Em 2025, as operadoras de planos de saúde no Brasil registraram um lucro líquido recorde de R$ 24,4 bilhões, cerca de 120% frente a 2024
Entre janeiro e fevereiro de 2026, os planos de saúde coletivos tiveram aumento de 9,9% anual, em média, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), divulgados na sexta-feira (8). O que supera em muito a inflação para o período, de 3,81%, apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em 2025, as operadoras de planos de saúde no Brasil registraram um lucro líquido recorde de R$ 24,4 bilhões, marcando um aumento expressivo de cerca de 120% frente a 2024 – impulsionado, em grande parte, pelo reajuste das mensalidades.
Segundo a ANS, em nota, “o resultado líquido do setor em 2025 foi o maior da série histórica em termos nominais, superando inclusive o recorde anterior durante a pandemia de COVID-19, levando o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) a 16,4%, patamar superior aos anos pré-pandemia”.
No ano passado, o reajuste médio aplicado aos contratos coletivos de assistência médico-hospitalar foi de 10,76%. Esses constituem o principal segmento do setor de planos de saúde que, juntas, alcançaram lucro líquido de R$ 23,4 bilhões.

Os planos de saúde coletivos correspondem a mais de 80% do chamado “mercado da saúde” no Brasil. Este modelo de contrato (coletivos por adesão ou corporativos) é reajustado entre as seguradoras e os contratantes, ou seja, sem limites de reajustes definidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – que regula os planos individuais.
Os aumentos nas mensalidades dos planos de saúde coletivos, sempre acima da inflação, ocorrem alheios às denúncias de desligamento unilateral de planos, além das típicas queixas de negativas de cobertura, atrasos no reembolso e da péssima qualidade na prestação de serviços registrada no sistema do consumidor.gov.br, Procon e Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) – uma organização independente – por exemplo.
Em 2025, foram quase 35 mil queixas, sendo uma média de quatro por hora – e o maior número da série histórica da Secretaria Nacional do Consumidor, iniciada há 12 anos. No ano passado, as reclamações estavam relacionadas a negativas de cobertura e atrasos no reembolso.
Os planos de saúde também figuram no topo do ranking de queixas e reclamações de serviços, apurados pelo Idec, com 29,10% do total.











