Petrobrás quer corrigir “lambança” de Bolsonaro e voltar a distribuir combustíveis

Magda Chambriard, presidente da Petrobrás (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

“Há uma determinação do nosso conselho de administração, no último plano estratégico, que avalie a volta da Petrobrás para a distribuição”, afirmou Magda Chambriard, presidente da estatal

A diretoria da Petrobrás, seguindo a orientação do governo Lula, anunciou que está analisando os caminhos para retornar ao mercado de distribuição de combustíveis e gás.

O setor foi privatizado por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes e, por conta de toda essa lambança no setor de distribuição, o Brasil se tornou mais vulnerável as oscilações do mercado internacional de petróleo, como a que ocorre atualmente, após a agressão dos EUA e Israel ao Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz.

“Há uma determinação do nosso conselho de administração, no último plano estratégico, que avalie a volta da Petrobrás para a distribuição”, afirmou a presidente da estatal, Magda Chambriard, em entrevista à revista Exame.

Antes da confusão criada por Bolsonaro, ao se desfazer da BR Distribuidora, a estatal tinha presença direta em cerca de 27% do mercado, o que permitia maior controle sobre a formação de preços na ponta. A Petrobrás tinha um papel estratégico na formação de preços e, com isso, exercia um limite rigoroso na ganância dos monopólios privados do setor e protegia o mercado nacional das oscilações especulativas.

A retirada da Petrobras do setor de distribuição, em 2019, causou um grande problema para a população brasileira, que ficou a mercê dos atravessadores. Eles formaram carteis e passaram a praticar preços extorsivos e independentes dos preços cobrados pelas refinarias da Petrobrás.

Até mesmo a presidente da estatal observou, na entrevista à exame que este foi um dos fatores que reduziram a capacidade da empresa de influenciar os preços ao consumidor. “Com 27%, a Petrobras conseguia influenciar o preço final do combustível no mercado de revenda”, afirma Chambriard.

“Hoje, apesar de continuar responsável pela maior parte da produção e refino, incluindo cerca de 70% do diesel consumido no país, a companhia não atua mais diretamente na etapa final da cadeia”, acrfescentou.

Magda Chambriard criticou as privatizações feitas no governo Bolsonaro. “Essas vendas tinham a premissa de baratear o produto para o consumidor final e, anos depois, a gente vê que o que aconteceu foi o exato oposto: um ônus exacerbado para a sociedade”, apontou.

O presidente Lula afirmou recentemente que sonha com a criação de empresas públicas de distribuição de gás e de combustível e de transmissão de energia elétrica. As declarações foram feitas em entrevista aos sites Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum.

“Na privatização da BR (Distribuidora), está escrito que se a gente quiser readquiri-la, só a partir de 2029. Até lá, ela pode ser vendida para qualquer um, menos para a própria Petrobras. E a mesma coisa vale para a Eletrobras”, disse Lula.
“Eu ainda sonho que a gente vai criar uma outra Eletrobras, ou quem sabe uma empresa mais moderna e melhor”, acrescentou Lula.

“Obviamente, eu quero dizer para você. Da mesma forma que, no meu primeiro mandato, eu comprei uma empresa para a gente distribuir gás, para a gente poder controlar o preço, e eles venderam, eu ainda sonho que a gente vai ter uma empresa distribuidora de gás, eu ainda sonho que a gente vai ter distribuidora de combustíveis”, completou o presidente.

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