‘KN’ contrata Starlink de Musk, ídolo de Flávio, para transmitir resultados das urnas

O bolsonarista ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE (Foto: Luiz Roberto - TSE)

Contratação de empresa do bilionário que não esconde preferência pelo candidato da extrema-direita no país ocorre no momento em que a corte é presidida por Kássio Nunes, indicado por Bolsonaro ao STF e o chefe da “turma do KN”

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve usar a rede de satélites da Starlink, do arquibilionário norte-americano Elon Musk, para a transmissão dos resultados das urnas eletrônicas em locais de votação remotos que não possuem estrutura convencional de telecomunicações.

A medida é, no mínimo, temerária, pois a corte suprema da justiça eleitoral, hoje, pelas regras de revezamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), é presidida pelo ministro Kássio Nunes (indicado por Bolsonaro), conhecido, ultimamente, por medidas que beneficiaram o candidato do clã à Presidência da
República, afora as relações estreitas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, considerado “irmão” por Flávio Bolsonaro, especialmente no momento em que pediu rios de dinheiro para financiar a produção da cinebiografia do pai, Jair.

Do outro lado do balcão, a empresa de Musk, um dos maiores doadores da campanha de Donald Trump nas últimas eleições presidenciais americanas, que não escondeu, muito recentemente, grande entusiasmo quando ao receber a notícia de que Flávio Bolsonaro tem chances – hoje cada vez menores – de conquistar o poder central no Brasil.

Alguns irão dizer que “o c… nada tem a ver com as calças”. No entanto, em tempos sombrios como os contaminados pelo bolsonarismo, ávido por atender ao atual inquilino da Casa Branca, é preciso muita vigilância numa operação relacionada diretamente com a soberania do voto popular em nosso país, especialmente nessas regiões mais distantes.

Segundo explica a corte, a medida é fruto de um edital lançado em março deste ano, que contratou a empresa Hughes Telecomunicações do Brasil para operar os terminais.

Ao todo, serão disponibilizadas até 1.113 antenas da Starlink distribuídas por 13 estados brasileiros.

Já a logística de distribuição dos terminais e a definição dos colégios eleitorais contemplados ficarão a cargo de cada Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Os dados do TSE ainda mostram que o maior volume de antenas da Starlink deve ser usado na Região Norte, com destaque para o Amazonas e Pará, que receberão 350 terminais cada.

Já Mato Grosso contará com 117 unidades, seguido pelo Acre com 91, enquanto Maranhão e Roraima receberão 60 terminais cada. Outros estados agraciados incluem Amapá, Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí, Bahia, Paraná e São Paulo.

Nesses locais atendidos pela conexão via satélite, o processo de envio dos votos seguirá o mesmo padrão de áreas com internet convencional, sendo que os arquivos são criptografados e possuem assinatura digital.

“TURMA DO KN”

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro mostram que assessores do banqueiro utilizavam a expressão “Turma do KN” para se referir ao desembargador Newton Ramos e à advogada Camilla Ramos. Segundo as reportagens que tiveram acesso ao material, “KN” fazia referência, portanto, a Kassio Nunes Marques.

Uma das mensagens registra pedido atribuído ao desembargador: “Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária.” Vorcaro respondeu: “Pode botar na minha conta.”

Em outra conversa, o assessor pergunta a Vorcaro se poderia incluir 6 nomes indicados pela “turma do KN” na lista de camarote. Há ainda registro de pedido de reserva no Fasano Itaim, com autorização para que a despesa fosse faturada para empresa ligada ao banqueiro.

Um contrato de advocacia com honorários potenciais de R$ 427 milhões expôs a relação entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e pessoas do entorno do ministro Kassio Nunes Marques.

O documento, localizado no material apreendido pela Polícia Federal e encaminhado ao Supremo, prevê honorários de 5% sobre os valores recebidos pelo Banco Master em 12 processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro.

Contrato de êxito envolvendo 12 ações poderia render R$ 8,5 bilhões ao Banco Master;

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