Irã reabre o Estreito de Ormuz após início do cessar-fogo no Líbano

Com Ormuz aberto, petroleiros e cargueiros começam a cruzá-lo (BBC)

O Irã reabriu o Estreito de Ormuz à navegação comercial nesta sexta-feira (17), após o governo Trump cumprir sua parte do acordo de cessar-fogo, estendendo-o ao Líbano, apesar da contrariedade de Israel. A estratégica hidrovia por onde passa 20% do petróleo, gás e fertilizantes comercializado no mundo continuará aberto enquanto o cessar-fogo não expirar. Trump anunciou um cessar-fogo de 10 dias no Líbano.

A reabertura foi confirmada pelo Ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, que enfatizou que as operações marítimas serão retomadas com segurança sob supervisão iraniana.

“Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todos os navios mercantes pelo Estreito de Ormuz está declarada totalmente aberta durante o restante do período de cessar-fogo [entre o Irã e os EUA]”, anunciou Araqchi em sua conta no Google.

Ele especificou que os navios continuarão a usar a rota “coordenada e já anunciada” pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos do Irã. A passagem de embarcações militares pelo Estreito de Ormuz continua proibida.

Depois de fracassarem em sua guerra não provocada contra o Irã, que pretendia decapitar a revolução iraniana, instalar um fantoche, retomar o petróleo e eliminar a resistência no Golfo ao ‘Grande Israel’ e ao genocídio de palestinos, sob o que o governo Trump considerou uma “surpreendente resistência” do Irã, relembrando o atoleiro do Vietnã, em 8 de abril a Casa Branca aceitou formalmente a proposta de 10 pontos do Irã como base para um cessar-fogo permanente.

Uma das condições impostas por Teerã, e reiterada pelo mediador Paquistão, foi o cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano. Washington inicialmente aceitou o plano antes de recuar após intensa pressão de Israel. No mesmo dia, Israel iniciou um massacre em todo o Líbano, matando mais de 300 pessoas.

Com o Irã se recusando a abrir mão da extensão do cessar-fogo ao Líbano,  finalmente Trump anunciou ontem à noite, durante um discurso na Casa Branca, a trégua , que entrou em vigor à meia-noite no Líbano, para consternação geral no regime genocida de Tel Aviv.

O Estreito havia sido efetivamente bloqueado para embarcações ligadas aos agressores e àqueles que cooperavam com eles, uma manobra estratégica de Teerã destinada a manter a segurança na via navegável durante a implacável agressão EUA-Israel que começou em 28 de fevereiro e continuou por 40 dias.

Esta semana, o FMI lançou uma advertência sobre as consequências para a economia mundial do maior choque de escassez de petróleo desde os anos 1970, cujo efeito mais imediato é a carestia do gás e petróleo e a redução do crescimento.

Durante os 40 dias de agressão americano-israelense, as forças armadas iranianas demonstraram notáveis capacidades defensivas, desencadeando 100 ondas de ataques retaliatórios bem-sucedidos contra alvos sensíveis e estratégicos americanos e israelenses em toda a região, entre os quais, os radares estratégicos americanos destruídos, o vazado ex-Domo agora Peneira de Ferro, o abate desde o F-35 ‘furtivo’ até um avião-radar E-3 Sentry – além da bizarra fuga do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, sob a alegação de “incêndio na lavanderia”.

Para analistas, a reabertura do Estreito é uma grande vitória diplomática para Teerã. Na véspera, uma delegação paquistanesa de alto escalão realizou reuniões com autoridades iranianas. Segundo relatos, eles levaram uma mensagem dos EUA em meio a tentativas de coordenar uma segunda rodada de negociações entre Teerã e Washington.

A primeira rodada de negociações na semana passada terminou sem um resultado concreto devido às exigências excessivas de Washington. O momento e o local da próxima rodada de negociações ainda não foram confirmados.

Mais tarde nesta sexta-feira, a agência de notícias iraniana, citando uma fonte, divulgou a advertência de que o Irã poderia voltar a fechar o Estreito de Ormuz, o presidente Trump insista, como andou postando nas redes sociais, em manter o bloqueio naval.

Em uma postagem na sua rede Truth Social, Trump disse que só iria acabar com o bloqueio naval depois que as negociações com o Irã estiverem “100% concluídas”, mas que o estreito “está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego”.

Em um post no Telegram, com um print do que foi escrito por Trump, a agência iraniana chamou a decisão do americano de “chantagem”. Minutos antes, o presidente dos EUA havia adotado um tom mais conciliador, agradecendo ao regime iraniano pela decisão tomada.

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