“Guerra de Trump no Irã atinge nível de reprovação da era do Vietnã: 61%”, afirma Washington Post

Equipamento militar perdido pelos EUA durante a agressão ao Irã (NDTV)

“A guerra do presidente Donald Trump no Irã é tão impopular entre os americanos quanto a Guerra do Iraque durante o ano de pico de violência em 2006 e a Guerra do Vietnã no início dos anos 1970″, segundo uma pesquisa do Washington Post-ABC News-Ipsos.

Esse nível de rejeição acontece em meio ao “aumento da dor econômica e ao medo de terrorismo como resultado da campanha militar”, registrou ainda o The Washington Post.

O Post informa que “61% dos americanos dizem que usar força militar contra o Irã foi um erro” e “menos de 2 em cada dez americanos” acreditam que a guerra dos EUA no Irã foi “bem-sucedida”.

Cerca de 4 em cada 10 dizem que não teve sucesso, enquanto outros 4 em cada 10 dizem que é “cedo demais para dizer”.

“Os números das pesquisas indicam um esforço de guerra amplamente impopular e um aumento das consequências econômicas em um momento em que a Casa Branca tem tentado convencer os americanos de que eles estão melhor sob Trump do que sob os democratas.”

O Post destrincha, então, as perguntas chave da pesquisa, começando porConsiderando tudo, você acha que os Estados Unidos fizeram a coisa certa ao usar força militar contra o Irã, ou acha que isso foi um erro?”

Para 61% dos adultos, trata-se de um “erro”, enquanto apenas 36% a consideram como a “decisão certa”.  Entre democratas, 91% a consideram um “erro”, contra apenas 8% que aprova a ida à guerra. É um erro, disseram 71% dos independentes, em comparação com 19% a favor.

O que se inverte entre os republicanos: 79% aprovam, contra 19% que consideram ser um erro.

COMO NO IRAQUE E VIETNÃ

Mais adiante, o Post destaca que “a comparação histórica com as guerras do Iraque e do Vietnã — conflitos que polarizaram os americanos no momento e, no fim, passaram a ser vistos como fracassos — é especialmente notável”.

“Demorou anos para que a Guerra do Iraque, iniciada em março de 2003, atingisse o nível de desaprovação que a guerra de Trump tem em apenas dois meses. 59% dos americanos em meados de 2006 disseram que a guerra no Iraque foi um erro, enquanto números semelhantes pensavam o mesmo sobre a guerra do Vietnã no início dos anos 1970”, enfatiza o Post.

A publicação destaca, então, que os americanos “estavam morrendo e sendo feridos em números muito maiores nessas épocas, tornando as opiniões atuais ainda mais marcantes”.

“Mais de 50.000 americanos haviam morrido no Vietnã em 1971, quando a Gallup descobriu que 61% dos americanos disseram que enviar tropas para lutar ali foi um erro”.

“E em abril de 2006, no mês anterior, uma pesquisa do Washington Post-ABC News revelou que 59% dos americanos disseram que a Guerra do Iraque foi um erro, 2.402 soldados americanos morreram lá, e o exército americano estava envolvido em alguns dos combates mais sangrentos do conflito”.

E compara com os dias de hoje: “o Pentágono anunciou as mortes de 13 militares americanos até agora na guerra contra o Irã”.

TEMOR À RECESSÃO

Ainda segundo o Post, “muitos americanos temem que o conflito leve a uma recessão”: 60%, pela pesquisa.

“Mais de 4 em cada 10 dizem que o preço da gasolina está fazendo com que dirijam menos e reduzam os gastos domésticos, enquanto mais de 3 em cada 10 dizem que mudaram os planos de viagem ou férias. Seis em cada dez americanos relatam pelo menos um desses impactos.

Poucos americanos esperam que os preços da gasolina melhorem dentro do próximo ano — potencialmente um sinal de alerta para os republicanos, que esperam superar a dor até as eleições de meio de mandato de novembro.

Metade dos americanos acha que os preços da gasolina vão piorar no próximo ano, enquanto 21% acham que vão melhorar e 15% acham que vão continuar mais ou menos o mesmo.”

Desde fevereiro, a parcela de pessoas dizendo que estão “ficando financeiramente para trás” cresceu de 17% para 23%, enquanto a parcela que diz que “não está tão bem” quanto quando Trump assumiu o cargo saltou de 33% para 40%. O ataque ao Irã começou em 28 de fevereiro.

