Haddad diz que São Paulo é o mais afetado pelo tarifaço, enquanto Tarcísio ainda apoia EUA

Fernando Haddad. Foto: Diogo Zacarias/ MF

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (16) que o estado será o mais prejudicado pelas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e cobrou uma mudança de postura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em relação ao governo norte-americano.

As declarações foram dadas em Jales, no interior paulista, um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida passa a valer em 22 de julho e atinge setores estratégicos da economia, como etanol, máquinas agrícolas e papel.

Segundo Haddad, São Paulo concentra grande parte da produção nacional dos itens afetados e, por isso, sofrerá os maiores impactos econômicos.

“Eu espero que o Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos. Ele tem que reavaliar e fazer uma autocrítica de ter sido ingênuo de imaginar que um outro país fosse defender os interesses do nosso país”, afirmou.

O petista também defendeu uma reação conjunta dos paulistas diante das medidas anunciadas por Washington.

“O estado mais afetado pelo tarifaço do Trump é o estado de São Paulo. Mais uma razão para os paulistas estarem unidos em torno dos interesses nacionais contra essa postura agressiva e indesculpável de um governo que está transformando dois países amigos em países hostis um ao outro, sem cabimento”, disse.

Durante a entrevista, Haddad também contestou a investigação aberta pelos Estados Unidos sobre o PIX, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central.

O governo norte-americano alega que o BC favorece o PIX em detrimento de empresas privadas do setor financeiro. Para Haddad, porém, a plataforma atende ao interesse público, é aberta à participação de empresas que cumpram as regras regulatórias e não deve ser privatizada.

“O que o PIX fere a soberania dos Estados Unidos? Nada. PIX não faz mal nenhum para o governo americano. Por que atacar uma tecnologia gratuita? O PIX é uma ameaça aos interesses privados, mas ele é público. Ele está barateando os custos de transação no Brasil. Não vamos privatizar”, afirmou.

A escalada da crise comercial também intensificou o embate político entre governo e oposição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tratado a medida como um ataque à soberania brasileira, enquanto aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentam pressão após manifestações favoráveis a Trump.

São Paulo é o principal exportador brasileiro para os Estados Unidos. Em 2024, o estado vendeu cerca de US$ 13,6 bilhões em produtos ao mercado norte-americano, liderando o ranking nacional. Entre os principais itens que podem ser impactados pelas novas tarifas estão petróleo e derivados, ferro e aço, celulose, café, carnes, calçados, frutas e suco de laranja.

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