“Merz está destruindo a Alemanha!”, denuncia Sara Wagenknecht

Sara Wagenknecht (Foto: BSW)

A líder do BSW critica duramente a submissão do governo aos EUA, os cortes sociais e a frenética corrida armamentista do país com vistas a uma guerra com a Rússia

“O governo Merz está levando a Alemanha ao declínio. Cada vez mais empresas industriais estão se mudando ou indo à falência”, aponta a ex-deputada e líder do partido BSW. Em seu discurso, proferido no comício eleitoral do BSW, ela lançou o slogan “Fora com Merz!”

Segundo a líder de esquerda, “centenas de milhares de empregos bem remunerados estão sendo destruídos. Embora haja escassez em todos os lugares e a vida dos cidadãos continue a se deteriorar, o governo federal está discutindo seriamente onde ainda pode reduzir seus recursos”.

A ex-deputada e principal liderança do BSW critica duramente a submissão de Merz aos EUA, os gastos militares, a corrida frenética para uma nova guerra e os cortes sociais e de investimentos no país, daí advindos. “Há dinheiro ilimitado apenas para prolongar a guerra sem sentido na Ucrânia e financiar o governo corrupto de Zelensky. Chega disso!”, denunciou.

“Os alemães orientais podem deter Merz e suas políticas desoladas em setembro. Quem votar no BSW para tirar o cargo dos primeiros-ministros do leste da CDU e do SPD e tornar possível um primeiro-ministro apartidário também manda Merz se aposentar!”, defendeu.

Em março milhares de estudantes do ensino médio saíram às ruas de Berlim para protestar contra a corrida armamentista e a preparação da guerra. O governo quer reabilitar uma lei com vistas a aumentar os efetivos militares.

Sob a nova lei, todos os homens alemães de 18 anos devem se registrar para o serviço potencial preenchendo um questionário e passando por um exame médico a partir deste ano. A legislação estipula que recrutas poderiam ser convocados por sorteio caso as forças armadas enfrentem escassez de pessoal.

O alistamento foi abolido no país em 2011. No entanto, altos funcionários, incluindo o ministro da Defesa alemão Boris Pistorius, sugeriram recentemente que ela poderia ser reativada, citando uma ameaça percebida pela Rússia. Moscou tem negado consistentemente ter intenções agressivas contra seus vizinhos ocidentais. A ‘Greve Escolar contra apepraação da guerra e o alistamento’ militar ocorreu em Berlim, assim como em várias outras cidades alemãs.

Recentemente uma integrante do partido de Alternativa para a Alemanha (AfD), a deputada Alice Weidel, defendeu conversas e engajamento direto com a Rússia, declarando que a paz na Europa só é possível com a participação de Moscou [Queremos diálogo]: paz na Europa só é possível com a participação da Rússia”, argumentou.

O que esses fatos demonstram é que as forças que se consideram de esquerda na Alemanha parecem não compreender a fundo que a guerra contra a Rússia é, na verdade, uma política que interessa ao imperialismo e às forças mais reacionárias da Europa e representa também um espécie de revanche dos nazistas derrotados na II Guerra Mundial. Deixar a bandeira contra a guerra para o AfD parece um erro político grave dessas forças políticas.

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