Justiça volta a barrar uso de bens públicos para tapar rombo no BRB causado por Ibaneis

Ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. (Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil)

De acordo com o desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Rômulo de Araújo Mendes, a lei pró-Master de Ibaneis “tem potencial evidente para afetar diversos serviços públicos essenciais”

A Justiça do Distrito Federal voltou a suspender, na quinta-feira (23), a lei que utiliza prédios e outros bens públicos para tentar salvar o Banco de Brasília (BRB) do buraco que foi criado pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB) ao envolvê-lo no esquema do Banco Master.

Na avaliação do desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Rômulo de Araújo Mendes, a lei pró-Master de Ibaneis “tem potencial evidente para afetar diversos serviços públicos essenciais”.

Isso porque ela prevê o uso de nove imóveis públicos, que são propriedade das estatais Terracap, CEB e Caesb, como parte de operações de capitalização do BRB.

A decisão do desembargador suspende os trechos da lei que permitem o uso de bens públicos para capitalizar o BRB, listam os imóveis que seriam utilizados na operação e permitem ao governo do DF realizar operações com eles.

O governo do bolsonarista Ibaneis Rocha colocou dinheiro do BRB em falsos papéis financeiros do Banco Master sem lastro e sem garantias, deixando o banco estatal com um rombo.

Agora, querem colocar imóveis públicos como garantia em novas operações financeiras.

Segundo uma auditoria contratada pela nova gestão, foram R$ 13,3 bilhões em carteiras de crédito que eram “total ou majoritariamente desprovidas de lastro”.

Um montante maior do banco público, que chegaria a, pelo menos, R$ 25 bilhões, só não foi perdido porque o governo Ibaneis foi impedido pela Justiça de comprar o Banco Master.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal revelaram que Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, que presidiu o BRB por indicação de Ibaneis Rocha, recebia propina de Daniel Vorcaro, dono do Master, enquanto colocava dinheiro público no esquema criminoso.

Paulo Henrique Costa recebeu R$ 146 milhões por meio de imóveis. Para esconder o pagamento, Daniel Vorcaro criou empresas de fachada que receberam “investimentos” do Master para comprar os imóveis.

Quando tentava fazer com que o BRB comprasse o Master, Paulo falou para Vorcaro que o governador Ibaneis Rocha “me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas”.

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