“No governo Bolsonaro, 29 milhões passaram fome e teve quem catou ossos para comer”, mostra Lula

Pessoas em busca de ossos no desgoverno Bolsonaro (Foto: Reprodução - Instagram - Lula Oficial)

“Meu governo tirou o Brasil do mapa da fome”. “A fome não pode voltar. O Brasil precisa seguir para frente. E o povo brasileiro merece mais”. Dados da ONU e do IBGE confirmam queda expressiva da insegurança alimentar

Em seu programa eleitoral, o presidente Lula (PT) mostra um dos principais contrastes entre seu governo e o anterior: a situação da fome no governo Jair Bolsonaro (PL) e os indicadores atuais de segurança alimentar.

“No fim do governo Bolsonaro, 29 milhões de brasileiros enfrentavam a fome”, afirmou Lula. “Teve brasileiro que precisou catar ossos para conseguir colocar comida no prato”.

A Rede Penssan (Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional) estimou 33,1 milhões de pessoas em situação de fome em 2022, enquanto dados do IBGE posteriormente apontaram 20,6 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave naquele ano.

São metodologias diferentes, e os números não devem ser tratados como equivalentes.

O dado mais recente da ONU, por outro lado, confirma a mudança apontada por Lula. O Brasil permaneceu fora do Mapa da Fome no relatório de 2026 da FAO, que considera o triênio 2023-2025.

A proporção de pessoas em subnutrição permaneceu abaixo de 2,5%, limite utilizado pela organização para classificar os países. A insegurança alimentar grave também recuou para 0,6% da população, segundo o relatório.

26,5 MILHÕES SAÍRAM DA FOME

Os números do IBGE ajudam a dimensionar a redução. Segundo o MDS (Ministério de Desenvolvimento Social), a insegurança alimentar grave atingia 3,2% dos domicílios em 2024, equivalente a cerca de 6,5 milhões de pessoas. Na comparação com 2022, aproximadamente 26,5 milhões de brasileiros deixaram essa condição.

A segurança alimentar, por sua vez, passou de 72,4% dos domicílios em 2023 para 75,8% em 2024, incorporando 8,8 milhões de pessoas a essa condição em apenas um ano, segundo o IBGE.

A própria Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) confirma que a melhora não ficou restrita a um único indicador. O relatório divulgado em julho deste ano manteve o Brasil fora do Mapa da Fome e registrou redução da subnutrição e da insegurança alimentar grave.

EMPREGO, RENDA E BOLSA FAMÍLIA

Na propaganda, Lula associa a queda da fome à recuperação do emprego, da renda e ao fortalecimento do Bolsa Família. A relação encontra respaldo nos dados oficiais, embora a redução da fome resulte de conjunto de fatores econômicos e sociais.

Segundo o MDS, o Plano Brasil Sem Fome reúne ações de 24 ministérios e combina transferência de renda, valorização do salário mínimo, geração de emprego, controle da inflação dos alimentos, agricultura familiar e programas de acesso à alimentação. Entre 2023 e 2025, o Bolsa Família alcançou, em média, 20,7 milhões de famílias.

Em setembro de 2026, o programa atende 19,29 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 678,18. A partir de outubro, o valor mínimo será reajustado de R$ 600 para R$ 691, com benefício médio estimado em R$ 777.

O mercado de trabalho também apresenta indicadores positivos. No segundo trimestre de 2026, o rendimento médio real do trabalho chegou a R$ 3.738, quase 13% acima do registrado no fim de 2022, embora tenha recuado em relação ao recorde de R$ 3.795 alcançado no primeiro trimestre deste ano.

A FOME NÃO PODE VOLTAR”

Ao concluir a mensagem, Lula transforma o indicador social em compromisso político: “A fome não pode voltar. O Brasil precisa seguir para frente. E o povo brasileiro merece mais.”

A declaração ocorre num momento em que a segurança alimentar voltou a ocupar espaço central no debate público e eleitoral. Os dados disponíveis sustentam a queda expressiva da fome desde 2022, mas também mostram que a insegurança alimentar não foi eliminada.

O desafio colocado pelas estatísticas é manter a redução e alcançar os milhões de brasileiros que ainda enfrentam algum grau de restrição alimentar.

A mensagem presidencial, portanto, articula 3 elementos: o contraste com a situação registrada no fim de 2022, os resultados posteriores medidos por IBGE e FAO e a defesa da continuidade das políticas de renda, emprego e proteção social.

A frase final — “o povo brasileiro merece mais” — projeta esse balanço para o terreno das escolhas políticas de 2026.

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