MP investiga ligação entre privatização de cemitérios de São Paulo com Banco Master

Cemitério da Vila Formosa, na zona leste, em situação de abandono após a privatização - Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo vai anexar uma nova representação de parlamentares à investigação sobre a privatização dos cemitérios municipais em São Paulo. Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, publicadas no domingo (24) na Folha de S.Paulo, o pedido exige que se apurem as ligações entre as concessionárias e o Banco Master, além de uma suposta omissão de fiscalização por parte da prefeitura.

O caso avançou no Supremo Tribunal Federal (STF) após o ministro Flávio Dino dar prazo para que a gestão de Ricardo Nunes (MDB) explique a atuação das concessionárias de cemitérios e a suspeita de participação do Banco Master no setor. 

Na decisão, anunciada em 7 de abril, o ministro cobrou da Prefeitura de São Paulo a apuração de suposta interferência do Banco Master em empresas concessionárias, “diante da natureza essencial do serviço prestado, que “não pode ser atingido por eventual colapso empresarial em face de fatos públicos e notórios”. A citação foi imputada apenas a Cortel. A Maya foi citada de forma indireta em outro despacho de Dino, em fevereiro, cerca de um mês depois das denúncias contra a Cortel.  “Anoto, também, recentes notícias indiciárias de persistência de dificuldades organizacionais, envolvendo práticas empresariais suscetíveis de questionamento”, escreveu. 

A representação foi apresentada pela deputada federal Luciene Cavalcante, pelo deputado estadual Carlos Giannazi e pelo vereador Celso Giannazi, todos do PSOL. Segundo o MP-SP, há indícios de vínculo entre a concessionária Cortel SP e o Master. A investigação aponta a relação familiar entre integrantes das empresas e o uso de um endereço eletrônico ligado ao banco na assinatura de documentos e Cortel. 

No despacho assinado pelo promotor Silvio Antonio Marques, o Ministério Público identifica semelhanças entre a representação encaminhada pelos parlamentares do PSOL e o inquérito civil já instaurado para apurar possíveis irregularidades na concessão dos cemitérios municipais.

A investigação apontou que Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, integrou o conselho e o quadro societário da concessionária até 2025. A Cortel SP passou a administrar parte dos cemitérios públicos da capital após a privatização realizada pela gestão Nunes em 2023.

Já outra empresa, a Maya, por sua vez, recebeu empréstimos do Banco Master. Juntas, as duas concessionárias administram dez dos 22 cemitérios públicos da capital.

No requerimento encaminhado ao Supremo, a deputada Luciene Cavalcante também solicita que a Procuradoria-Geral da República investigue a atuação da prefeitura e do prefeito Ricardo Nunes em relação ao conhecimento dos fatos e possível omissão. 

À imprensa, a prefeitura alegou que a ação dos parlamentares tem motivação ideológica e se baseia em acusações sem fundamento e “sem qualquer indício ou prova”, apenas “com ilações infundadas para tentar ganhar alguma evidência”.

 A administração municipal também criticou a atuação do promotor, afirmando que a decisão busca criar um episódio artificial de repercussão política. Até o momento, não há conclusão oficial sobre a existência de vínculo efetivo entre a concessionária e o Banco Master. 

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