Lula destina R$ 11 bilhões em ações contra o crime organizado e diz que quer destruir as facções

Presidente Lula em reunião ministerial. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

“Quem não escapou, não escapa mais”, afirmou o presidente, após reunião com Donald Trump. Enquanto isso, os bolsonaristas querem “dosar” e reduzir penas dos bandidos

O presidente Lula está determinado a intervir na melhora da Segurança Pública do país, uma função que atualmente é de responsabilidade dos governos estaduais. O governo anuncia nesta terça-feira (12) um pacote de R$ 11 bilhões no combate ao crime organizado.

A falência da política de Segurança Pública dos bolsonaristas – força que dirige os principais estados brasileiros – está estampada no resultado da pesquisa divulgada no domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que mostra que 61,4% dos brasileiros afirmam que o crime organizado exerce influência moderada ou forte sobre as decisões e regras de convivência de seu bairro.

O governo deve editar um decreto e quatro portarias para regulamentar os seguintes eixos de atuação governamental: enfrentamento ao tráfico de armas; asfixia financeira do crime organizado; aumento das taxas de esclarecimentos de homicídios; e reforço na segurança no sistema prisional.

O decreto propõe ainda a padronização dos registros de homicídios, o compartilhamento de bases de dados e o fortalecimento das polícias científicas e das perícias nos estados para aumentar a taxa de resolução dos homicídios.

O presidente Lula disse que o plano é “destruir o potencial financeiro do crime”. Em entrevista após sua reunião com Donald Trump na semana passada, o presidente disse que as facções estão com os dias contados. “Quem não escapou, não vai escapar mais”, disse Lula. “

“Vamos fazer algumas frentes. Uma delas é a questão financeira. Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Se a gente não destruir, eles hoje viraram em alguns casos empresas multinacionais. Eles estão em vários países, no futebol, na política, empresarial, no poder Judiciário”, denunciou o presidente.

O governo quer também aprovar a PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional para aumentar a presença da União no combate aos criminosos que atormentam os brasileiros. Os governadores bolsonaristas, alguns deles com ligações com o crime organizado, sabotam de todas as formas as medidas do governo federal e a aprovação da PEC da Segurança Pública.

As medidas que serão anunciadas na terça de combate ao crime precisam que os estados adiram às propostas para terem acesso ao recursos provenientes dos fundos federais. Rio e São Paulo têm resistido a unificar as forças para combater as facções. O governador cassado do Rio, o bolsonarista Cláudio Castro, por exemplo, fazia isso porque – agora é público – tinha como vice Rodrigo Bacellar, preso por ligações com o Comando Vermelho.

Todo o bolsonarismo tem ligações com as milícias e com o crime organizado. Flávio Bolsonaro, escalado para substituir o presidiário Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe, na eleição presidencial, tinha Rodrigo Bacellar como grande aliado e seu candidato a suceder Castro. Ele indicou também nomes ligados ao Comando Vermelho para o governo do Rio. São eles, Alessandro Pitombeira Carracena, para a Secretaria de Esportes e Gutemberg Fonseca para a Secretaria de Defesa do Consumidor. Os dois foram presos por ajudarem o Comando Vermelho a escapar de operações da PF.

Não foi por outro motivo que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apoiador de Jair Bolsonaro, encarregou seu secretário de segurança, o deputado Guilherme Derrite, para sabotar a Lei antifacção apresentada pelo governo Lula. Ele foi nomeado relator do projeto e fez de tudo para enfraquecer a Polícia Federal no combate ao crime organizado. Tentou estrangular financeiramente a instituição e buscou dificultar a apreensão de bens dos criminosos. Várias das medidas pró-crime de Derrite felizmente foram derrubadas no Senado.

É também bastante sintomático que, no momento em que o governo federal anuncia os R$ 11 bilhões de investimento no combate ao crime, que apresenta propostas de ação conjunta contra o crime aos EUA, especificamente para o combate ao contrabando de armas e lavagem de dinheiro, os bolsonaristas estão empenhados apenas em aliviar penas para bandidos e golpistas. Eles derrubaram um veto do presidente Lula a uma lei de “dosimetria”, que reduz as penas de criminosos. Agora eles estão querendo ressuscitar a lei da impunidade geral. Ou seja, enquanto Lula quer combater o crime, o bolsonarismo faz de tudo para defender os criminosos.

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