação com organizações terroristas”, declarou.

Dario Durigan, revelou que irá realizar reuniões ao longo desta semana com autoridades dos Estados Unidos para abordar a decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como terroristas. Na entrevista, Durigan argumentou que ‌a designação ‌pelo governo americano poderá poderia atingir o PIX através dos impactos para os bancos brasileiros.

Segundo o ministro, caso surjam acusações de que o sistema de pagamentos brasileiro esteja sendo utilizado pelo crime organizado, o país poderá ficar sujeito a novos ataques e restrições. Ele destacou que o PIX é um símbolo da soberania financeira do Brasil e deve ser protegido de qualquer tentativa de interferência externa.

“Claro que a gente fica preocupado, porque se alguém do governo dos Estados Unidos apontar, com base em alguma informação que não é compartilhada com o governo brasileiro, de que o PIX está sendo utilizado para o crime organizado, nós vamos ficar sujeitos a esse tipo de ataque. E veja, o PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil”, destacou Durigan.

O ministro da Fazenda afirmou também que a investigação dos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301 tem um caráter “muito mais político do que técnico”. Segundo ele, os argumentos apresentados pelo governo norte-americano são inconsistentes e já foram esclarecidos em ocasiões anteriores.

“Ela tem um caráter político, muito mais do que técnico. A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes (…)”, disse. “Em paralelo a isso”, prosseguiu Durigan, “a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil. É uma forçação de barra sem fim”.

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