O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, deu uma resposta serena, mas resoluta, às mais recentes alegações provocativas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Estreito de Ormuz, reafirmando que a República Islâmica do Irã sempre foi, e para sempre permanecerá, o verdadeiro e legítimo guardião dessa vital via navegável internacional – por onde transitam 20% do petróleo e gás do planeta e 30% dos fertilizantes.
Em uma postagem nas redes sociais na segunda-feira (13), Araghchi abordou o anúncio de Trump de que os Estados Unidos se declarariam unilateralmente o “Guardião do Estreito de Ormuz” e exigiriam 20% sobre toda carga que por ali passasse.
“O Irã sempre foi o GUARDIÃO do Estreito e continuará sendo assim PARA SEMPRE”, sublinhou o chanceler iraniano, observando, porém, que em um ponto Trump estava “absolutamente certo”. “Quem garantir a passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz deve ser compensado por esse serviço.”
“20% é, claro, demais”, acrescentou Araghchi, ridicularizando a pretensão do especulador imobiliário e de criptomoedas atualmente no poder na Casa Branca. “Seremos justos”.
A provocação de Trump e a resposta do chanceler iraniano ocorrem em meio aos confrontos no Estreito de Ormuz após os EUA rasgarem o memorando de entendimento e cessar-fogo de trinta dias para chegar a um acordo final em 60 dias, conforme mediou o Paquistão.
Os EUA bombardearam as regiões costeiras do sul do Irã e outras áreas, e em retaliação Teerã atacou duramente as bases americanas no Barhein, Kuwait, Jordânia e Catar.
Pelas redes sociais, Trump proclamara os EUA como guardião do estreito e anunciara o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos no domingo (12). “O Estreito de Ormuz é ABERTO e continuará ABERTO, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o BLOQUEIO IRANIANO.”
“Os EUA serão, a partir de agora, conhecidos como ‘OS GUARDIÕES DO ESTREITO DE ORMUZ’, mas, como tal, e por JUSTIÇA, serão reembolsados, à taxa de 20% sobre toda carga embarcada, por quaisquer custos necessários para cumprir o trabalho de garantir segurança e proteção a essa seção tão volátil do mundo. O processo e a formação começarão imediatamente.”
Como denunciou a Press TV, ao interferir no Golfo Pérsico Washington “busca militarizar e monetizar uma via navegável cuja segurança há muito é mantida pelas forças iranianas por meio de uma gestão responsável e cooperação regional”.
“Autoridades iranianas veem a exigência de 20% de pedágio de Trump nada menos que extorsão econômica e uma tentativa ilegal de minar os direitos soberanos do Irã.”
“O Estreito de Ormuz está em águas territoriais iranianas e historicamente foi protegido pela República Islâmica contra pirataria, agressão e aventureirismo estrangeiro, garantindo passagem segura para navegação internacional legítima sem impor taxas pesadas à economia global.”
Como verdadeiro guardião do Estreito de Ormuz – reitera a publicação -, o Irã tem “consistentemente priorizado a estabilidade, a liberdade de navegação para o comércio pacífico e os interesses das nações dependentes de energia em todo o mundo. Tentativas estrangeiras de assumir esse papel por meio de bloqueios e pedágios só expõem ambições hegemônicas que ameaçam a segurança energética global e a paz regional”.
PARÁGRAFO CINCO
De acordo com o parágrafo 5 do memorando de entendimento, assinado no dia 17 de junho sob mediação do Paquistão, “a República Islâmica do Irã fará os melhores preparativos para a passagem segura de embarcações comerciais, sem cobrança, por apenas 60 dias, do Golfo Pérsico ao Mar de Omã”, nada dizendo sobre os EUA ou outro país do Golfo Pérsico.
Consoante com essa redação,o Irã estabeleceu os protocolos da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) e o trânsito de navios mercantes pelo Estreito vinha se normalizando, até Washington interferir abertamente, violando o memorando, forçando o Irã a reagir para deter a intromissão.
A provocação em Ormuz também busca ofuscar a impressionante despedida do povo iraniano ao assassinado líder supremo Ali Khamenei nas maiores cerimônias fúnebres deste século, nas ruas de Teerã, Qom, Najaf, Karbala e Mashhad, que por si só desmentem todas as mentiras assacadas contra a República Islâmica e atestam o fracasso da tentativa de decapitação e submissão do país. E com milhões jurando lealdade à revolução e ao novo líder supremo, seu filho: “à sua disposição, Mojtaba Khamenei!”.
