Irã escorraça agressores de Ormuz após ataque dos EUA a petroleiros e denuncia violação do cessar-fogo

Vitória no confronto com EUA vai garantir a passagem dos navios pelo Estreito de Ormuz, afirma Guarda Revolucionária do Irã (Vídeo da Euro News)

O porta-voz do Quartel-General Central do Irã, Ebrahim Zolfaghari, acusou nesta quinta-feira (7) os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo ao atacarem dois navios iranianos e diversas áreas civis.

“O exército invasor, terrorista e bandido dos EUA, violando o cessar-fogo, atacou um petroleiro iraniano que viajava das águas costeiras iranianas na área de Jask em direção ao Estreito de Ormuz, bem como outra embarcação que entrava no estreito perto do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.”

O porta-voz denunciou que as forças norte-americanas bombardearam “áreas civis nas proximidades dos portos de Khamir, Sirik e da Ilha de Qeshm – esta, a maior ilha iraniana do Golfo Pérsico, onde vivem 150.000 pessoas; também abriga uma usina de dessalinização de água. Explosões foram ouvidas ainda na cidade de Bandar Abbas.

“Os Estados Unidos, criminosos e agressores, e os países que os apoiam devem saber que a República Islâmica do Irã, como no passado, responderá com força e sem a menor hesitação a qualquer agressão e ataque”.

O confronto descrito pelo porta-voz ocorreu após ato de pirataria norte-americana contra um petroleiro iraniano. Após sofrerem danos causados pelo intenso fogo de mísseis iranianos, três navios de guerra norte-americanos foram forçados a fugir em desordem.  

Desde 7 de abril, está em vigor um precário cessar-fogo, em meio ao bloqueio naval norte-americano a portos e navios iranianos e ao controle iraniano da mais estratégica hidrovia do planeta, por onde passa 20% do petróleo e gás, além de fertilizantes e insumos essenciais para a fabricação de chips.

Em 48 horas, como salientou a mídia iraniana, “pereceu o ‘Projeto Liberdade’ de Trump”, a pretensão tomar o Estreito de Ormuz sob o pretexto de escoltar navios paralisados no Golfo Pérsico desde que Washington desencadeou a guerra ao Irã, em traição à diplomacia.

A contundente resposta iraniana à provocação acabou forçando Trump a recuar, com Washington passando a advogar um “memorando de uma página” para estabilizar o conflito, na verdade, uma “lista de desejos” da Casa Branca, sem quaisquer garantias que Teerã exige.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, disse que o Irã está revisando mensagens recebidas do mediador Paquistão, mas “ainda não chegou a uma conclusão, e nenhuma resposta foi dada aos EUA”.

A BATALHA HEROICA DO DIA 6

Um conselheiro da Presidência do parlamento iraniano forneceu um relato detalhado da resposta iraniana em Ormuz, que resultou na humilhante derrota militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, segundo a PressTV.

Em um áudio publicado em seu canal do Telegram, Mehdi Mohammadi disse que a derrota [dos EUA] nas primeiras horas de 6 de maio forçou Trump a interromper abruptamente seu assim chamado “Projeto Liberdade”.

O Irã fechou o Estreito de Ormuz após a agressão não provocada dos EUA-Israel contra a República Islâmica, disse Mohammadi, e teve de ampliar as medidas de controle após Trump impor seu bloqueio desumano a navios e portos iranianos.

Dois dias depois de lançado ‘Projeto Liberdade’, porém, os EUA foram forçados a interromper sua campanha militar na estratégica hidrovia diante da resiliência inabalável do Irã contra a pirataria americana e as ameaças à sua segurança marítima.

“Naquela noite, da meia-noite ao amanhecer, travamos uma batalha heroica na defesa do Estreito de Ormuz”, disse Mohammadi. “A Marinha do IRGC e a Marinha do Exército lutaram lado a lado até a manhã seguinte”.

Ele acrescentou que os EUA criaram um grande guarda-chuva de vigilância aérea sobre o Estreito de Ormuz e tentaram mover um número significativo de navios de combate do Mar de Omã para o estreito e depois para o Golfo Pérsico.

PESADA DERROTA

O confronto subsequente se transformou em um grande desastre militar para os Estados Unidos, com as forças norte-americanas sofrendo uma “pesada derrota” nas mãos da Marinha do IRGC.

“Quatro de suas embarcações foram efetivamente inutilizadas”, disse ele. “Duas de suas embarcações que tentaram se abrigar atrás da Ilha Abu Musa encalharam em rochas costeiras.”

Mohammadi observou que os EUA entraram no confronto buscando uma vitória e reabrir o Estreito de Ormuz, mas sofreram uma derrota militar catastrófica.

“Às 5 da manhã, Trump foi forçado a tuitar que estava interrompendo o Projeto Liberdade”, disse ele.

Ele acrescentou que qualquer pessoa razoável entenderia que nenhum evento diplomático ocorreu às 5h ou à meia-noite em Islamabad, chamando a explicação de Trump sobre o assunto de falsa.

“A realidade é que eles pretendiam reabrir o Estreito de Ormuz por meios militares, mas falharam”, escreveu Mohammadi.

NOVA AGÊNCIA IRANIANA IRÁ ATENDER O ESTREITO DE ORMUZ

O Irã criou uma agência governamental para fiscalizar e taxar embarcações que buscam passar pelo crucial Estreito de Ormuz, informou uma empresa de dados marítimos na quinta-feira, enquanto a Guarda Islâmica Revolucionária afirmava que permitirá um trânsito ‘seguro e estável’ via Ormuz “com as ameaças agressoras neutralizadas”.

A Marinha do IRGC afirmou em uma postagem em sua conta X na quarta-feira que observou um bom nível de conformidade com suas regulamentações por parte de empresas de navegação e funcionários que buscam transitar pelo Estreito de Ormuz.

“Agradecemos aos capitães e armadores do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã por cumprirem as regulamentações do Estreito de Ormuz do Irã e por contribuírem para a segurança marítima regional. Com as ameaças do agressor neutralizadas e novos protocolos em vigor, a passagem segura e estável pela SOH será garantida”, disse a publicação.

Fontes disseram à Press TV na terça-feira que o Irã estava introduzindo um novo mecanismo permitindo que navios passem por corredores designados no Estreito de Ormuz. Navios que pretendem passar pelo Estreito de Ormuz devem enviar e-mails info@PGSA.ir.

Os pontos mais importantes considerados no mecanismo de trânsito: 1) Prioridade de pagamento na moeda nacional iraniana; 2) Emissão de garantias em bancos iranianos; 3) Se um país causou danos ao Irã na recente guerra, deve primeiro pagar os danos antes de obter uma permissão de passagem. Países que sancionaram o Irã ou bloquearam o dinheiro iraniano não têm permissão para a passagem; 4) O título correto “Golfo Pérsico” deve estar escrito em todos os documentos; e 5) O descumprimento do acima resultará em apreensão e multa de 20% do valor da carga.

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