Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o presidente questionou as condições de trabalho nos EUA
O presidente Lula criticou nesta quarta-feira (10) os pretextos usados pelos EUA para impor novas tarifas ao Brasil e afirmou que o país não tem obrigação de aceitar as medidas. Ele questionou as justificativas apresentadas pelos americanos para a adoção das medidas comerciais. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o Conselhão.
Lula pediu a elaboração de um levantamento sobre salários e direitos trabalhistas nos Estados Unidos. Ele questionou os critérios utilizados pelas autoridades dos EUA para aplicar sanções comerciais a outros países. “É preciso que vocês me apresentem este estudo urgente do que ganha um trabalhador americano”, declarou. “Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor financeiro não sei das quantas impor multa, impor multa contra o desmatamento”, prosseguiu o presidente.
“Essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos o direito de aceitar por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui com os trabalhadores brasileiros”, acrescentou Lula. O líder brasileiro defendeu a soberania nacional e afirmou que a decisão dos EUA não deve ser recebida passivamente pelo país. Segundo o presidente, a medida afeta diretamente os trabalhadores brasileiros e merece uma resposta baseada no respeito e na dignidade.
Lula também fez referência às críticas ao meio ambiente. “Será que eles não percebem que eles já estão carecas e que nós ainda estamos como jogador, cortando só um pedacinho [de cabelo] aqui do lado?”, acrescentou. O governo dos Estados Unidos anunciou um novo pacote de tarifas contra o Brasil. O documento apresenta uma série de críticas sem nenhuma base ao ambiente regulatório brasileiro.
Entre os pontos levantados pelos norte-americanos está um suposto favorecimento ao sistema de pagamentos PIX. Trump está defendendo, com apoio dos bolsonaros, os superlucros dos cartões da Visa e Mastercard que, ao contrário do PIX cobram taxas e auferem altos ganhos às custas da população brasileira.
Após a divulgação das medidas, o governo brasileiro realizou uma reunião para discutir respostas e contestou as acusações apresentadas pelos Estados Unidos. Entre as críticas feitas por Washington está a avaliação de que o Brasil não estaria atuando de forma suficiente para impedir invasões de terras, o desmatamento e a extração ilegal de madeira.
Em resposta, o governo brasileiro destacou que estabeleceu, desde 2023, a meta de zerar o desmatamento até 2030 e afirmou que os compromissos vêm sendo cumpridos. Segundo dados citados pelo Executivo, o desmatamento na Amazônia Legal já foi reduzido em aproximadamente 50% na comparação com os índices registrados em 2022.
Assista à reunião do Conselhão
Presidente Lula na 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável https://t.co/MwHGtWMKBS
— Lula (@LulaOficial) June 10, 2026











