Perícia fajuta da produtora de ‘Dark Horse’ não esclarece como grana de Vorcaro foi usada nos EUA

Flavio foi flagrado pegando R$ 61 milhões com Daniel Vorcaro (Foto: Daniel Ramalho/AFP

O crime já está caracterizado. Flávio pediu dinheiro ao banqueiro ladrão que tinha dado um golpe bilionário no país. O que a PF quer saber agora é quanto desse dinheiro foi usado para bancar a conspiração criminosa de Eduardo nos EUA

A produtora do filme sobre Bolsonaro, que todo o Brasil já sabe que foi financiado com recursos públicos desviados pelo dono do Banco Master, anexou uma “perícia preventiva” para tentar explicar o manuseio do dinheiro tanto dentro como fora do país.

A Polícia Federal suspeita que parte dos R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro prometeu repassar para a família Bolsonaro serviu também, além do filme, para sustentar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ele foi morar no Texas para conspirar junto a Trump contra o Brasil. O ex-deputado está sem salário, mas vive confortavelmente numa mansão avaliada em R$ 6 milhões, com um aluguel de R$ 30 mil.

A perícia preventiva – contratada pela dona da produtora – não esclareceu como foram feitos os gastos nos EUA. A produtora Go Up Entertainment apontou que o filme “Dark Horse” teve um custo total de US$ 13,4 milhões (cerca de R$ 75 milhões). O valor corresponde a 56% dos R$ 134 milhões que o dono do extinto banco Master, teria acordado com Flávio Bolsonaro em transferir para o fundo nos EUA usado para a captação dos recursos, o Havengate Development LP.

O fundo, coincidentemente, é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O Havengate também aplicou recursos no paraíso fiscal de Delaware e comprou um imóvel de luxo no Texas, pelo valor de R$ 3,6 milhões. Este imóvel acabou ficando registrado em nome de André Porciúncula, um ex-policial bolsonarista do Rio de Janeiro que foi para os EUA junto com Eduardo e que não comprova renda compatível com o imóvel do Texas.

Os resultados da perícia provada foram anexados ao inquérito policial que investiga a suspeita de uso de verbas públicas na produção do filme, por meio de desvios em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, que é dona da Go Up Entertainment.

A dona da produtora fez a “perícia preventiva” na tentativa de confundir o trabalho da polícia e sustentar a inexistência do uso de recursos públicos no filme. Segundo o portal Metrópoles, o documento apresentado aponta que a maior parte do montante, US$ 9,6 milhões (R$ 54,2 milhões) foi referente a custos de produção nos EUA, sendo o restante dos gastos, US$ 3,7 milhões (R$ 20,9 milhões) referente aos trabalhos no Brasil de produção e filmagem.

A perícia destaca que o Havengate Development LP enviou até o dia 10 de junho o montante de R$ 75 milhões para o filme e que os valores foram recebidos no Brasil por meio de uma conta no Banco do Brasil, sendo a maioria deles (R$ 20,9 milhões) por meio de transferência via Pix.

“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia afirma que os ingressos têm origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, aponta o documento.

O laudo descreve os gasto no Brasil como a contratação dos atores internacionais, despesas com cachês, diárias, transporte, cenografia e passagens aéreas e lista a descrição técnica de cada etapa. No entanto, segundo a reportagem do Metrópoles, os gastos nos EUA aparecem de forma genérica, sem o detalhamento de cada etapa. Ou seja, não há explicações sobre o uso do dinheiro aportado por Vorcaro nos EUA.

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