Grupo de mulheres bolsonaristas acusa aliados de Flávio Bolsonaro de agressões

Lideranças femininas ditas “conservadoras” preparam ofensiva judicial contra “gabinete do ódio” pró-Flávio

Grupo de mulheres ditas “conservadoras” que atua na política articula ação contra brasileiros radicados nos EUA e os acusa de promover campanhas sistemáticas de calúnia, difamação e injúria nas redes digitais.

A iniciativa, ainda em fase de preparação, simboliza mudança significativa: pela primeira vez, lideranças identificadas com o próprio “campo bolsonarista” recorrem ao Judiciário para enfrentar a milícia digital bolsonarista.

Segundo integrantes do grupo, advogado americano já foi consultado para avaliar a viabilidade da ação.

As denunciantes afirmam ter reunido centenas de publicações produzidas em diferentes plataformas e atribuem os ataques a núcleo de influenciadores ligados ao bolsonarismo que atua a partir dos Estados Unidos. Entre os nomes citados está o blogueiro Allan dos Santos.

ATAQUES

A ofensiva judicial ocorre após semanas de intensa disputa interna no submundo bolsonarista. Os ataques virtuais deixaram de atingir apenas adversários políticos e passaram a alcançar figuras da própria extrema direita.

Entre os principais alvos estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a vice-governadora do Distrito Federal Celina Leão (PP), além de outras mulheres que ocupam posições de liderança no campo bolsonarista.

O grupo afirma que parte das publicações ultrapassa o debate político e configura violência de gênero, difamação e assédio digital.

O movimento também estuda incluir ataques dirigidos a mulheres de esquerda, desde que praticados pelos mesmos perfis investigados, numa tentativa de demonstrar que a atuação seria recorrente e não restrita a disputas internas.

NÚCLEO BOLSONARISTA

O episódio amplia a crise que atravessa o bolsonarismo desde que vieram a público divergências que envolvem Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em vídeo divulgado recentemente, Michelle denunciou a existência de grupo que, segundo ela, atua do exterior para promover campanhas permanentes de ataques pessoais.

A ex-primeira-dama afirmou ainda que alguns desses milicianos digitais mantêm proximidade com Flávio Bolsonaro, declaração que aprofundou o desgaste entre diferentes alas do bolsonarismo.

As reclamações já chegaram ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e ao próprio Flávio, aumentando a pressão para que o partido contenha os conflitos internos antes da consolidação da campanha presidencial.

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