Deputados e senadores do Partido Democrata exigem que o governo Trump encerre imediatamente os ataques ao Irã. Lideranças do partido têm articulado resoluções contra os poderes de declarar guerra da Casa Branca e bloqueado projetos massivos de financiamento militar, pressionando por uma saída diplomática urgente.
A escalada bélica desencadeou reações duras no Capitólio, com impactos diretos na política interna. Sob a liderança do senador Chuck Schumer, parlamentares democratas travaram a votação de um pacote anual de defesa de US $1,15 trilhão em protesto contra as ações militares sem aval do Congresso.
O líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, declarou que “a guerra imprudente e custosa contra o Irã tem sido desastrosa para o povo americano. Que Deus proteja nossos soldados, que foram expostos desnecessariamente ao perigo”.
Segundo a revista Time, após o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmar a morte de dois soldados americanos na Jordânia e de outro no norte do Iraque, Jeffries afirmou que “não há mais razão para que americanos continuem perdendo suas vidas nesta guerra irresponsável”.
Nomes como os democratas Cory Booker, Chris Murphy e Ro Khanna têm cobrado o fim da guerra e audiências públicas detalhadas para proteger tropas americanas.
A deputada estadual Suzanne Bonamici, do Oregon, também pediu o fim das hostilidades. “Nos últimos dias, três militares americanos perderam a vida por causa da guerra com o Irã. Meus sentimentos estão com suas famílias e amigos”, disse ela. “O Congresso e o povo americano já se manifestaram: esta guerra precisa acabar”, acrescentou.
O senador Chris Van Hollen, de Maryland, fez um apelo semelhante, insistindo: “Esta guerra sem sentido nunca deveria ter começado e precisa terminar agora.”
PARA 57% DOS NORTE-AMERICANOS IR À GUERRA FOI ERRO
Uma pesquisa realizada pelas revistas The Economist e YouGov revelou que 57% dos adultos norte-americanos entrevistados entre 10 e 14 de julho acreditam que a decisão de ir à guerra foi errado, quanto mais o desrespeito do Memorando de Entendimento com base em 14 pontos apresentados por Teerã, estabelecendo um cessar-fogo em todas as frentes e negociações para um acordo final.
Tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado aprovaram, no mês passado, resoluções da Lei de Poderes de Guerra com o objetivo de impedir que Trump continue a guerra.
O senador democrata Adam Schiff, da Califórnia, apresentou uma nova Resolução sobre Poderes de Guerra na semana passada, após o colapso do cessar-fogo provocado pelo genocida Trump.
O deputado Ted Lieu, da Califórnia, pediu aos republicanos que “se juntassem a nós na aprovação da Resolução sobre Poderes de Guerra agora”, em resposta às notícias sobre os militares mortos em combate no fim de semana.
O senador Cory Booker, de Nova Jersey, denunciou o reinício do conflito armado e afirmou que a “determinação e a urgência dos legisladores em usar todas as ferramentas e poderes à nossa disposição para pôr fim a esta guerra inconstitucional devem continuar”.
A senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire, argumentou que “o presidente deve negociar o fim desta guerra desastrosa”. Concordando, o deputado Ro Khanna, da Califórnia, declarou: “Acabem com a guerra no Irã”.
RESPOSTA DO IRÃ É DIRETA
A rejeição à guerra aumentou depois dos dados revelados nesta segunda-feira (20) apontando que o Pentágono ocultou na semana passada dezenas de feridos após os ataques com mísseis balísticos do Irã contra bases militares americanas na região, especialmente na Jordânia.
Menos de duas semanas após a entrada em vigor do Memorando de Entendimento de Islamabad, os Estados Unidos, pressionando Omã e com o apoio de alguns países da região, agiram para contornar o acordo e violar sua quinta cláusula, referente à gestão iraniana do Estreito de Ormuz.
Essa decisão provocou oposição e protestos do Irã. Contudo, esses países ignoraram as objeções iranianas e reabriram a rota sul do estreito ao tráfego marítimo sem respeitar as estipulações do acordo, contribuindo para uma escalada ainda maior das tensões e para o colapso do entendimento alcançado.
O novo líder supremo da Revolução Iraniana, Mojtaba, filho do assassinado Khamenei, em mensagem à nação, afirmou que, diante da renovada agressão ao país, o Irã e a Frente de Resistência na região prepararam “lições inesquecíveis” para o inimigo norte-americano.
Enquanto isso, o senador Chris Murphy, de Connecticut, alertou que “a escala dos ataques — e as ameaças de escalada — estão aumentando rapidamente”.
“Trump perdeu assustadoramente o controle desta guerra”, argumentou ele.










