Problemas reais e graves estão sendo misturados com interesses eleitorais e econômicos, objetivos estrangeiros e até ódios pessoais”, escreveu o ministro
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou neste domingo (6) o que classificou como uso eleitoral da crise enfrentada pela Corte e afirmou que problemas “reais e graves” do Judiciário estão sendo misturados a interesses políticos, econômicos e estrangeiros.
“Tenho visto isso no atabalhoado debate sobre o Poder Judiciário. Problemas reais e graves estão sendo misturados com interesses eleitorais e econômicos, objetivos estrangeiros e até ódios pessoais”, escreveu o ministro, em suas redes sociais. O alerte em fundamento porque o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio e o próprio Donald Trump têm articulado elementos fascistas ligados a Bolsonaro para tentar desestabilizar a Justiça e as eleições brasileiras.
A crise, forjada a menos de um mês das eleições, interessa ao bolsonarismo e à extrema-direita americana. Ela se agravou com as atitudes do ministro André Mendonça que vem acobertando os crimes de Flávio Bolsonaro e decidiu conduzir de forma completamente parcial os inquéritos sob sua responsabilidade. Ele deixou de encaminhar as denúncias abarrotadas de provas da negociata criminosa de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro e abriu três inquéritos contra o filho do presidente Lula sem que houvesse nada de concreto contra ele.
O acobertamento conduzido por Mendonça dos crimes de Flávio estava tão escandaloso que o próprio ministro Flávio Dino chegou a pedir que a transferência de R$ 65 milhões de Vorcaro para a Flávio Bolsonaro fosse investigada no inquérito sobre o financiamento pelo Banco Master do filme Dark Horse, relatado por ele. O filme seria o destino para o qual Flávio confessou que iria o dinheiro obtido junto ao banqueiro ladrão. O sanador não prestou conta de nada até agora.
E para agravar o escândalo, na semana passada se descobriu que Flávio recebeu mais R$ 8,5 milhões do banqueiro, dono do Master. O repasse desse dinheiro foi em setembro de 2025, muito tempo depois da data que Flávio disse ter recebido a última parcela do dinheiro do banqueiro. Ele jurou que a última parcela tinha sido e maio de 2025. Foi, portanto, pego em mais uma mentira.
Mas a tentativa de interferência de Mendonça no quadro eleitoral está muito além de só acobertar os crimes do candidato fascista. Ele resolveu atacar integrantes de três instituições ao mesmo tempo. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, o Procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o chefe da Polícia Federal (PGR), Andrei Rodrigues. Nada mais interessante para os planos dos golpistas. Ele Insinuou que todos os acusados tinham relações suspeitas com Daniel Vorcaro. Atropelou todas as normas do Supremo e pediu investigações contra Alexandre de Moraes.
Fabricar uma crise e desestabilizar o STF, um dos baluartes da luta contra o fascismo no Brasil, às vésperas das eleições, visa abrir caminho para o golpismo. Não é por acaso que os bolsonaristas estão chamando atos, como o desta segunda-feira (7), pedindo a cabeça de Alexandre de Moraes e defendendo as ações de André Mendonça. Uma crise que pavimenta as provocações do governo americano contra as eleições brasileiras. Não é, portanto, por outro motivo que Flávio Dino está denunciando a ingerência estrangeira neste episódio.
Imediatamente a PGR pediu a nulidade das decisões de Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes pediu, mediante um relatório da Polícia Federal, que André Mendonça fosse investigado por crimes de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crimes de responsabilidade.
André Mendonça, parecendo estar com planos de incendiar o bolsonarismo, divulgou um vídeo, neste final de semana, às vésperas do 7 de Setembro, se dizendo perseguido e liberou neste domingo (6) o caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes para julgamento no plenário da Suprema Corte. Uma provocação atrás da outra.
A PGR pediu a nulidade do relatório da PF usado André Mendonça na terça-feira (1º). O inusitado é que relatório, porém pedido por Mendonça não registrou uma reunião secreta entre ele [André Mendonça] com o dono do Banco Master. Sim, o encontro secreto veio à tona e deixou desconcertado o ministro. Acuado, Mendonça teve que admitir que o encontro realmente se realizou.
Diante disso, o ministro Edson Fachin não decidiu levar o pedido de investigação de Moraes a plenário. Fachin aguarda as manifestações dentro do prazo de cinco dias dado por ele aos envolvidos para pautar o caso para análise do plenário.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aplaudiu entusiasticamente o ministro Mendonça e ampliou os ataques a Alexandre de Moraes. Ele e passou a pressionar publicamente outros integrantes da Corte para a queda de Moraes. Romeu Zema (Novo), também candidato ao Planalto, busca explorar o episódio para disputar o eleitorado bolsonarista e intensificou nas redes sociais a defesa do impeachment de Moraes.