Pessoas que disseram não estar tão bem cresceram nove pontos entre os entrevistados brancos não universitários e 13 pontos entre independentes inclinados aos republicanos, grupos que apoiaram a eleição de Trump, mas expressam apoio menor à sua condução da guerra.

MEDINDO A PERCEPÇÃO DO FIASCO

Outra pergunta que é escrutinada pelo Post é se, “independentemente do que você pensa da decisão de usar força militar, você acha que as ações dos EUA no Irã este ano foram: bem-sucedidas; não bem-sucedidas; só na frente dará para dizer”.

39% dos adultos entrevistados optaram por “não bem-sucedidas” a 19% de “bem-sucedidas”; com 41% de “só na frente dará para dizer”. Entre os democratas, os percentuais são de respectivamente 67% a 4%, e 29%. Entre os independentes, o escore é de 43% a 9%, com 44% indecisos. Com os entrevistados identificados como republicanos, a coisa se inverte, com 46% considerando a guerra um sucesso contra 7%, e 46% na dúvida.

Quanto a um possível acordo de paz, 48% dos adultos disseram que é melhor um acordo mesmo que seja “pior para os EUA”, sendo que o percentual de democratas que concordam vai a 76%  a 24% (que admitem retomar a ação militar para pressionar por um acordo melhor), independentes 50% a 39% e, ao inverso, 21% a 79% entre os republicanos.

REJEIÇÃO A “UMA CIVILIZAÇÃO INTEIRA MORRERÁ ESTÁ NOITE”  

Alguns aspectos da frenética campanha de desinformação capitaneada pelo próprio Trump contra o Irã foram avaliados na pesquisa.

A ameaça de Trump em 7 de abril de que “uma civilização inteira morrerá esta noite, nunca mais será retornada”, caso o Irã não fizesse um acordo com os EUA, que precedeu o acordo de cessar-fogo, foi “amplamente impopular”, destacou o Post.

76% tiveram uma visão negativa da postagem de Trump, contra 21% a favor. A declaração dividiu os republicanos, com 57% dos republicanos que se identificam como MAGA tendo uma reação positiva, enquanto 79% dos republicanos não MAGA reagiram negativamente.

ESTELIONATO ELEITORAL

O estelionato eleitoral de Trump, que foi eleito prometendo “manter os Estados Unidos fora das guerras no exterior” e desencadeou a agressão ao Irã, também foi avaliado pela pesquisa.

46% dos americanos consideram a guerra de Trump contra o Irã “inconsistente” com sua campanha presidencial de 2024, enquanto 22% a dizem “consistente”; 30% não têm certeza. Entre os democratas, o resultado é respectivamente 70% a 9% e 22% indecisos. Independentes, 37% a 13% e 50% não sabem. Republicanos, 32% a 48% e 20% não sabem.

De acordo com a pesquisa, os americanos também temem que as ações de Trump possam tê-los tornado “menos seguros”. 61% acham que a ação militar dos EUA no Irã aumentou o risco de terrorismo contra americanos, mais do que os 48% que disseram isso após o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, por ordem de Trump em 2020.

E 56% dizem que as ações dos EUA aumentam o risco de “enfraquecer as relações com aliados americanos”, já que Trump atacou aliados europeus que questionaram a estratégia por trás da ação contra o Irã, enquanto aliados do Golfo Pérsico sofreram com retaliações iranianas.

Sob a carga que o establishment joga quanto à suposta “questão nuclear”, 65% dos entrevistados não estão confiantes de que um acordo para acabar com a guerra impedirá o Irã de desenvolver armas nucleares. Percentual “semelhante” aos 64% que disseram isso sobre o acordo de 2015 do governo Obama, que impôs limites ao programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções, foi estritamente cumprido pelo Irã, mas do qual Trump em seu primeiro mandato retirou os EUA.

A pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos foi realizada online de 24 a 28 de abril com 2.560 adultos americanos em todo o país alcançados pelo Ipsos Knowledge Panel, um painel contínuo de famílias americanas recrutadas por correspondência usando métodos de amostragem aleatória. Os resultados gerais têm uma margem de erro de mais ou menos dois pontos percentuais. A amostra foi ponderada para corresponder à demografia da população, à participação/escolha de voto em 2024 e ao partidarismo político.

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