Marinha incorpora Fragata Tamandaré em defesa da soberania do Brasil e da Amazônia Azul

Fragata Tamandaré na Baía de Guanabara. (Foto: Marinha do Brasil)

“É absolutamente imprescindível que se tenha a capacidade de monitoramento e a proteção dos recursos que essa área abriga, recursos voltados para a energia, alimentos, minerais, terras raras… E não podemos entender que isso não é objeto de cobiça de terceiros”, declarou o Comandante da Marinha do Brasil, Marcos Sampaio Olsen

A Marinha do Brasil incorporou nesta sexta-feira (24) a Fragata Tamandaré (F200), primeiro navio desta classe construído no território nacional, a mais moderna embarcação da América Latina. A fragata é a primeira de quatro unidades previstas no Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), voltado ao fortalecimento do setor naval e sua capacidade de defesa do país.

“É absolutamente imprescindível que se tenha a capacidade de monitoramento e a proteção dos recursos que essa área abriga, recursos voltados para a energia, alimentos, minerais, terras raras… E não podemos entender que isso não é objeto de cobiça de terceiros”, declarou o Comandante da Marinha do Brasil, Marcos Sampaio Olsen, durante a Cerimônia de Mostra de Armamento realizada nesta sexta-feira no Rio de Janeiro..

O programa visa a modernização da esquadra e ampliação da capacidade produtiva do setor naval brasileiro, gerando empregos qualificados no país. A embarcação é a primeira deste tipo a ser construída no Brasil, com mão de obra local e transferência de tecnologia alemã.

As Fragatas Classe “Tamandaré” são consideradas estratégicas para as atividades de controle e monitoramento da área marítima sob jurisdição brasileira, conhecida como Amazônia Azul, que abrange mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.

De acordo com a Marinha, os navios também contribuem para o apoio à política externa brasileira e para a presença naval em áreas de interesse estratégico, reafirmando o compromisso da Marinha do Brasil com a defesa da soberania nacional e a segurança marítima.

Entre os dias 9 e 13 de abril, a Marinha do Brasil já havia realizado os testes de armas com o navio na área marítima de Cabo Frio (RJ). De acordo com a Marinha, foram conduzidos tiros com canhão de 76mm sobre alvo testes, do tipo “Killer Tomato”- um alvo inflável utilizado para simular contatos de superfície – e lançamento de torpedo. Essa etapa é considerada importante na certificação dos sistemas de combate da unidade.

O Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Eduardo Machado Vazquez, declarou que esse dia era de orgulho para os brasileiros. “Nós estamos renovando o Poder Naval com a nossa indústria, isso é um fato marcante. É uma conquista de todos nós, marinheiros e não marinheiros, todos que amamos a nossa pátria. Dentro desse espírito de comprometimento total, a “Tamandaré” chega para mudar a história da Marinha. Hoje é um momento histórico para a Marinha e para o País”, destacou.

“Temos o papel central na proteção da nossa Amazônia Azul. Essas fragatas serão essenciais para o monitoramento e controle do espaço marítimo, para a defesa das ilhas oceânicas, para proteção de estruturas críticas e para salvaguarda das comunicações marítimas de interesse nacional. Nessa segunda-feira [13 de abril], após a atracação, iniciamos oficialmente a nossa história na Esquadra brasileira e, em breve, estaremos prontos para cumprir qualquer missão que seja atribuída ao navio”, enfatizou o Comandante da F200, Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé.

A construção das embarcações ocorre na TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), com alto nível de complexidade tecnológica e transferência de tecnologia e conhecimento para o país. A embarcação será destinada ao monitoramento do espaço marítimo, à defesa de ilhas oceânicas, à proteção de estruturas estratégicas e à segurança das rotas de comunicação marítima.

“O navio possui sensores com alta capacidade de detecção e acompanhamento de contatos, destaca-se o radar de busca volumétrica – principal sensor do navio para contatos acima d’água, como embarcações a longas distâncias, aeronaves e drones. Outra gama de sensores do qual o navio é dotado são os de monitoramento de guerra eletrônica. Com eles, a F200 consegue monitorar emissões eletromagnéticas e de radiofrequência. Isso permite uma consciência situacional mais aprimorada e uma detecção maior na antecipação desses contatos”, destacou o Chefe de Operações da Fragata “Tamandaré”, o Capitão de Corveta Tiago Lino Henriques.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) está sendo conduzido pela Marinha do Brasil, junto com a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), que gerencia o projeto, e Águas Azuis – sociedade de propósito específico formada pelas empresas TKMS, Embraer e Atech – que atua na execução.

A Usiminas fornece aço plano para as embarcações. Cada embarcação utiliza cerca de 1.300 toneladas de aço plano, incluindo chapas grossas produzidas em Ipatinga (NG) e bobinas laminadas a quente fabricadas em Cubatão (SP).

De acorpo com a Marinha do Brasil, a incorporação do navio ocorre em um contexto geopolítico marcado pela crescente importância da proteção das rotas marítimas, das infraestruturas críticas e das Águas Jurisdicionais Brasileiras. Nesse cenário, a ampliação das capacidades navais reforça a presença do Brasil no mar e contribui para a dissuasão e a proteção dos interesses nacionais.

A Fragata “Tamandaré” – em homenagem ao Almirante Tamandaré, patrono da Marinha no Brasil -, conta com um sistema de combate que reúne dados de diversos sensores, como o radar de busca volumétrica, capaz de detectar embarcações, aeronaves e drones a longas distâncias, e sistemas de guerra eletrônica, que monitoram emissões eletromagnéticas e contribuem para a detecção de ameaças.

Essas capacidades são integradas pelo Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS), desenvolvido em parceria entre a brasileira Atech e a alemã Atlas Elektronik GmbH. O sistema processa dados de sensores e armamentos, utilizando algoritmos avançados para identificar, classificar ameaças e sugerir a melhor resposta tática, apoiando o processo decisório a bordo, informou a Marinha.

Além da F200, outros três navios estão sendo construídos concomitantemente no estaleiro: As Fragatas “Jerônimo de Albuquerque” (F201), “Cunha Moreira” (F202) e “Mariz e Barros” (F203).

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