Haddad denuncia infiltração do crime organizado na PM de SP no governo Tarcísio

Ex-ministro do governo Lula, Fernando Haddad - Foto: Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou em suas redes sociais a gravidade das denúncias feitas sobre suposta atuação do coronel Cássio Araújo de Freitas para proteger policiais acusados de omissão no combate ao vazamento de informações para o PCC.

Coutinho foi apontado durante uma investigação sobre o PCC para desgastar politicamente o governador Tarcísio de Freitas e o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. O ponto central da investigação reside no depoimento do promotor Lincoln Gakiya, que detalhou o funcionamento de um “núcleo de vazamentos da Rota” em favor da facção criminosa. Segundo o promotor, o então comandante da Rota e ex-comandante-geral da PM, coronel Cássio Araújo de Freitas, foi alertado pessoalmente sobre o esquema.

A principal acusação é de prevaricação e condescendência criminosa. Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o coronel teria sido informado oficialmente sobre a existência de um “núcleo de vazamentos” dentro da Rota, tropa de elite da PM paulista sob o comando de Coutinho, que beneficiava o PCC. Mesmo diante das informações, o coronel não teria tomado qualquer providência necessária para investigar ou punir os envolvidos.

Haddad, em gravação publicada em suas redes sociais, detalhou sua questionou a atuação do governo estadual diante das denúncias. “Eu queria falar com vocês sobre um episódio recente na área da Segurança Pública. Escolher quem vai comandar a polícia é uma grande responsabilidade. E acho que você concorda que não basta olhar critérios técnicos apenas. É preciso conhecer bem o caráter de quem será nomeado, porque se trata de um cargo de alta confiança. É no governador ou governadora que começa a cadeia de comando da Segurança Pública. Ele ou ela devem estar bem informados sobre tudo o que acontece”, disse.

Para Haddad, a postura do governador Tarcísio de Freitas diante do pedido de exoneração do comandante da Polícia Militar é fruto da responsabilidade que tem sobre a nomeação de alguém que pode estar ligado ao crime organizado  para gerir todo o corpo que deveria combater essas organizações. 

“Talvez por isso, Tarcísio tentou negar que o pedido de exoneração feito pelo comandante da PM, Coronel Coutinho, tenha sido por conta de investigações envolvendo o próprio Coronel e o crime organizado. E até o defendeu”, continuou o ex-ministro.

Se referindo a Gakiya, Haddad destacou que a situação pode ser ainda mais grave do que se podia supor inicialmente. “Agora, a Corregedoria e o Ministério Público revelaram que o Coronel Coutinho, escolhido por esta gestão, é investigado por acobertar policiais que faziam escolta armada ilegal para uma empresa de ônibus ligada ao PCC. E o pior é que um dos maiores promotores do país avisou que operações sigilosas estavam vazando para a facção. Entregou áudios, fez o alerta.”

Com as informações em mãos, “o Coronel não tomou providência. Pelo contrário, parece que passava a mão na cabeça dos criminosos. Aí você se pergunta, como alguém com esse perfil chegou ao posto mais alto da PM? Onde estava o critério do governador? Inclusive para proteger a corporação que é feita, em sua grande maioria, de mulheres e homens corajosos e honrados”, disse.

“Temos que cobrar a responsabilidade de quem governa. Afinal, é um governador que cortou pela metade os investimentos no combate ao crime organizado que hoje invade o interior de São Paulo. E que já disse de frente para a televisão que não está nem aí como a polícia age.”

Haddad avalia que o atual cenário da segurança pública no estado, com o aumento da violência, é fruto das escolhas conscientes de Tarcísio. “O resultado do não estou nem aí é esse. O crime organizado se infiltrando debaixo do nariz do comando. Falhar na escolha pode até acontecer. É por isso que você tem que vigiar de perto. Agora, tentar esconder da população o real motivo do afastamento do comandante, isso não é aceitável”, concluiu. 

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