Até mesmo Trump, em um determinado momento, se viu forçado a admitir ao portal Axios que estava “chocado” com o funeral de Khamenei por achar que o iraniano era “odiado”. Nos funerais, o povo iraniano deixou patente, perante o mundo inteiro, que quem é odiado é Trump e seu comparsa de crimes de guerra e contra a humanidade, Netanyahu.
CRISE PRESTES A CHEGAR AO ESTREITO DE BAB AL-MANDEB
Um alto funcionário do Iêmen alertou que as forças armadas do país estão preparadas para fechar o Estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, a caminho do Canal de Suez, o que faria os preços do petróleo dispararem para 200 dólares por barril, caso a Arábia Saudita persista em sua agressão contra a infraestrutura crítica do Iêmen.
12% do petróleo e gás exportado no mundo passam por ali, o que, somado aos 20% do petróleo que passam pelo Estreito de Ormuz, agrava intensamente a crise global de energia.
“Se a situação atual se agravar, o Estreito de Bab al-Mandeb e o Estreito de Ormuz serão fechados em uma aliança operacional. Os preços do petróleo então disparariam para $200 o barril, em um choque terrível”, disse Mohammed al-Farah, membro do bureau político do movimento de resistência Ansarullah. Ele denunciou que Washington está provocando o regime de Riad a atacar o Iêmen.
O Estreito de Bab al-Mandeb é um ponto vital de estrangulamento marítimo que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, canalizando o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez. No ponto mais estreito, com apenas 29 quilômetros de largura, restringe o movimento das embarcações a duas faixas para tráfego de entrada e saída.
As autoridades iemenitas responsabilizaram os Estados Unidos e a Arábia Saudita pela nova onda de agressão e cerco contra a nação iemenita, e pelo bombardeio do aeroporto de Sana’a e outras instalações civis, após um período de desescalada.
O bombardeio saudita ao Aeroporto Internacional de Sana’a foi condenado pelo Irã, que advertiu sobre o desmanche do cessar-fogo de quatro anos no Iêmen. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, denunciou o ataque como uma “flagrante violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, bem como desrespeito à soberania nacional e à integridade territorial do Iêmen.”
Ele ainda afirmou que o ataque vai contra os esforços visados para estabelecer paz e estabilidade e é inconsistente com o acordo de trégua de 2022 e os acordos subsequentes destinados a evitar uma escalada maior.
Baghaei também afirmou a prontidão da República Islâmica para fornecer qualquer assistência necessária para avançar no processo político no Iêmen e implementar o roteiro voltado para alcançar paz e estabilidade duradouras lá.
HUMILHAÇÃO E DESESPERO MAIORES AGUARDAM OS EUA
A força de elite dos militares iranianos, o Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC) advertiu que Washington se verá diante de uma “humilhação e desespero maiores” do que no passado em resposta à nova escalada.
“Assim como reduzimos as ambições delirantes dos líderes americanos no início de sua agressão à mera reabertura do Estreito de Ormuz, em sua mais recente vilania os arrastaremos para uma humilhação e desespero maiores do que nunca”, disse o porta-voz do IRGC, general de brigada Hossein Mohebi.
Em postagem no X, Mohebi observou que os EUA devem ser responsabilizados por colocar seriamente em risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás ao intervir no Estreito de Ormuz, um ponto crítico de estrangulamento energético.
“Continuamos a afirmar soberania e gestão sobre o Estreito de Ormuz com total força e poder, e obrigaremos estrangeiros e seus aliados a se submeterem à vontade da nação iraniana”, acrescentou.
O Irã restringiu o trânsito pelo Estreito de Ormuz desde os primeiros dias da guerra ilegal de agressão entre EUA e Israel, que começou em 28 de fevereiro e foi interrompida sob um cessar-fogo no início de abril, em meio à corajosa resistência e às operações de retaliação bem-sucedidas da República Islâmica.
Agora, Teerã declarou o Estreito de Ormuz fechado “até novo aviso” e pelo menos até “o fim da interferência dos EUA na região.” O Irã enfatizou repetidamente que a via navegável nunca retornará às condições pré-guerra e que será administrada pelo país de acordo com o direito internacional.
No sábado, o chanceler Araghchi se reuniu em Omã com seu homólogo, Badr Albusaidi, em Mascate, para avançar na definição dos mecanismos de administração das rotas de Ormuz, a ser feita exclusivamente por ambos os países.
Com informações da Press TV











