Irã revida ataque dos EUA bombardeando sede da 5ª Frota e duas bases aéreas do Golfo

Mísseis atingem sede da 5ª Frota dos EUA

Golfo Pérsico para sempre: “apesar de suas derrotas no campo de batalha, EUA optou por testar nossa determinação”, afirmou o chanceler Araghchi

Sob a dúbia alegação de que um helicóptero Apache teria sido derrubado no Estreito de Ormuz na véspera, o regime Trump desencadeou um ataque na noite de terça-feira (9) contra o sul do Irã, bombardeando o porto de Bandar Abbas, Jask, a ilha de Qeshm, Sirik e Minab. O Irã já revidou, com ataques com mísseis e drones contra a sede da 5ª Frota e duas bases aéreas dos EUA no Golfo.

O revide já começou, segundo anúncio da Guarda Revolucionária Islâmica, com a mídia iraniana apontando como primeiro alvo a sede da 5ª Frota norte-americana no Bahrein, já bastante danificada na fase anterior da guerra de agressão desencadeada pelo eixo  EUA-Israel.

A retaliação concretiza a advertência do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, os dois principais negociadores iranianos, de que qualquer ataque ou ameaça “não ficará sem resposta”. Aliás, como ocorrera no final de semana, em relação à investida nazi-israelense contra o Líbano.

Sobre o novo confronto em Ormuz, Araghchi postou uma imagem do estreito com a legenda “Golfo Pérsico para Sempre”, e apontando que “apesar de suas derrotas no campo de batalha, os EUA optaram por testar nossa determinação.”

“Deixe nossa região se quiser estar seguro. História do Golfo Pérsico tem muitos capítulos sobre destinos terríveis de forasteiros intrusos.”

No comunicado de conclusão do bombardeio ao sul do Irã, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) alegou que a operação seria “uma resposta proporcional aos recentes ataques contra forças dos EUA e navios comerciais internacionais que transitavam por águas regionais.”

Prometeu, ainda, e da forma mais cínica, permanecer “vigilante” e preparado para se defender contra a “agressão iraniana injustificada.” Como todos sabem, injustificada é a guerra de agressão desencadeada em meio negociações em Genebra, buscando decapitar a liderança do país, impor um fantoche e assaltar o petróleo. E o Estreito de Ormuz estava aberto, e foi a agressão americano-israelense que provocou seu fechamento.

Qalibaf reiterou que o Irã está pronto para falar a linguagem da diplomacia ou a das armas. “Escolha o cavalo que você quer selar”, disse Qalibaf, em postagem dirigida ao próprio Trump.

Cinco horas antes do início do bombardeio ao sul do Irã, Trump publicara na sua rede Truth Social que os EUA “devem, por necessidade, responder a este ataque”.

Curiosamente, também na véspera, respondendo a um jornalista que perguntara se os EUA iriam participar da reconstrução do Irã, Trump exibira sua ideia fixa de ficar com “metade do petróleo”.

JABUTI NA FORQUILHA

O pretexto para o ataque norte-americano está muito mal explicado. Trump chegara a dizer ao Wall Street Journal  que a queda do Apache “não foi grande coisa” e que “os pilotos estão bem”. A Centcom também havia postado nas redes sociais que o acidente estava “sob investigação”. Posteriormente veio a informação de que o resgate dos pilotos havia sido feito por um drone.

Agora, a Associated Press está relatando que o Apache caiu na costa de Omã após colidir com um drone iraniano, citando um oficial dos EUA. A agência de notícias acrescenta que não está claro se a colisão foi intencional.

Já de acordo com a mídia estatal iraniana, nenhuma operação aérea-militar ocorreu no estreito de Ormuz nas últimas 24 horas. O que implica que o Irã não abateu o helicóptero militar dos EUA.

ORMUZ

Na véspera, o chanceler Araghchi observara que o estreito de Ormuz nunca foi hospitaleiro à presença hostil, istando as forças estrangeiras a sair, e reafirmando o devido referencial para a discussão, imprescindível, sobre a reabertura do estratégico estreito e fim do bloqueio naval norte-americano ao Irã.

“O Estreito de Ormuz NÃO é águas internacionais, mas sim compartilhado entre Irã e Omã, e está localizado a milhares de quilômetros das costas dos EUA. As fronteiras marítimas são cristalinas”, comentou o principal diplomata em um comunicado no X na terça-feira.

A publicação incluiu um mapa do ponto de estrangulamento que delineia claramente os contornos que marcam a participação de cada estado litorâneo do Golfo Pérsico nas águas regionais, além de refletir a soberania do Irã e de Omã sobre a via navegável.

“Nossas Forças Armadas Poderosas estão em alerta constante para qualquer violação do espaço aéreo, terrestre ou marítima do Irã. Forças estrangeiras próximas ao nosso território estão em risco constante devido a seus próprios erros humanos, acidentes simples ou potencialmente serem pegos em fogo cruzado”, acrescentou o ministro das Relações Exteriores.

“Para reduzir riscos, a melhor solução é que as forças estrangeiras saiam, o mais rápido possível, de um ambiente que nunca será hospitaleiro para uma presença hostil.”

Araghchi ressaltou que a República Islâmica prefere “a linguagem da diplomacia, mas suas Forças Armadas demonstraram indiscutivelmente, ao longo de vários episódios de agressão estrangeira contra o país, que ‘sabemos falar outros idiomas também’”.

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